História

Dia do Motorista: Profissional do volante faz vídeos em homenagem aos colegas; Empresas também com iniciativas

Hugo Romano na garagem da empresa onde trabalha em São Bernardo do Campo (SP)

Hugo Romano conta que ideia surgiu de uma brincadeira na internet somada à paixão pelo setor de transportes

ADAMO BAZANI

O Dia do Motorista é uma oportunidade de homenagear os profissionais que diariamente enfrentam a chuva, o sol, a poeira, os perigos das cidades e rodovias em prol do desenvolvimento e que se empenham em prestar um serviço essencial para transportar riquezas, oportunidades de uma vida melhor, histórias e possibilitar o acesso aos direitos básicos do cidadão, como saúde, educação, trabalho e renda, lazer, entre outros.

Seja num ônibus com dezenas ou até centenas de vidas; num caminhão com toneladas de produtos; em vans, carros de aplicativo, táxis, ambulâncias, viaturas de socorro, guinchos, na coleta de lixo, no serviço funerário, na construção civil, etc; o verdadeiro motorista não é apenas aquele que opera bem uma máquina, mas sim o profissional que se dedica, atende às pessoas com carinho e ama o que faz.

No Dia do Motorista, diversas empresas fazem homenagens aos seus colaboradores, mas desta vez, o Diário do Transporte destaca uma iniciativa espontânea de um motorista de ônibus no ABC Paulista que, por meio de vídeos, decidiu homenagear seus colegas.

Hugo Romano, de 40 anos, motorista da empresa de transportes municipais de São Bernardo do Campo, BR7 Mobilidade, um apaixonado pelo que faz, decidiu neste ano de 2021 expressar gratidão à sua profissão e também aos colegas de diversas empresas de uma maneira diferente.

Romano conta que a ideia surgiu de uma brincadeira com colegas na internet ainda em 2019.

Já sabendo mexer em um programa de computador que transforma fotos em desenhos, o motorista escolheu trilhas musicais relacionadas ao dia-a-dia de quem atua ao volante e cobriu o áudio com as imagens; sempre formadas pelos rostos dos colegas e os logotipos das empresas onde trabalham, como contou ao Diário do Transporte.

Abaixo os dois vídeos, com direito ao som do motor do ônibus ligando para iniciar a viagem musical e, logo em seguida, a entrevista com Hugo Romano.

Como surgiu a ideia do vídeo?

A ideia surgiu em 2019, quando já antes do Dia do Motorista, resolvi postar uma foto como o meu sósia e hoje meu amigo, Thony Morenno, que na época era motorista da Viação Cometa e que atualmente está na Real Expresso. No ano anterior, compartilhei um vídeo de um motorista com sua esposa e sua “Pé de Cabra” (gíria de motorista de ônibus para designar a amante), na maior confusão. Foi sucesso com mais de 5 mil curtidas e 13 mil visualizações, daí então, resolvi postar fotos minhas junto com os colegas. Eu iria criar um álbum no Facebook só com eles, mas aí pensei; “Porque não fazer um vídeo?”, e então criei.

Como foi a escolha das músicas?

As músicas escolhi por serem temáticas de transporte e viagem, é o que o motorista de ônibus faz no seu cotidiano, não importando a distância, se é urbano, turismo ou rodoviário, todos têm uma viagem para cumprir, então pesquisei várias músicas que se encaixam com a proposta dos vídeos.

Como foi o trabalho de produção?

Este ano já comecei a editar no final de fevereiro, baixei um aplicativo que converte fotos em charge ou desenho, fiz uma seleção aleatória de 200 colegas que tenho no Facebook, dos quais 30% são da empresa onde trabalho, converti as fotos dos mesmos, coloquei o nome e a empresa onde atuam. Para aqueles que são autônomos, coloquei uma figura de ônibus; foi correria, porque tive que calcular o tempo de cada foto com o tempo da música, fui fazendo mudanças durante esse período, porque tinha colegas que mudavam de empresas. Assistia várias vezes os vídeos para ver se não tinha erro, e são dois vídeos esse ano, pois não couberam todos em um só.

Como foi a participação dos seus colegas?

Sobre a participação eu espero que eles gostem, na verdade é uma surpresa, vai ter colega que vai ficar chateado por não ter sido selecionado, peço até desculpas, se tivesse mais tempo eu faria mais vídeos, ainda consegui colocar 200 que foi uma boa quantidade, fiz um terceiro vídeo para os colegas que foram para o caminhão. Espero que todos gostem.

E com essa iniciativa de Hugo Romano, de motorista para motorista, o Diário do Transporte parabeniza estes profissionais que estão no dia a dia levando progresso e que precisam ser mais valorizados pela sociedade como um todo.

Parabéns a todos os motoristas, independentemente do tipo de veículo e região onde atuam

HOMENAGENS DAS EMPRESAS:

O Grupo Leblon Transporte do Paraná, que reúne as empresas Leblon Transporte, Viação Nobel e Expresso São Bento, teve uma ideia neste ano de 2021 diferente para as companhias.

Filhos de motoristas gravaram vídeos curtos falando do trabalho e homenageando os pais e mães que trabalham conduzindo os ônibus.

O filho do motorista Vander reconhece a importância dos profissionais do volante no enfrentamento à pandemia

A Juliana, filha do motorista Cláudio José Borato, que dá os parabéns a estes guerreiros dos volantes

 

O Antônio Marcos, filho da motorista Carina, manda um abraço. Ele “trabalhou” com a mãe, ainda na barriga, que grávida dele, até oito meses de gestação, ficou à frente do comando dos ônibus.


 

A Transportes Flores, empresa que atende a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, enaltece a dedicação e o trabalho dos profissionais do transporte público urbano.

