Aumento no preço dos combustíveis faz 30 mil motoristas de aplicativos devolverem carros alugados

Também foi registrada uma queda de 80% na locação de veículos para motoristas de aplicativos nos meses de abril e maio de 2020, devido à pandemia de covid-19. Foto: Diário do Transporte.

Levantamento foi apresentado pelo presidente da ABLA, Paulo Miguel Junior, em entrevista coletiva nesta terça (19)

JESSICA MARQUES / WILLIAN MOREIRA

O aumento no preço dos combustíveis fez 30 mil motoristas de aplicativos devolverem os carros alugados que eram utilizados para a prestação do serviço.

Este levantamento foi apresentado pelo presidente da ABLA (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis), Paulo Miguel Junior, em entrevista coletiva nesta terça-feira, 19 de outubro de 2021, com participação do Diário do Transporte.

O presidente da associação também apontou que foi registrada uma queda de 80% na locação de veículos para motoristas de aplicativos nos meses de abril e maio de 2020, devido à pandemia de covid-19.

“Na locação para motoristas de aplicativo antes da pandemia, a gente tinha 200 mil veículos. No momento de pico da pandemia, isso caiu para cerca de 90 mil, quando tudo foi fechado entre abril e maio de 2020. Tivemos também uma retomada em V no segundo semestre. O mercado vinha bem até abril e maio [deste ano], mas com a alta dos combustíveis, os motoristas sentiram o baque, porque a gente teve reajuste no preço de locação, porque o preço da locação é diretamente proporcional ao preço do veículo”, explicou o presidente da ABLA.

“Então eles já tinham sentido o preço da locação e passaram a sentir o seu custo variável aumentando muito, que é o combustível. E isso fez com que vários motoristas devolvessem seus veículos, uma devolução aproximadamente de 30 mil veículos, e isso já tem causado reflexos nos aplicativos. Alguns já com anuncio até na televisão do aumento da rentabilidade dos motoristas, diminuindo taxas, fazendo algumas promoções, mas com o combustível nesse valor a gente acha que ainda vai ter um pouco de reflexo”, detalhou também.

Na visão de Junior, as tarifas dos aplicativos precisariam subir para que os motoristas pudessem ver a locação de veículos ainda como uma boa alternativa.

“A gente acredita que em um prazo razoável isso deva se reverter um pouco, mas a gente tinha um espaço de até uns 230 mil veículos para motoristas de aplicativo, se tivesse frota e se o mercado deles estivesse bom. Então é algo que também pode oscilar, mas a nossa previsão é de crescimento”, disse também.

MERCADO DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS

Em entrevista coletiva, o presidente da ABLA afirmou ainda que o atraso nas entregas de veículos pelas montadoras vai na resultar na falta de carros nas locadoras no fim do ano.

Em 2020, houve uma queda de 90% na locação de veículos para viagens de lazer e de negócios. Entretanto, atualmente a demanda é bem acima da oferta, conforme apontado por Junior.

A frota das locadoras atualmente é de 1 milhão e 70 mil automóveis e comerciais leves, considerando o período até setembro de 2021. No ano passado, a frota era de 1 milhão e 7 mil automóveis.

Ainda de acordo com o levantamento da ABLA, a montadora que mais vendeu para locadoras neste ano foi a Fiat, com 105.344 automóveis e comerciais leves.

Os modelos mais vendidos para locadoras até setembro deste ano foram o Fiat Mobi (27.535 unidades), o Fiat Argo (26.601 unidades) e o VW Gol (26.056 unidades).

Por sua vez, o total de compras das locadoras até setembro de 2021 foi de 310.561 automóveis e comerciais leves. Em 2020, este número foi de 360.567 e a previsão da ABLA é que até dezembro deste ano o setor atinga 380 mil unidades.

Apesar da retomada apontada, Junior afirma que os motoristas de aplicativo não se incluem nesta tendência de alta.

“Esse mercado não está ainda sendo retomado para motoristas. Nós acreditamos que haverá uma retomada se o preço do combustível voltar ao patamar mais baixo, e também se os aplicativos reajustarem o valor da tarifa, dando possibilidade para que eles recomponham sua renda mensal, senão não acredito que volte não. Mas na perspectiva de tempo, a gente sabe que isso acaba se ajustando, ou o combustível baixa ou a tarifa aumenta e ai acredita na retomada destes motoristas”, reafirmou o presidente da ABLA.

Conforme já noticiado pelo Diário do Transporte, a alta no preço dos combustíveis também afetou o setor de transporte coletivo.

Relembre:

Novo aumento do diesel pressiona ainda mais custeio do transporte coletivo

CARRO POR ASSINATURA

Também em entrevista coletiva, Junior afirmou que há uma tendência de alta do serviço de carro por assinatura. A nova modalidade de aluguel permite que o cliente faça uso do veículo por um período determinado, em geral de 12 a 36 meses, com impostos, seguro e manutenção inclusas no valor pago.

“O que contribui a pauta do carro por assinatura é a troca do carro como um serviço e não carro como propriedade, isso mais cultural do que qualquer outra coisa. Às vezes o carro por assinatura sai muito mais barato se você olhar todos os itens que compõem a precificação, de você possuir o carro se você pagar ele por assinatura”, avaliou Junior.

Esta tendência, porém, não deve tirar passageiros do transporte por aplicativos ou de outros modais. Isso porque, na visão do presidente da ABLA, a migração está sendo feita por donos de veículos, que decidem por vender o carro e optar pelo uso por assinatura.

“Então, na hora de composição de todos os custos, o custo para a locadora fica mais baixo do que individualmente. Assim, você acaba pagando menos em um carro por assinatura do que no carro como propriedade e isso eu vejo que não influencia no modelo dos aplicativos porque, essas pessoas que têm o carro por assinatura estão trocando carro próprio por assinatura. Quem utiliza o transporte compartilhado, ainda vai continuar usando o transporte compartilhado, então não vejo isso como influência”, considerou.

“Agora o que pode influenciar efetivamente é se o transporte por aplicativo ficar muito mais caro por conta de combustível e no final do mês valer a pena você ter o carro por assinatura do que usar o carro por aplicativo. Tudo bem que do carro por aplicativo, no seu bom momento, você não espera tanto, ele te pega na porta e te deixa na porta e você não tem as preocupações de ter que parar o carro, estar dirigindo no trânsito, então tem suas vantagens. Assim, acho que um ponto compensa o outro, então eu não vejo mudança significativa nos aplicativos”, finalizou.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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