Análise de tecido contra Covid-19 em ônibus da capital SP ainda está em estudo pela secretaria de Saúde do município

Ônibus antiviral do ConSor - Consórcio Sorocaba

Enquanto isso, 150 ônibus antivirais já rodam no Brasil, incluindo coletivos da EMTU, de Sorocaba e Osasco. Metrô de SP testa outras tecnologias, e setor rodoviário se prepara para utilizar produtos

ALEXANDRE PELEGI

Enquanto as empresas de transporte coletivo estudam maneiras de recuperar os passageiros perdidos durante a pandemia, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para garantir condições melhores de biossegurança.

Uma delas, já mostrada em outras matérias do Diário do Transporte, é o tecido antiviral produzido pela ChromaLíquido Soluções Tecnológicas a partir do fio de poliamida Amni®️ Virus-Bac OFF, desenvolvido pela Rhodia.

Já presente em ônibus da EMTU e no transporte de Sorocaba em alguns coletivos do BRT, do ConSor e da empresa City, outras soluções foram desenvolvidas recentemente para aumentar o leque de opções.

Diferentemente do tecido, que tem efeito permanente na ação antiviral e antibacteriana, com resistência a atritos, higienizações e lavagens constantes, a Bioforcis Soluções Tecnológicas desenvolveu outras modalidades de aplicação que também podem ser utilizadas em trens e ônibus do sistema de transporte coletivo.

O Metrô de São Paulo vem testando na Linha 3-Vermelha, desde abril de 2021, três produtos doados pela Bioforcis, do mesmo grupo da ChromaLíquido, após a realização de um chamamento público.

O princípio presente nos três produtos é o mesmo da solução do tecido antiviral: o uso de nanopartículas de prata.

Os produtos são: uma solução saneante que é pulverizada no interior do trem, inclusive no sistema de ar-condicionado, com durabilidade de 15 dias; uma película que cobre os vidros das janelas e portas com nanopartículas de prata que inativam o vírus; e adesivos antivirais que revestem os balaústres e pega-mãos, que em 30 segundos eliminam 68,3% do vírus, chegando a 99,96% em 15 minutos. A ação antiviral do adesivo, assim como a do tecido, também é permanente.

Sanitizante e Adesivo aplicados em trem da Linha 3-Vermelha do Metrô de SP

O diretor de relações institucionais das empresas ChromaLíquido e Bioforcis, Ricardo Bastos, conversou com a reportagem do Diário do Transporte nesta terça-feira, 25 de maio de 2021.

Ele conta que atualmente os produtos antivirais desenvolvidos pelas duas empresas estão sendo analisados por grupos de transporte rodoviário intermunicipal e de fretamento do estado de São Paulo. Ele promete em breve anunciar a entrada das soluções antivirais também neste segmento, em particular no de fretamento.

No caso do transporte coletivo da capital paulista, a situação mostrada pelo Diário do Transporte em setembro de 2020 continua inalterada. Apesar de já haver laudos do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, e de universidades como a Unicamp, a secretaria de Saúde do município ainda não deu aval para o uso das tecnologias nos ônibus do sistema gerenciado pela SPTrans – São Paulo Transporte.

No caso do transporte metropolitano, Ricardo conta que a resposta do governo estadual foi mais rápida, por meio da Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), o que explica o fato de o Metrô estar testando e alguns ônibus da EMTU já estarem rodando com produtos antivirais.

No caso do Metrô, segundo Ricardo Bastos, o estágio atual é o de buscar parceiros comerciais para garantir que todos os produtos sejam implementados em todas as linhas do sistema metroviário.

Um ponto positivo citado pelo diretor da fabricante é quanto à durabilidade do material, as capas de tecido antiviral que revestem os assentos dos ônibus. Até hoje não houve nenhum caso de substituição do produto, seja por desgaste de uso, seja por ações de vandalismo.

Assento antiviral

No entanto, uma pesquisa realizada pelo Grupo Printer Comunicação em Sorocaba, no dia 15 de março deste ano, mostra que é preciso, além das soluções antivirais, também um forte uso de campanhas de comunicação.

A pesquisa entrevistou somente os usuários dos ônibus com as soluções.

Embora a maioria dos passageiros estivesse informada sobre os ônibus antivirais, 84% não sabiam como a tecnologia atua, proporcionando mais proteção contra o contágio de doenças infecciosas, inclusive da Covid-19”, diz um trecho da conclusão do relatório da pesquisa.

Além disso, “68% disseram que falta comunicação, tanto em relação à tecnologia como sobre os cuidados em geral, para evitar a contaminação; como é a higienização dos veículos; o que mais as empresas estão fazendo para aumentar a proteção do usuário; entre outras informações relevantes para este momento”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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