Euro 6: Padrão de emissões terá de durar 700 mil km e veículos devem ficar mais pesados

Ônibus com tecnologia Euro 6 em testes no Sul do País

As exigências mais rígidas de controle de ruídos exigem maior participação das encarroçadoras de ônibus; Testes serão feitos em condições reais e não somente em bancada, diz Anfavea em evento da Setpesp

ADAMO BAZANI

Quando se fala em Euro 6 (padrão internacional de emissões de poluentes por veículos pesados a diesel), logo se pensa em redução de poluentes gasosos, que é o objetivo final.

Porém, as novas normas, que entram completamente em vigor no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2023 e já são realidade no mundo desenvolvido, vão além disso e trazem novos parâmetros para homologação, produção, inspeção e operação, em especial de ônibus e caminhões.

É o que explicou o vice-presidente da Anfavea e diretor de Assuntos Corporativos do Grupo Volvo América Latina, Alexandre Parker, em seminário técnico que está sendo promovido pelo Setpesp – Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo, entre esta quarta-feira (24) e quinta-feira (25), com cobertura do Diário do Transporte.

“A realidade não é tão feia como a gente pode imaginar quanto às incertezas sobre uma nova tecnologia, mas muita coisa vai mudar, além das emissões” – disse.

No Brasil, o Euro 6 vai fazer parte da chamada P8, que é a fase 8 do Proconve (Programa de Controle de Emissões Veiculares), do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Uma das alterações, segundo Parker, é a durabilidade das emissões em cada ônibus e caminhões, seguindo os parâmetros das normas.

As montadoras devem assegurar que por 700 mil km ou sete anos (o que vencer antes), as emissões terão de seguir o padrão estipulado pelas normas do Euro 6 (Proconve P8).

Para se ter uma ideia, o P7 (Euro V) determinava que essa durabilidade deveria ser de 500 mil km.

Outra novidade, segundo Parker, é quanto ao processo de homologação.

A emissões serão analisadas em tráfego real.

Assim, será apurada a obediência às normas de restrição de poluentes também nos veículos sendo testados nas ruas, para homologação. Até então, as fases anteriores do Proconve se limitavam aos testes de motores em bancadas.

O P8 (Euro 6) não traz apenas restrições quanto às emissões de poluentes, mas de ruídos também, que serão mais severas que nas versões anteriores, limitando a 78/80dB

O vice-presidente da Anfavea disse acreditar que, com isso, não só as montadoras, mas as encarroçadoras de ônibus tiveram de se envolver mais no processo de transição.

O executivo ainda destacou que combustível de homologação para os modelos será o B7, óleo diesel S-10 com mistura de 7% de biodiesel.

Outro ponto destacado é que para promover as reduções de emissões, os ônibus e caminhões terão mais equipamentos embarcados e novas configurações.

Alexandre Parker diz que na prática a tara dos veículos (o peso sem carga ou passageiros) será maior, em especial nos eixos de tração.

As indústrias dizem que faz parte do desenvolvimento de veículos para esta nova tecnologia no Brasil, a criação de peças e componentes de materiais mais leves para compensar este peso maior dos equipamentos extras.

ARLA e RECIRCULAÇÃO

Por causa dos parâmetros mais rígidos a serem atendidos, a fase P 8 (Euro 6) vai na prática exigir que ônibus e caminhões mesclem as atuais tecnologias de Arla 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo, com 32% de ureia industrial) e a de Recirculação de Gases de Escape.

Hoje existem as duas opções de forma individualizada, de acordo com o modelo e fabricante.

As emissões de NOx – Óxidos de Nitrogênio limites no P 8 (Euro 6) serão de 0,4 g/kWh. Na fase P7 (Euro V) estas emissões são de 2 g/kWh

Já quanto aos MP – Materiais Particulados, no P 8 (Euro 6), as emissões serão de 0,01 g/kWh. No atual P7 (Euro V) a tolerância é de 0,02 g/kWh.

VWCO DETALHA SUSTENTABILIDADE DO NEGÓCIO

A VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus) também participou do evento nesta quarta (24), representada pelo gerente de Marketing do Produto Bruno Schonhorst, pelo diretor de Vendas de Ônibus Jorge Carrer e o gerente de Engenharia Powertrain Rodrigo Santos.

“A mensagem principal que a gente quer deixar é que mesmo com a necessidade do incremento de eletrônica embarcada e, consequentemente, o custo que isso vai trazer ao produto, a gente, além de obviamente atender a legislação que vai entrar em vigor e poder contribuir com a redução de elementos nocivos à natureza, a gente também pensa na sustentabilidade do negócio para os nossos clientes”, afirmou Bruno.

“Por isso, a gente está buscando sempre ‘offsetar’ [compensar] esse incremento de preço que vai vir com essa tecnologia e buscando alternativas para causar o menor impacto possível nas operações dos nossos clientes”, completou.

DIRETOR DA VOLVO DETALHA REALIDADE DO CHILE

Na ocasião, o diretor de Novos Negócios da Volvo, André Trombini, afirmou que o Chile passou a ocupar a segunda colocação no ranking mundial de ônibus urbanos elétricos, ficando somente atrás da China, país asiático.

De acordo com Trombini, a Europa já possui recursos e estrutura para fabricar o primeiro chassi 100% elétrico de ônibus, com este modelo atendendo o mercado chileno que mesmo com poucos anos de início do seu processo de eletrificação, já ocupa a primeira posição na América do Sul, superando o Brasil.

Os chilenos com a adesão recente de 990 veículos, se aproxima de um total de dois mil ônibus elétricos em operação muito em breve.

“Então é normal que Chile e Colômbia estejam mais bem preparados, obviamente a gente como marca não dá para dizer que só estamos atentos, muito pelo contrário. A questão de poucas semanas atrás nós fizemos o lançamento e a gente da para dizer simultâneo, global do nosso primeiro chassi, lá na Europa já tem os recursos completos, primeiro chassi elétrico, 100% elétrico neste primeiro momento piso baixo. Então obviamente vem perfeitamente para atender o mercado do Chile, e lembrando, Chile já passa a ser o segundo país com maior frota de ônibus elétricos depois da China. Primeiro país depois da China, o segundo país com maior frota de elétricos com essa adesão demais 990 veículos elétricos. Então já deve chegar ai a fronteira dos dois mil veículos elétricos, logo logo operando”, explicou o diretor da Volvo durante o seminário.

Além disto, o diretor informou que a Volvo está atenta às necessidades do mercado, observando o setor e em especial o BRT, estando este no radar da empresa.

“Não estamos aqui preparados para a gente dizer quando nós iremos fazer os próximos lançamentos, obviamente a gente tem todo um respeito pela participação, pela reputação, da importância que nós temos no sistema BRT, então está no radar obviamente, e nós estamos trabalhando bastante, fortemente para a gente apresentar logo logo, outras novidades”, completou Andre Trombini.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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