Secretário Nacional de Mobilidade se desliga após investigações do MPF e da PF

Pasta é responsável por fazer a gestão de contratos e financiamentos federais para sistemas de trens, metrôs e ônibus de alta capacidade, além de saneamento e urbanização; Tiago Pontes Queiroz é investigado por participar de esquema de corrupção quando estava no Ministério da Saúde

ADAMO BAZANI

O MDR (Ministério do Desenvolvimento Regional) confirmou na tarde desta sexta-feira, 08 de outubro de 2021, que Tiago Pontes Queiroz não é mais secretário Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano.

De acordo com o MDR, Queiroz pediu desligamento para se defender nas investigações do MPF (Ministério Público Federal) e da PF (Polícia Federal) que apuram um suposto esquema de corrupção no qual estaria envolvido em 2018 no Ministério da Saúde, ocasião em que ocupava o cargo de diretor de Logística. Segundo as suspeitas, o ex-secretário teria favorecido irregularmente a Global Gestão em Saúde, alvo atualmente das apurações da CPI da covid-19 que ocorre no Senado Federal.

O agora ex-secretário foi alvo em 21 de setembro de 2021 da Operação Pés de Barro, deflagrada pela Polícia Federal que investiga o cometimento dos supostos crimes na compra de medicamentos pelo Ministério da Saúde.

O Ministério Público Federal, no Distrito Federal, por sua vez, instaurou inquérito civil em junho de 2021 e investiga possível irregularidade na nomeação de Tiago Pontes Queiroz para o cargo de secretário Nacional de Mobilidade na gestão do presidente Jair Bolsonaro.

Já a CGU (Controladoria Geral da União) apura o sobrepreço de R$ 142 milhões na compra de tratores e máquinas agrícolas com recursos do Orçamento Secreto pela secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano já sob a gestão de Queiroz.  O escândalo ficou conhecido como “tratoraço” Também são suspeitos de sobrepreço mais de 115 convênios na mesma gestão, ainda de acordo com a CGU.

Em outro processo, Tiago Queiróz foi acusado de falsificação de documentos e estelionato na venda de um terreno para um empresário em Jaboatão dos Guararapes (PE), que pagou como entrada R$ 1,3 milhão pelo imóvel. O ex-secretário, para escapar de uma condenação, confessou que falsificou juntamente com um sócio as assinaturas dos verdadeiros donos dos terrenos. O comprador foi ressarcido.

A Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano trabalha com um orçamento anual em torno de R$ 6 bilhões.

A pasta é responsável por fazer a gestão de contratos e financiamentos federais para sistemas de trens, metrôs e ônibus de alta capacidade, além de saneamento e urbanização, entre outras intervenções.

A Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano é resultado da fusão das antigas Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano e Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos.

Segundo o próprio MDR, a secretaria é responsável atualmente pela gestão de mais de 50% do total de contratos do ministério e por aproximadamente 25% do valor total de investimentos que envolvem mais de 75% dos municípios brasileiros.

Tiago Pontes Queiroz assumiu o cargo de Secretário Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano em maio de 2020, após a aproximação do governo Jair Bolsonaro com o chamado Centrão, mas seu trânsito pelo Governo Federal parece ser apartidário.

Quando Michel Temer (MDB) foi presidente, Queiroz passou a atuar no Ministério da Saúde, na ocasião comandado por Ricardo Barros (PP-PR), atual líder do governo Bolsonaro na Câmara.

No governo Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016, foi gerente Regional de Administração e Finanças da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) de Recife.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Eleito com a promessa de romper de vez e pra sempre com esse sistema criminoso e ilegal….Pois sim…o Bozogado está é fazendo e repetindo o jogo sujo e imundo do sistemehedhy@,isso sim.Só rompendo de vez com esse universo morto e acabado e aceitando que acabou e deu.Falência moral generalizada.

Deixe uma resposta