No dia 21 de julho, a empresa espalhou uma corrente do bem, convocando os passageiros para aplaudirem os motoristas de ônibus que diariamente transportam todos com segurança.

Uma equipe da empresa circulou pelos ônibus da Flores motivando o gesto de valorização e agradecimento pelo trabalho dos rodoviários e dos 2.340 colaboradores da empresa, que foram incansáveis durante a pandemia de Covid-19.  Nas redes, a ação #OrgulhodeSerRodoviario também movimentou o Instagram e Facebook da empresa: os colaboradores trocaram as fotos de perfil com a moldura da campanha.

Mas a empresa fez questão de ressaltar que não só de motoristas e cobradores a classe dos rodoviários é representada. Uma grande equipe atua nos bastidores da operação do transporte público urbano e que, mesmo durante a pandemia, continuaram o trabalho e a rotina. É o caso do mecânico Luiz Francisco do Nascimento, há 27 anos na empresa.

 


VLT da Baixada Santista aproveita Dia dos Motoristas para destaca suas oito mulheres condutoras

Gerenciado pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo na Baixada Santista, o VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos conta com 1/3 de sua equipe de condutores formada por mulheres, responsáveis pelo transporte diário de milhares de passageiros.

A Empresa aproveitou a deixa do ‘Dia do Motorista’ para destacar a atuação do time feminino de condutores do VLT na Região Metropolitana da Baixada Santista.

São 24 profissionais que conduzem o VLT, dos quais oito são mulheres, que diariamente trabalham para transportar milhares de passageiros.

Em operação desde 2016, o sistema operado pelo Consórcio BR Mobilidade e gerenciado pela EMTU liga Santos a São Vicente ao longo de 15 estações e 11,5 km de extensão de via.

Jayris Rodrigues de Sousa condutora do VLT da Baixada Santista / EMTU

Jayris Rodrigues de Sousa, 26 anos, foi motivada pelo pai e irmão, ambos motoristas de ônibus, a seguir a profissão. Ela atua há dois anos no VLT, e ingressou na área como motorista de microônibus. “Meu pai e irmão sempre me incentivaram a seguir esse sonho. Quando a oportunidade do VLT surgiu, foi uma surpresa e superou todas as minhas expectativas. Eles me deram forças para ir em frente e falaram que eu não iria me arrepender. E tinham razão“, conta Jayris.

Outros depoimentos de mulheres condutoras do VLT:

Hellen Camargo Neves – para ela, os princípios básicos para conduzir o VLT são cuidado e atenção. “Usamos a direção defensiva, dirigindo por nós e pelos outros. Assim garantimos a segurança de quem está dentro e de quem está fora do VLT. A atenção é a principal base do nosso trabalho no dia a dia“, explica a condutora, que está à frente do VLT há cinco anos, desde o início da operação. Segundo ela, a profissão era uma ideia distante e acreditava ser muito difícil alcançar. “Eu achava que não seria possível conseguir, por ser uma função com poucas mulheres, mas estamos aí para provar o contrário. Tenho muito orgulho do que faço“, comemora Hellen.

Rachel do Nascimento Santos – Quando trabalhava em uma padaria no Rio de Janeiro, não imaginava um dia ser condutora do VLT. Um dos clientes deu a ela a ideia de buscar emprego de cobradora de ônibus. “Gostei da sugestão e fui atrás. Eu já tinha habilitação para carro e fui aprovada em uma empresa para ser cobradora. Acabei fazendo simultaneamente um treinamento para motorista de ônibus e mudei minha categoria da habilitação de B para D. Após 8 anos como motorista de ônibus no RJ, precisei me mudar para São Paulo e enviei meu currículo para participar de um processo seletivo. Após algum tempo, me ligaram avisando que meu perfil tinha sido selecionado para o VLT. No fim, foi muito melhor do que eu esperava“, relata. Mãe de quatro meninas, ela diz que as filhas têm muito orgulho da sua profissão. “A caçula, de 9 anos, já me viu trabalhar e hoje diz para todos que quando crescer quer ser condutora do VLT’’ conta Rachel, completando que dará total apoio à filha.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 

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  1. Se for pesquisar acredito que o primeiro da lista do O QUE VC VAI SER QUANDO CRESCER?? é ser motorista, seja lá qual for. Motoristas que levam e trazem alimentos, vidas. Mas é sem dúvida nenhuma prá mim o condutor de Onibus. São eles que levam vidas pra produzir/trabalhar/lazer em todo Brasil. Sou fã demais deles, e tenho história. Eu era menino 12 anos e já andava sózinho entre cidades, morando em Santo André ABC especialmente na Vila Linda perto da rua principal Hortensias onde passavam os coletivos que iam pro centro da cidade e aos poucos se transformava tudo, lá em meados de 60 da Estoril depois Esplanada começo anos 70, com os famosos monoblocos da MBB-0362 que apelidamos de zebrinha. Amavam sentar bem perto deles naquele banco lateral de 3 lugares , vê-lo trocar marchas (a gente brincava na rua de onibus virtual), e as trocas de marchas, torcia para que ele ultrapassasse e isso era uma felicidade sem igual..Foram 3 anos seguidos subindo descendo nas viagens entre Jardim do Estádio ao Parque Dom Pedro II e vice versa, para ver minha mãe, até 74. Hoje me sinto um busólogo roxo e reverencio à Todos aqueles que primam pela profissão, e parabenizo,,,e tenho respeito. E gente: sejam respeitosos sempre, e pro fim agradecer sempre,,,Uma dica legal, dê sinal com polegar de POSITIVO e vc verá o que acontece…

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