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ENTREVISTA: Trans-Bus, no ABC, anuncia intenção de encerramento de atividades, diz Sindicato

Empresa de ônibus fundada em 1964 é uma das mais tradicionais do ABC Paulista; Assembleia no Sintetra vai discutir futuro funcionários

ADAMO BAZANI

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A Trans-Bus Transportes Coletivos, uma das mais tradicionais empresas de ônibus do ABC Paulista deve encerrar as atividades.

A informação é do presidente do Sintetra, sindicato que representa os trabalhadores em transportes coletivos na região, Leandro Mendes da Silva, em entrevista ao Diário do Transporte na tarde desta terça-feira, 21 de setembro de 2021.

Nesta quarta-feira (22), duas assembleais no sindicato vão discutir os direitos e futuro dos trabalhadores. As assembleias vão ocorrer às 9h e às 16h, na sede do Sintetra, na Rua Santo André, 435, Vila Assunção, em Santo André.

Leandro Mendes da Silva disse que a empresa sempre foi idônea e que os trabalhadores nunca haviam enfrentado grandes problemas com a Trans-Bus, mas que recentemente, por causa da crise gerada pela pandemia de covid-19 que impactou na demanda de passageiros, começaram a ocorrer alguns atrasos nos depósitos.

Segundo o sindicalista, na segunda-feira (21), um dos proprietários da empresa, Luiz Fernando Flogli, relatou que mesmo com a retomada das atividades econômicas, a demanda de passageiros da Trans-Bus ainda está em 65% do que era transportado antes da pandemia.

Segundo Leandro Mendes da Silva, a empresa não quer sair sem honrar os débitos trabalhistas e uma proposta de pagamento será enviada à categoria.

“Na segunda-feira, ele anunciou que está parando com o transporte, que vai fechar as portas e que não aguenta mais. Ele relatou que está vendendo patrimônios para por na empresa, mas que será impossível continuar assim” – disse Leandro.

Além do pagamento de verbas e direitos trabalhistas, o sindicalista disse que a grande preocupação dos trabalhadores é quanto a permanecerem no sistema.

“A gente precisa colocar os funcionários dele para trabalhar. Não sabemos se vai entrar outra empresa, a gente imagina que seja a Next [Mobilidade], só que ela não tem compromisso com os funcionários. O compromisso de pagar é da Trans-Bus” – afirmou.

A Next Mobilidade é uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) criada no âmbito da reformulação dos transportes no ABC gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), prevista no aditivo de R$ 22,6 bilhões do contrato de 1997 da Metra pelo Corredor ABD de ônibus e trólebus. O contrato foi prolongado por 25 anos e, como contrapartida, a SPE terá de construir um BRT de ônibus elétricos, modernizar o corredor de trólebus e operar as 97 linhas remanescentes da antiga Área 5 da EMTU. O processo se assunção das linhas vai até março de 2022.

O contrato não prevê que a Next Mobilidade assuma passivos trabalhistas ou mesmo contratações referentes às outras empresas.

“Queremos que ao menos 80% dos trabalhadores sejam absorvidos no sistema aqui no ABC. Creio que isso conseguimos” – disse Leandro.

O Diário do Transporte procurou a Trans-Bus por telefone, mas foi informado na garagem que os responsáveis pela empresa que poderiam comentar já tinham ido embora.

Por e-mail, a reportagem também entrou em contato com a diretoria e aguarda retorno.

A Trans-Bus foi criada por Luiz Fogli, em 16 de abril de 1964, e atualmente opera linhas metropolitanas gerenciadas pela EMTU no ABC.

Apesar de todas as discussões a respeito do futuro da empresa, as linhas continuam sendo operadas normalmente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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