Eletromobilidade

ENTREVISTA: Serviço 710 da CPTM completa dois meses de operação com 165 mil passageiros por dia que não precisam fazer mais troca de trens entre as linhas 7 e 10

De acordo com gerente geral de Operação da CPTM, Vagner Rodrigues, tempo de deslocamentos dos passageiros que antes precisavam troca de trens caiu entre oito e dez minutos

ADAMO BAZANI

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Com pouco mais de dois meses de operação, o serviço 710 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) tem permitido que aproximadamente 165 mil passageiros deixem de fazer baldeação entre as linhas 7 Rubi e 10 Turquesa.

O número representa em torno de 30% de todos os passageiros atendidos pelas duas linhas.

A estação Brás, que era o extremo das duas linhas, passou a ser uma das 31 estações do serviço, desde 04 de maio de 2021, quando começou a operação.

O gerente geral de Operação da CPTM, Vagner Rodrigues, disse em entrevista ao Diário do Transporte que a maior parte da demanda no serviço está entre as estações Mauá (linha 10) e Francisco Morato (linha 7), que conta com uma operação intermediária nos horários de maior movimento.

“O fluxo maior está entre as estações Mauá e Francisco Morato. Tanto é que nos horários de pico, nós temos um looping interno que faz este trecho. Quanto mais central, maior é o movimento.” – disse

Mesmo com o looping nos horários de pico, continua operando o semi-expresso da Linha 10 Turquesa, que liga Santo André a Tamanduateí, com parada em São Caetano do Sul no pico da manhã e entre Tamanduateí e Santo André, com parada em São Caetano do Sul no pico da tarde.

Rodrigues disse ainda ao Diário do Transporte, que a CPTM tem analisado o comportamento da demanda para medidas que possam dinamizar o serviço da 710.

“A gente sempre procura otimizar o nosso serviço e melhorar a nossa oferta para a maioria dos passageiros. Nós temos vários trabalhos sendo desenvolvidos neste sentido: melhoria da via para diminuir alguma cautela em determinado trecho, diminuição do tempo de manobra nas estações-terminais. São vários trabalhos que temos de desenvolver tecnicamente para surtir este efeito. A coisa é muito dinâmica e estamos sempre estudando alternativas para aumentar o conforto dos passageiros” – disse

O trajeto completo do Serviço 710 é feito em torno de  duas horas e dez minutos e, segundo o gerente geral de operação da CPTM, o passageiro tem ganhado entre oito e dez minutos de tempo de deslocamento em cada sentido por não ter de precisar trocar de trem.

MAQUINISTAS E TRENS:

Uma curiosidade que muitas pessoas têm é: o mesmo maquinista opera todo o trecho, entre Rio Grande da Serra e Jundiaí, em mais de duas horas de viagem?

A resposta é não.

Segundo Vagner Rodrigues, a rotina é que seja realizada a troca dos maquinistas na estação da Luz, na região central de São Paulo.

Entretanto, todos os maquinistas receberam uma reciclagem para operar os dois trechos, tanto da linha 7 como da linha 10.

O treinamento foi necessário porque além de cada linha ter suas características próprias, são empregadas série de trens diferentes em todo o serviço. Antes, as linhas 7 e 10 tinham frotas próprias.

Com o serviço 710, uma frota que só circulava no trecho da linha 7 passou a trafegar também nos trilhos da linha 10 e vice-e-versa.

Rodrigues disse ao Diário do Transporte que, assim como os carros, ônibus e caminhões, pode haver algumas diferenças entre os modelos de trens.

“Não mudam muito, mas, por exemplo, o posicionamento dos botões, dos comandos do painel às vezes tem alguma diferença. As funções basicamente são as mesmas, pode mudar mais mesmo quanto a posicionamento e a forma de atuar, detalhes, mas tem diferença. Como um automóvel, de um fabricante para o outro tem alguma diferença, mas as funções são as mesmas” – disse complementando ainda que teve retorno positivo de maquinistas que ficaram empolgados por operarem em trechos diferentes dos que faziam todos dos dias.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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