Uber anuncia a criação de Fundo de Pensão para seus motoristas no Reino Unido, e arcará com dívidas trabalhistas retroativas a 2017

Plataforma de tecnologia deverá garantir a seus 70.000 colaboradores um salário-mínimo por hora, férias e pensões

ALEXANDRE PELEGI

Se no Brasil e outros países os motoristas de aplicativos de transporte atuam sem nenhuma proteção legal, e precisam arcar com todos os custos e riscos do negócio, no Reino Unido a justiça vê a coisa de forma diferente.

Uma decisão da Suprema Corte em março de 2021 definiu que há, sim, uma relação de emprego entre condutores do Uber, o que implica que a empresa de tecnologia deverá garantir a seus 70.000 colaboradores um salário-mínimo por hora, férias e um fundo de aposentadoria.

Assim como no Brasil, lá no Reino Unido a Uber já havia classificado os motoristas como “empreiteiros autônomos independentes”, com poucos direitos.

Agora, após a decisão da Suprema Corte, a multinacional terá de desembolsar milhões de libras em pagamentos relativos à pensão dos motoristas do Reino Unido desde 2017. O acordo foi feito com o órgão de fiscalização de poupança para aposentadoria.

O Uber já anunciou que seus motoristas serão inscritos automaticamente em um esquema previdenciário para o qual contribuirão com 3% dos ganhos para a criação de um fundo de pensão. Os motoristas podem optar por contribuir ou não.

Além do fundo de pensão, os condutores da Uber receberão pagamentos retroativos desde 1º de maio de 2017 ou da data de sua primeira viagem, caso tenham se inscrito na plataforma recentemente.

O esquema do fundo de pensão será da NOW: Pensions e gerenciado pela Adecco. Para não arcar sozinho com o prejuízo, a multinacional chamou operadoras rivais para ajudá-la a criar um esquema intersetorial para que os motoristas que trabalharam em vários aplicativos sejam beneficiados.

Jamie Heywood, gerente geral regional do Uber para o norte e leste da Europa, disse em entrevista ao jornal The Guardian que quer garantir que todos os motoristas qualificados possam se beneficiar, “não importa com quem trabalhem”, disse. Ele afirmou ter convidado operadoras como Bolt e Addison Lee e Ola para criar um esquema de pensões intersetorial.

O sindicalista Mick Rix, oficial nacional do sindicato GMB, que reúne mais de 620.000 membros, representando motoristas, entregadores, funcionários do governo e outros, disse que o esquema de aposentadoria do Uber é “um grande passo na direção certa e sem dúvida ajudará milhares de motoristas quando eles atingirem a idade de aposentadoria”.

No entanto, outros sindicalistas criticam o tempo de espera do Uber, que continua a ser uma grande fonte de descontentamento para a força de trabalho. Em função disso, uma corrente de trabalhadores do Uber vai realizar uma greve de motoristas do Uber 24 horas por dia em oito cidades do Reino Unido no próximo dia 28 de setembro.

A Uber calcula em US$ 600 milhões (R$ 3,23 bilhões) o total de despesas relacionadas à decisão em seus resultados financeiros neste mês.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Waldemar Araujo disse:

    Certíssimo! Aqui deveria ser assim com os motoristas de aplicativo e com os que trabalham em empresas de taxi

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