Governo Federal receberá 800 mil dólares do BID para projetos de infraestrutura com baixa emissão de carbono

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Recursos provenientes do Programa de Infraestrutura Sustentável do Reino Unido (UK SIP) traçarão metas para o modo rodoviário, responsável por 40% das emissões de estufa no país

ALEXANDRE PELEGI

Em comunicado lançado nesta semana o Ministério da Infraestrutura do Governo Federal divulgou a assinatura de um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) voltado à adoção de modos de transporte de baixa emissão de carbono no Brasil.

Serão injetados US$ 800 mil (cerca de R$ 4,4 milhões), oriundos do Programa de Infraestrutura Sustentável do Reino Unido (UK SIP).

O UK SIP integra uma plataforma única do Grupo do BID cuja função é auxiliar países da América Latina e do Caribe.

Os recursos serão utilizados para a execução de um plano estratégico e sustentável de logística e infraestrutura de transportes.

A parceria inclui avaliações de viabilidade de logística e transporte sustentáveis, além da adoção de critérios de gestão e mitigação de risco climático, dentre outros itens.

Para o plano de parcerias do modo rodoviário, hoje responsável por 40% das emissões de gases de efeito estufa no país, serão traçados objetivos, metas e indicadores.

Isso dará subsídios para um modelo de governança do transporte rodoviário, tornando-se referência para o Planejamento Integrado de Transportes do Governo Federal, onde convivem outros planos de parcerias sustentáveis.

No comunicado o Minfra informou ainda que assinará nos próximos dias um contrato com empresa de consultoria para encaminhar os estudos iniciais.

O titular da pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afiançou que a sustentabilidade é uma diretriz do Ministério, em que se leva em consideração todas as questões atinentes à mudança climática. “É uma temática cada vez mais presente no nosso planejamento e no desenvolvimento de projetos, e acordos de cooperação com entidades reconhecidas nos ajudarão a chegar ao ‘estado da arte’ em termo de provisão de infraestrutura conjugada com sustentabilidade”, afirmou Freitas.

O Minfra reporta que firmou já dois convênios, um com a Climate Bond Initiative (CBI), e outro com a Agência de Cooperação Internacional Alemã (GIZ).

O primeiro qualificará o portfólio de transportes a potencial financiamento via títulos verdes (green bonds). Este trabalho permitiu que novas concessões ferroviárias, como a Ferrogrão e ferrovias de Integração Oeste-Leste (Fiol) e Centro-Oeste (FICO), estejam aptas a buscar a certificação ambiental.

Já o segundo convênio, com a GIZ, tem o objetivo de incorporar a questão das mudanças climáticas nas ações do setor.

A representante do BID no Brasil, Morgan Doyle, cita dados do Global Infrastructure Hub que demonstram que a demanda de infraestrutura rodoviária do Brasil precisa de aproximadamente US$ 1,2 trilhão até 2040, cerca de R$ 6,72 trilhões.

Doyle aponta que o investimento em infraestrutura sustentável tras diversos efeitos positivos: gera empregos, contribui para a resiliência climática das rodovias e aumenta a produtividade, reduzindo custos. “Todos esses elementos estão alinhados à Visão 2025 do BID para uma recuperação econômica no pós-pandemia mais sustentável e inclusiva”, conclui.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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