Movimento MSBC é lançado para criar soluções de transporte de baixo carbono
Publicado em: 27 de outubro de 2021
Lançamento do grupo ‘Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono’ foi realizado nesta quarta (27), com participação da Anfavea e outras entidades
JESSICA MARQUES
Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono. Este é o objetivo do movimento MSBC, lançado nesta quarta-feira, 27 de outubro de 2021. O grupo foi criado por entidades dos setores automotivo e de biocombustíveis para a criação de um plano estratégico em prol deste objetivo.
O MSBC é composto por uma variedade de setores da sociedade: fabricantes de peças de veículos, fabricantes de combustível, sociedade civil organizada no âmbito da engenharia e a academia.
“O nome Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono surgiu do conceito básico desta ideia. O objetivo é a descarbonização, ou seja, o baixo carbono. A diferença entre os conceitos anteriores de mobilidade e os novos conceitos é este e não a utilização de uma ou outra tecnologia. Isso são meios, que são importantes, mas o mais importante é atingir o baixo carbono e fazer isso da forma correta, ao longo de todo o ciclo de vida do produto e de forma sustentável”, disse o consultor de mobilidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Ricardo Abreu.
O lançamento do movimento contou com a participação da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e de outras entidades, como a Unica, o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) e a SAE Brasil (Sociedade de Engenharia Automotiva).
Todas estas entidades já se comprometeram a assinar o Protocolo de Intenções do MSBC. Além disso, foram feitos contatos com o setor acadêmico para a realização de parcerias com o objetivo de realizar pesquisas e desenvolver tecnologias, como célula de combustível a etanol, hibridização com biocombustível, etanol de segunda geração, entre outras.
Este lançamento é realizado próximo à COP 26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021, conhecida também como Conferência de Glasgow.
INTEGRAÇÃO DE SOLUÇÕES
O objetivo desta cooperação é contemplar rotas tecnológicas de forma ampla, para complementar linhas de eletrificação a bateria e outras alterativas. Em todas as estratégias, o alvo é o mesmo: a descarbonização.
Com isso, a meta é estimular uma convergência entre programas e iniciativas governamentais. Entre eles, estão o Proconve, Rota 2030, RenovaBio Combustível do Futuro, entre outros, visando o desenvolvimento de soluções genuínas.
CONTRIBUIÇÕES
Na ocasião, o engenheiro Mauro Correia, vice-presidente da SAE BRASIL, falou sobre a participação da sociedade no MSBC.
“Somos a primeira entidade a dedicar um trabalho exclusivo à propulsão veicular de hidrogênio no nosso país. Essa grande quantidade de indivíduos da indústria, da academia, dos órgãos técnicos, do governo, permite a nós ter uma amplitude de debate muito grande e nesse sentido nós sentimos muito orgulho de participar desse grupo, porque podemos levar esse conhecimento e contribuição da SAE”, disse.
“Há 30 anos a SAE BRASIL cria e dissemina conhecimento com foco em desenvolver a engenharia nacional para o futuro da mobilidade. Mais de 5 mil associados trazem pluralidade e amplitude, consolidando o aprendizado de profissionais e estudantes. Este conteúdo que integra a indústria, a academia e os órgãos técnicos do governo irá alavancar soluções de Baixo Carbono no âmbito do MSBC”, completou o presidente da SAE Brasil, Camilo Adas.
Por sua vez, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, destacou o estudo “O caminho da descarbonização do setor automotivo no Brasil”, como uma contribuição da entidade para o debate com todos os setores envolvidos com a cadeia automotiva do país, bem como com o poder público.
“O estudo leva em consideração as diversas rotas tecnológicas, a rica matriz energética disponível e os desafios da infraestrutura do país, entre outros aspectos. Nosso objetivo é ajudar a construir um caminho para a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Temos essa obrigação para com as futuras gerações”, disse.
Já o presidente da Unica, Evandro Gussi, reforçou o que foi falado pelo consultor de mobilidade. “Entendemos que todos somos parte da solução aos desafios impostos pela mudança do clima e que são diversas as rotas para se chegar a uma mobilidade verdadeiramente sustentável. O biocombustível é uma solução complementar, simples, acessível, replicável e emite até 90% menos do que a gasolina”, considerou.
O presidente da AEA, Besaliel Botelho, falou sobre o papel da associação no grupo. “Como entidade técnica e neutra do setor automotivo brasileiro, desde a sua fundação, a AEA defendeu o estudo e o debate de todas as tecnologias. Mas temos de reconhecer que o Brasil possui uma matriz energética rica, diversificada e diferenciada, que contempla as biomassas, inclusive para a futura célula de combustível. O Brasil tem – sobretudo – o domínio do conhecimento dessas tecnologias”.
Por fim, o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, detalhou a participação do sindicato. “Para o Sindipeças, o Brasil tem larga experiência na utilização do etanol como combustível veicular limpo e sustentável, com vasto parque instalado e profissionais capacitados. A entidade entende que esse diferencial não deve ser desperdiçado.”
Jessica Marques para o Diário do Transporte






Comentários