BRT Cuiabá-Várzea Grande vai aproveitar estruturas do VLT e “economizar” R$ 300 milhões, diz gestão Mauro Mendes

Apresentação de anteprojeto em audiência na Câmara de Várzea Grande

Projeto prevê a implantação de 49,2 quilômetros de faixas dedicadas à circulação do BRT e com cinco linhas-eixos

ADAMO BAZANI

O governo do Mato Grosso garantiu emm audiência pública na tarde desta sexta-feira, 17 de setembro de 2021, na Câmara Municipal de Várzea Grande, que o BRT (Bus Rapid Transit) entre Várzea Grande e Cuiabá vai aproveitar estruturas do VLT e “economizar” R$ 300 milhões.

O encontro faz parte das apresentações do anteprojeto do sistema de ônibus elétricos em corredores que vai ligar as duas cidades em Mato Grosso.

A gestão calcula que a execução das obras, somada à aquisição da frota de ônibus, deverá demandar do Governo do Estado um investimento de aproximadamente R$ 622 milhões, o que representa uma economia de R$ 300 milhões quando comparada ao aporte necessário para a continuidade do projeto do VLT, na ordem de R$ 921 milhões, considerando as atualizações do projeto do modal ferroviário.

Uma ligação metropolitana entre os dois polos deveria ter ficado pronta para a Copa de 2014. O projeto inicial era um BRT, que depois foi mudado para VLT, o que foi alvo de investigações por parte da Polícia Federal e Ministério Público Federal que apontaram indícios de fraudes para a escolha do VLT, um meio de transporte mais caro. As investigações foram realizadas no âmbito da Operação Descarrilho que verificou favorecimento ilícito de gestores públicos e empresas para que o BRT fosse abandonado e o VLT fosse escolhido. (Veja histórico mais abaixo)

Em 2020, a gestão atual do governador Mauro Mendes optou por voltar ao projeto de BRT com a exigência de ônibus elétricos.

Na audiência, o secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Rafael Detoni, explicou que para a retomada do VLT, seriam gastos quase R$ 1 bilhão.

“Precisamos comparar os iguais. Em 2019 foi calculado que precisaríamos de R$ 763 milhões para concluir a obra do VLT. Mas quando ajustamos esse valor para a data base de janeiro de 2021, o desembolso vai para R$ 837 milhões. Mas o projeto do BRT atende os centros de Cuiabá e Várzea Grande. Se levarmos em consideração essa infraestrutura, que gerou um acréscimo de extensão de 10% em relação ao que tinha no VLT, seria necessário um aporte de R$ 921 milhões para execução das obras do VLT na mesma extensão proposta para o BRT”, disse o adjunto, por meio de nota.

Segundo o governo do Estado, o anteprojeto do BRT prevê a implantação de 49,2 quilômetros de faixas dedicadas à circulação do BRT, cinco linhas-eixos, os terminais André Maggi, em Várzea Grande, e os terminais CPA e Coxipó, em Cuiabá, e 46 estações na Região Metropolitana de Cuiabá. As cinco linhas do BRT serão: BRT 1 Terminal CPA – Terminal André Maggi, BRT 2 Terminal CPA – Área Central de Cuiabá, BRT 3 Terminal André Maggi – Área Central de Cuiabá, BRT 4 Terminal Coxipó – Área Central de Cuiabá e BRT 5 Terminal Coxipó – Área Central de Cuiabá (semi-expressa).

Operação Descarrilho:

Em agosto de 2017, a operação “Descarrilho”, da Polícia Federal, revelou esquemas de corrupção no processo licitatório e implantação da obra do VLT.

Com isso, o governador Pedro Taques decidiu rescindir o contrato com o Consórcio VLT-Cuiabá/Várzea Grande, formado pela CR Almeida, CAF, Santa Barbara e Magna.

Antes da operação da Polícia Federal, Taques chegou a cogitar o pagamento de R$ 922 milhões para o consórcio retomar as obras.

De acordo com a Polícia Federal, ocorreu um superfaturamento superior a R$ 120 milhões para a compra dos trens, fruto do RDC – Regime Diferenciado de Contratações, que tem regras mais “flexíveis” que as previstas pela “lei de licitações” 8666/93. O RDC foi usado em várias obras para a Copa em diversas partes do país.

No dia 06 de junho de 2019, em segunda instância, o TJMT – Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou recurso contra a rescisão do contrato, movido pelo consórcio da CR Almeida, CAF, Santa Barbara e Magna.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta