Empresa argentina busca parceiros para entrar no mercado de trilhos do Brasil

Copimex é referência em obras e manutenções de vias férreas e busca desenvolvedor de área para operar em todo o país

ALEXANDRE PELEGI

A empresa argentina Copimex, desde 1947 referência naquele país em obras e manutenções de vias férreas, divulgou comunicado ao mercado anunciando projeto para iniciar sua atuação no Brasil.

O CEO da companhia, Victorio Barra, informa que o plano da empresa inclui a conquista de um ou mais parceiros para tocar o negócio em solo brasileiro.

Segundo o comunicado, Barra contratou a consultoria Global Franchise Consulting, capitaneada por Paulo Cesar Mauro, executivo com vasto histórico de sucesso em concretizar a vinda de empresas estrangeiras ao Brasil.

Caberá à Global Franchise intermediar as negociações com interessados em assumir a operação no Brasil.

Presente no mercado desde 1987, a Global desenvolveu mais de 400 projetos no Brasil e no exterior, contribuindo para o crescimento do sistema de franchising na América do Sul.

Paulo Cesar Mauro, fundador da consultoria, conta que a Copimex busca um desenvolvedor de área para operar em todo o país, “executando serviços de implementação de novas redes ferroviárias públicas e privadas, incluindo transportes de cargas, passageiros, metrô e ramais para empresas”.

Além disso, ele complementa, a empresa fornece know-how para que se possa fazer manutenção e atualização destas malhas, aproveitando os grandes investimentos os quais o país está projetando para a malha ferroviária, metroviária, de portos e de logística.

O fundador da consultoria que negocia a busca de negócios no Brasil para a Copimex afirma estar aberto a conversas com potenciais parceiros, “que podem ser empresas que já atuem com obras públicas e que queiram diversificar a atuação, ou, ainda, uma construtora, de médio ou grande porte, que queira também se diversificar. Outra possibilidade aberta é atrair empresas e indivíduos investidores de outras áreas que desejam aproveitar o novo momento de oportunidades”, explica o consultor.

A Copimex não descarta uma joint venture com um grupo local que esteja interessado. Para isso, a empresa ou investidor precisará ter uma disponibilidade de capital próprio ou de bancos na ordem mínima de 5 milhões de dólares.

A disponibilidade imediata é de 1 milhão de dólares, explica Paulo Cesar Mauro, necessária para ser direcionada à taxa de concessão, semelhante a uma taxa de franquia. Além disso, o valor inclui a estruturação do escritório e de uma oficina básica.

No comunicado ao mercado, a Copimex justifica o principal motivo que a levou a vislumbrar sua atuação no país. “Existe uma expectativa da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) de que haja um aumento da participação do modal ferroviário de 15% para 31% do transporte feito no país”, conta Mauro, que faz questão de reforçar os benefícios do desenvolvimento das ferrovias no Brasil. “É inegável que teríamos menos poluição, fretes mais baratos e muito menos acidentes”, destaca.

Durante anos o principal modal de transporte no Brasil, há cerca de 60 anos a participação da malha ferroviária brasileira vem perdendo força para o transporte por rodovias e o aéreo.

A Copimex aposta que o Marco Regulatório das Ferrovias, projeto de lei que tramita desde 2018 (PLS 261/2018), deva ser concluído nos próximos meses com a aprovação no Congresso.

Trata-se do novo regime de operação de ferrovias no Brasil, que daria sequência ao plano de privatização das ferrovias, passo importante para ampliar a malha no país e também para a criar uma infraestrutura melhor para a logística. “Esse novo marco para ferrovias promete destravar cerca de 30 bilhões de reais em investimentos”, conclui o comunicado.

O QUE DIZ O MARCO REGULATÓRIO

As ferrovias, hoje de domínio público, só podem ser operadas por parceiro privado em regimes de concessão ou permissão, via licitação, para construção e exploração de trechos.

O novo regime diz que o poder público (União, estados e municípios) não precisará fazer processo licitatório para decidir quem vai operar um trecho ferroviário. Com o novo marco regulatório o investidor interessado pode procurar o governo com um projeto para explorar uma nova linha férrea. Caberá à União somente o papel de analisar e autorizar o projeto, como ocorre atualmente nos terminais privados dos portos.

Ainda segundo o Marco Regulatório, os contratos terão duração de 25 a 99 anos, podendo ser prorrogados por períodos iguais e sucessivos. Há expectativa de que o investidor privado privilegie os pequenos trechos.

O projeto da Copimex no Brasil está detalhado no site: https://copimex.com.ar/franquicia-CPX/br/.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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