História

HISTÓRIA EM RETRATOS: Imponentes ônibus para a potência do País; transportes em São Paulo

Variedade de modelos e empresas em diferentes épocas mostra como os ônibus contribuíram e ainda contribuem para o São Paulo ser o Estado que mais acolhe pessoas de todas as regiões em busca de sonhos e realizações

ADAMO BAZANI/MARIO CUSTÓDIO

Quando se fala no Estado de São Paulo, logo se pensa no gigantismo de sua economia e acolhimento de milhões pessoas que vêm de diversas partes do País e do Mundo em busca de uma vida melhor e da realização de sonhos.

Esse crescimento econômico começou pelos trilhos e teve nos ônibus a resposta certa para sua velocidade.

Com a inauguração da linha férrea Santos- Jundiaí, em 16 de fevereiro de 1867, para facilitar a exportação do ouro negro paulista, o café, o Estado de São Paulo despertou a atenção do mundo.

O que era para fomentar o transporte de cargas acabou representando uma necessidade de transportes de passageiros. Inicialmente, as margens da ferrovia registraram expressivo adensamento populacional. Mas este contingente de trabalhadores foi se expandindo para regiões mais distantes. Os trilhos não poderiam alcançar todos os lugares. A resposta rápida veio pelos serviços de ônibus, que começaram com pequenos empreendedores, alguns dos quais que depois se tornariam gigantes do setor.

Já a partir dos anos da década de 1950, São Paulo teve outro crescimento urbanístico: desta vez em decorrência da indústria automotiva, o que atraiu mais gente e ampliou a necessidade de transportes. Nos anos de 1970, com essa indústria consolidada, torna-se evidente o crescimento da cadeia produtiva dos automóveis: as fabricantes de autopeças se concentram em regiões como capital e ABC, mas começam também a se expandir para outras áreas.

Mais uma vez, os ônibus entram em cena.

E é neste contexto que o pesquisador e consultor em transportes, Mario dos Santos Custódio, traz imagens inéditas a partir de 1975, de quatro regiões do Estado: Capital, Grande São Paulo, Litoral e Interior.

A variedade de modelos e empresas não só é um brinde às vistas de quem viveu àquelas épocas e um aprendizado para quem não estava lá ainda, como também mostra necessidade de transportes em momentos de crescimento.

E os ônibus são imponentes. Não pelo tamanho em si, muitos “convencionais” da época eram de porte semelhante dos “micrões” de hoje, mas, pela robustez que tinham para enfrentar ruas de terra e pouca infraestrutura, retrato de um Estado em transição, no qual grandes avenidas e centros comerciais e industriais ficavam a poucos metros (nem quilômetros) de vilas operárias ainda em formação.

Mario Custódio traz aos leitores do Diário do Transporte modelos, pinturas e empresas clássicas como Empresa de Ônibus Pássaro Marron, Empresa São Luiz Viação,  Samavisa – Santa Maria Viação, Viação Santos-Cubatão e Viação Cidade Verde.

Um dos destaques entre as fotos é ônibus modelo Alvorada, da Incasel (Indústria de Carrocerias Serrana Ltda), operando pela Samavisa.

Ao Diário do Transporte, o representante Comil (encarroçadora que teve origem na Incasel), Fermino Kozak, reconheceu o modelo pela foto e lembrou que o veículo foi contemporâneo nas ruas e rodovias a outros clássicos da marca como o Itamarati e Continental.

A Incasel foi fundada em junho de 1949 em Erechim (RS).

O Continental e o Belveder (apresentados no VII Salão do Automóvel de 1970), o micro-ônibus Pônei (1974), o Continental RT com piso e teto semielevados (1974), o Jumbo (1976), o Cisne (1978), o Minuano (1979), o Delta (1981) e o Columbia (1984) estão entre alguns dos modelos históricos da marca.

Após crises econômicas e queda de produção, a Incasel teve a falência decretada em 1984.

Em outubro de 1985, a empresa fabricante de silos e equipamentos agrícolas de Cascavel (PR), Comil, arrematou os bens e materiais de produção da Incasel.

Pouco mais de três meses depois, com a nova razão social Indústria de Carrocerias Erechim, voltou a produzir os modelos urbanos Cisne e Minuano e os rodoviários Continental, Jumbo, Delta e Columbia.

Em 1987, lançou um modelo inédito, o rodoviário Palladium 3.50.  A linha de rodoviários Condottiere, uma das mais famosas do início da Comil surgiu em 1988, junto com as novas instalações da empresa.

Somente em 1989 nasceria o primeiro urbano típico da marca Comil, o Svelto, substituindo o Cisne e o Minuano, e que, após diferentes versões, está em produção até hoje.

Fermino Kozak tem mais 50 anos no setor de ônibus e se lembra das vendas que fez para a Samavisa e outras empresas na Grande São Paulo.

“Uma das que tiveram maior frota da Incasel foi a Eroles, de Mogi das Cruzes”, lembra Fermino Kozak

Acompanhe o relato de Mario dos Santos Custódio.

Chegamos à Coluna 18 da História em Retratos no Diário do Transporte. E chegamos ao Estado de São Paulo, onde fotografo desde 1975.

Conquanto que na Coluna 17 apresentei fotos de ônibus do Rio de Janeiro emoldurados como se fossem cartões postais, como devem ter visto e apreciado, para esta Coluna 18 apresento cinco fotos (ainda inéditas), tiradas por mim nos anos das décadas de 1970 e 1980, além de uma de 2006, tendo em vista ser de uma empresa que, acredito, poucos devam ter conhecido, a Viação Cidade Verde (neste caso representada por seu veículo prefixo 303, um Busscar El Buss), fazendo a linha São Paulo – Embu Guaçu.

As demais fotos são de ônibus representando quatro regiões do Estado de São Paulo: capital, Grande São Paulo, interior e litoral.

Assim, além do ônibus da Viação Cidade Verde, escolhi fotos que realizei das seguintes empresas:

Empresa de Ônibus Pássaro Marron, com seu Caio Gabriela prefixo 203, imponente, fazendo a linha Caçapava – Taubaté (foto dos Anos 80, no interior);

Empresa São Luiz Viação, prefixo 16106, um Marcopolo Veneza, fazendo a linha Jardim das Rosas – Santo Amaro, em foto tomada na Estrada de Itapecerica; percebam também a Brasília que estava a passar logo atrás do ônibus, um automóvel muito bom para a época, utilizada em vários terrenos sem qualquer preocupação para seu motorista (foto dos anos de 1980, na capital);
Santa Maria Viação, prefixo 99, foto tomada em Mogi das Cruzes (anos de 1970, na Grande São Paulo); e a título de curiosidade histórica, antes de ser Santa Maria Viação, até 1970 a empresa se chamava Transportes Coletivos Santa Maria;

Viação Santos-Cubatão, representada aqui por seu Caio Gabriela prefixo 40 (foto dos da década de 1970, no litoral), empresa que operou em Cubatão e que tanto fazia linhas para Santos quanto ia até os bairros nas encostas e na serra, em várias linhas que serviam à população local.

Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Mario dos Santos Custódio, pesquisador e consultor em transportes

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Comentários

Comentários

  1. NILDA MARIA DO PRADO disse:

    Então, a primeira fotografia foi tirada na antiga rodoviária municipal de Biritiba Mirim-SP.

  2. vilmar ramos disse:

    excelentes registros de uma época áurea do transporte , nostalgia pura .

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