Ações de Bolsa de empresas ligadas ao setor de transportes podem ser boa pedida para quem não tem pressa

Tanto os segmentos de cargas como de passageiros apostam em recuperação depois da crise da pandemia de covid-19, mas quem não está familiarizado deve ter muita cautela

ADAMO BAZANI

Quem está pensando em não perder muito para a inflação, que está em tendência de alta obrigando, inclusive, o Comitê de Política Monetária (Copom) ter aumentado a taxa básica de juros (Selic) para 5,25% na última quarta-feira, 04 de agosto de 2021, pode pensar em mercado acionário, desde que tenha a consciência dos riscos e de que nem sempre os ganhos são imediatos.

Um dos setores que estão entre os que mais sentiram o baque na economia provocado pela covid-19 são o de transportes, seja de cargas e, principalmente, o de passageiros.

Por causa da perspectiva de recuperação, já que o pico da queda parece ter passado, ações de empresas ligadas direta ou indiretamente podem ser boas pedidas, mas é necessário não ter pressa.

No caso, por exemplo, de ônibus, trens e metrôs no pico das medidas de restrição à circulação de pessoas para evitar a propagação do novo coronavírus, a demanda caiu em até 80%.

Atualmente, a quantidade de passageiros ainda está mais baixa que antes da pandemia, mas já está havendo alguma recuperação, mesmo que lenta.

De acordo com a mais recente Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada em 13 de julho de 2021, o segmento de transporte terrestre acumula alta de 12,4% entre janeiro e maio de 2021, mas no acumulado dos últimos 12 meses, a queda é de 2,2%.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/07/13/ibge-setor-de-transportes-terrestres-registra-alta-acumulada-no-ano-de-124-e-turismo-teve-crescimento-de-233/

Para quem quer investir, é um bom sinal, porque há estimativa de crescimento e valorização em médio ou longo prazos para das ações.

De acordo com especialistas no mercado financeiro consultados pelo Diário do Transporte, a vantagem é que os preços de muitas destas ações estão menores. Assim, com valores não muito altos é possível comprar uma quantidade razoável de ações.

A esperada retomada da economia vai gerar uma movimentação maior de cargas e de passageiros.

Com isso, a receita das empresas de transportes deve aumentar.

Há diferentes companhias de mercado aberto, ou seja, que comercializam ações na Bolsa de Valores, que vão desde concessões de rodovias, ferrovias de carga, transporte urbano e metropolitano, logística até produção de carrocerias de ônibus.

Exemplos destas companhias estão a EcoRodovias, CCR, Rumo Logística, Marcopolo, entre outras.

E não se assuste se, entre uma semana ou outra, algumas destas empresas teve forte queda já que oscilações são normais. O importante é pesquisar o mercado onde atuam, as perspectivas e os contextos atuais de cada uma das empresas que potencialmente podem ter as ações compradas.

Veja algumas dicas importantes para quem não tem experiência em mercado acionário, mas pensa em investir:

– Nunca invista toda sua reserva. Use apenas uma parcela que você sabe que não vai fazer tanta falta agora. Deixe ainda uma residual em alguma outra aplicação que você possa resgatar (tirar o dinheiro) de forma rápida e sem tanto custo em caso de emergência.

– Saiba que mercado acionário tem riscos e fortes oscilações; assim preferencialmente espere um retorno somente em médio ou longo prazos.

– Há tributações e taxas de administrações que podem ser mais altas que em aplicações mais conservadoras.

– Qualquer pessoa pode sozinha comprar ações, mas o melhor é a escolha de uma corretora que disponibilize algum profissional que te oriente. Muitos bancos “comuns”, chamados de bancos de varejo, têm analistas de investimentos, tipo Santander, Itaú, Bradesco, etc. Procurar um analista do banco onde você tem conta pode ser algo interessante.

– Nada de exaltações. O “risco” e a sensação de se tornar sócio de uma empresa, que na verdade é o que ocorre na prática, podem trazer sedução. Mas mercado acionário não pode se tornar um vício. Uma vez compradas determinadas ações, espere.

– No mercado financeiro, não existem milagres e mágicas. Não tenha a ilusão que você vai ficar rico porque comprou ações. O que pode acontecer, se você tomar as cautelas necessárias e for bem orientado, é você conseguir um ganho maior que em outras aplicações.

– Quem não é familiarizado em mercado financeiro não pode pensar em “ganhar a vida” comprando ou vendendo ações. O que vai acontecer é uma forma de você poder ter um retorno maior sobre o que conseguiu guardar.

– Procure saber do contexto atual da empresa que você escolher, seu lucro e seu nível de endividamento. Às vezes a empresa está lucrando, mas é muito endividada. Mesmo não sendo uma regra, o recomendável é que o endividamento seja menor que os ativos que essa empresa tem.

– Procure saber do contexto do segmento que essa empresa atua; como se vai ter crescimento, quais as perspectivas em curto, médio e longo prazos.

– Uma coisa interessante de saber é o P/L, que mede a relação entre o preço atual de uma ação e o lucro por ação acumulado nos últimos 12 meses. Em outras palavras, o tempo que você terá de retorno do que investiu. Quanto maior for o P/L da companhia, maior será a disposição do mercado em pagar pelos lucros dessa empresa. Um P/L elevado também pode significar que o mercado tem expectativas altas para o papel.  Já um P/L baixo pode mostrar que o mercado não está tão confiante em relação as ações da empresa, mas, também pode indicar que aquela ação pode ser uma boa oportunidade e que ainda não foi percebida pelo mercado.

– Ações não são mercados de apostas ao acaso, trabalham com perspectivas e análises. Mas saiba que: 1) as análises podem falhar; 2) podem ocorrer imprevistos com a empresa, com a economia ou de outras áreas que interferem na economia – a pandemia foi um dos maiores exemplos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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