Projeto que altera regulamentação de linhas de ônibus gerenciadas pela ANTT passa a tramitar em regime de urgência na Câmara

Foto: Marcelo Pereira / Ônibus Brasil

PL poderá ser incluído na pauta das próximas sessões do Plenário. Proposta proíbe a intermediação de serviços e venda individual de passagens por intermediadoras

ALEXANDRE PELEGI

O Projeto de Lei PL 3.819/2020 de autoria do senador Marcos Rogério (DEM-RO), sobre a regulamentação de linhas interestaduais de ônibus gerenciadas pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), teve o pedido de regime de urgência aprovado pela Câmara dos Deputados nessa quarta-feira, 26 de maio de 2021.

A partir de agora, o PL poderá ser incluído na pauta das próximas sessões do Plenário.

Como mostrou o Diário do Transporte, o Senado Federal aprovou o PL 3.819/2020 no dia 15 de dezembro de 2020 em votação por maioria.

Como o Projeto sofreu modificações, ele retornou para análise e votação da Câmara.

O senador Acir Gurgacz, relator do Projeto de Lei no Senado, fez nova redação à proposta.

Inicialmente, o projeto previa o fim do regime de autorização voltando à necessidade de licitação. A proposta, entretanto, sofreu diversas resistências.

Com a nova redação, que foi aprovada pelo plenário do Senado, o modelo de autorização será aceito, mas a ANTT deve definir critérios mais rígidos.

Veja alguns pontos da redação apresentada em 15 de dezembro de 2020 e aprovada pelo Senado:

 

INTERMEDIADORAS FICAM PROIBIDAS DE ATUAR NO TRANSPORTE REGULAR:

A intermediação de serviços e venda individual de passagens por intermediadoras ficam proibidas.

Art. 1º A Lei nº 10.233 de 5 de junho de 2001 passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 13………………………………………………………………… V – autorização, quando se tratar de: a) prestação não regular de serviços de transporte terrestre coletivo de passageiros, vedada a intermediação e a venda individual de bilhete de passagem. …………………………………………………………………………….” (NR)

SEM LIMITES DE AUTORIZAÇÕES:

Pela nova proposta, não haverá limites quanto ao número de autorizações, a não ser em caso de inviabilidade econômica de cada mercado

Art. 47-B. Não haverá limite para o número de autorizações para o serviço regular de transporte rodoviário  interestadual e internacional de passageiros, salvo no caso de inviabilidade técnica, operacional e econômica.

SEM SECCIONAMENTOS INTERMUNICIPAIS:

A nova redação prevê o impedimento de prestação de serviços intermunicipais dentro das linhas interestaduais

A outorga de autorização deverá considerar, sem prejuízo dos demais requisitos estabelecidos em lei: I – os mercados ofertados em cada linha a ser autorizada, vedada a realização de seccionamentos intermunicipais;

GRATUIDADES:

Todas as novas autorizações devem prever as gratuidades e benefícios sociais para os passageiros com direito

– a obrigatoriedade de oferecimento de gratuidades e de descontos tarifários previstos na legislação, com a devida forma de ressarcimento desses valores, que se limitarão exclusivamente ao serviço convencional, nos termos do regulamento do Poder Executivo;

CAPITAL SOCIAL MÍNIMO:

A nova redação da proposta exige que as empresas interessadas em autorizações tenham um capital social mínimo de R$ 2 milhões.

– a exigência de comprovação, por parte do operador, de: a) requisitos relacionados à acessibilidade, segurança, capacidade técnica, operacional e econômica da empresa, proporcional à especificação do serviço, conforme regulamentação do Poder Executivo; b) capital social mínimo de R$ 2.000.000 (dois milhões de reais).

FROTA MÍNIMA PRÓPRIA:

A proposta nova prevê ainda que a empresa que solicitar autorização tenha frota mínima de 60%

III – as características técnicas e de segurança da frota com que pretende operar as linhas, limitada a utilização de 40% da frota de veículos de terceiros;

ESTUDO DE VIABILIDADE ECONÔMICA:

A empresa interessada deve apresentar também um estudo de viabilidade econômica para a linha

IV – os endereços e as coordenadas geográficas dos terminais, dos pontos de apoio e dos pontos de parada que pretende utilizar; V – o estudo de viabilidade econômica para o mercado pretendido.

MULTAS DE ATÉ R$ 3 MIL:

A nova proposta também cria um limite de R$ 3 mil para multas a operadores de ônibus, com possibilidade de correções anuais.

As infrações aos serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, realizado por operador brasileiro, sem prejuízo de sanções por infrações às normas legais, regulamentares e contratuais serão de, no máximo, R$ 3.000,00 (três mil reais), podendo ser corrigidas anualmente pelo Poder Executivo.

INSCRIÇÃO ESTADUAL:

Outra proposta prevê que as empresas interessadas nas linhas tenham inscrição l em todos os Estados onde querem operar.

Art. 4º Os operadores deverão possuir inscrição estadual em todas as unidades da federação que pretendam operar, para fins de recolhimento do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.

AUTORIZAÇÕES CONCEDIDAS FICAM SUSPENSAS:

A proposta mantém a sugestão de suspender as autorizações concedidas depois de 30 de outubro de 2019.

5º Ficam suspensas as autorizações concedidas entre 30 de outubro de 2019 e a data de publicação desta Lei, mantidas as autorizações anteriores a esta data.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Maycon Nonato disse:

    ou seja, o bom e velho estado alegando zelar pela segurança do usuário, criando regulamentações para fechar o mercado. Alguns comemoram porque acham que vai afetar a buser e outras, mas a longo prazo a distorção no mercado encarecerá o preço e pode fazer com que em alguns locais haja menor oferta de linhas ou com preço mais elevado.

  2. vagligeiro disse:

    Pesquisem as empresas nas quais Acir Gurgacz é dono. Este é o comentário.

  3. MARIO EDSON FRASSETTO disse:

    Enfim continua nas mãos de interesse de lobistas

  4. lindomar disse:

    Não dá para entender o “SEM SECCIONAMENTOS INTERMUNICIPAIS” automático, sem pelo menos uma análise básica.
    Dou o exemplo da linha Rio x Montes Claros do Expresso União. A linha passa na porta de Juiz de Fora, por exemplo, sendo que esta não possui ligação direta com Montes Claros (e as demais seções), mas o cidadão juizforano não pode viajar neste trecho por causa da proibição do tal “seccionamento intermunicipal”. Alguém está realmente interessado nos passageiros?

    1. MARIO EDSON FRASSETTO disse:

      É uma linha federal e não estadual por isso não pode pegar passageiro

      1. Lindomar disse:

        Sim, eu sei. O que não quer dizer que não possa ser mudado. O que impede a linha federal de promover o deslocamento estadual do cidadão, dentro dos conceitos de inexistência de quem explore tal mercado?

Deixe uma resposta