História

HISTÓRIA EM RETRATOS: Ônibus clássicos da história dos transportes na Bahia

Carrocerias Aratu; empresas Beira Rio, Campo Grande, Joevanza, Sul América e Ypiranga marcaram a paisagem e o desenvolvimento de um dos estados mais queridos do Brasil

ADAMO BAZANI/MARIO CUSTÓDIO

O Estado da Bahia, entre suas diversas características, é marcado pela alegria e cores variadas, seja na arquitetura, na moda e nas artes em geral.

Um pouco disso, a história dos transportes também consegue revelar.

Diversas empresas de ônibus com suas cores peculiares cruzavam ruas de grandes cidades, como a capital Salvador.

É o que mostra a viagem do tempo desta edição de domingo, 16 de maio de 2021, de “História em Retratos”, do pesquisador e consultor em transportes, Mario dos Santos Custódio, no Diário do Transporte.

Além da diversidade de cores e pinturas, o transporte coletivo em Salvador no ano de 1981, quando foram feitas as fotos, foi marcado também por variadas marcas de carrocerias, inclusive a Aratu.

A Carrocerias Aratu S.A. teve sede na Bahia entre 1968 e 1993, mas sua origem é na  IASA, que, por sua vez, foi fundada no Rio de Janeiro, em 1942, como “Transportes, Comércio e Indústria Bons Amigos S.A”. O nome IASA – Irmãos Abreu S.A. surgiu em 1965, mas devido a uma crise geral do mercado, as instalações, projetos e a marca foram compradas por um grupo de investidores da Bahia, que criaram a Aratu. É importante destacar que a Aratu, em 1974, passou a ser controlada por um grupo de empresários de ônibus de Salvador.  A Aratu foi acusada no mercado de copiar linhas de outras fabricantes como Caio e Thamco.

Outra carroceira que aparece nos registros fotográficos de Mario Custódio é a Companhia Autocarrocerias Cermava (Cermava), fundada em 18 de dezembro de 1948, no Rio de Janeiro, por Antônio Eiza Cerqueira (brasileiro), Manuel Conceição (português), Álvaro Martins Fonseca (brasileiro), Mário Humberto Esteves (português), Álvaro Batista Esteves (brasileiro), Deusdedit Moura Ribeiro (brasileiro), Orlando Martins Fonseca (brasileiro), Vinícius Martins Fonseca (brasileiro) e João Saraiva Ramos (português).

Pouco tempo depois, a Cermava foi adquirida por Carlos Massa, fundador da encarroçadora paulista Caio, que atua até hoje, mas sob a administração das famílias Ruas e Cunha.

A marca Cermava foi descontinuada em 1975, quando a Caio comprou também no Rio de Janeiro a encarroçadora de ônibus Metropolitana, que por sua vez foi fundada em 1948.

Outro modelo retratado por Mario Custódio é o Marcopolo Veneza I, produzido nos anos 1970, que já é mais conhecido entre os pesquisadores de transportes e que foi importante para abrir os caminhos para a Marcopolo, atualmente a maior encarroçadora de ônibus do Brasil, criar uma nova geração de modelos urbanos a partir dos anos 1980.

As empresas retratadas por Custódio são: Beira Rio, Campo Grande, Joevanza, Sul América e Ypiranga.

Acompanhe o relato de Mário dos Santos Custódio e mais abaixo, todas as fotos:

Estamos na Coluna n° 14 do “História em Retratos”, do Diário do Transporte, e desta vez continuaremos nossa saga pelo Brasil, desembarcando em Salvador no ano 1981, numa das épocas em que tive o prazer de trabalhar na Bahia.

 E, desta vez, mostrarei fotos dos ônibus que tirei em Salvador que, apesar de atuais para a época, hoje já não o seriam, mas que pelo serviço que prestavam à população local certamente teriam muito o que contar para nós, se falassem.

As carrocerias apresentadas não existem mais. Aratu, Cermava e Veneza, por exemplo, cujas fotos escolho a dedo para os leitores porque representam uma geração de carrocerias urbanas para ônibus que serviram pessoas de todas as idades. E marcaram sua época.

As empresas eleitas, todas de Salvador, são as seguintes:

– Ypiranga, Carro 7043, estacionado no Terminal Urbano da Rodoviária;

– Beira Rio, Carro 2136, estacionado no Terminal da Praça da Sé;

– Sul América, Carro 6011, estacionado no Terminal de França;

– Joevanza, Carro 4068, estacionado no Terminal Urbano da Rodoviária; e

– Campo Grande, Carro 1057, estacionado no Terminal Barroquinha.

E aqui cabe uma breve análise sobre os terminais urbanos de ônibus mundo afora e sua evolução. É certo que muitos terminais ainda se parecem com os terminais que vemos nestas fotos. Mas há inúmeros casos, particularmente no Brasil, em que a tendência foi buscar formas de melhor atender aos clientes das empresas de ônibus, com a construção de terminais modernos para ônibus urbanos e que em muitos casos parecem verdadeiros terminais rodoviários de longa distância.

E cabe mais uma reflexão. Pra quem já rodou por 14 países, não tenho a menor dúvida de que a maioria dos terminais urbanos e rodoviários do Brasil tem padrão superior. Não é fácil encontrar terminais com a qualidade dos que existem por aqui.

Mas, terminais de ônibus serão objeto de outra coluna, se tudo der certo.

Enfim, para quem gosta, aprecie as fotos, hoje antigas.

Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Mario dos Santos Custódio, pesquisador e consultor em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Bom dia pessoal soteropolitano! ESTÃO FALTANDO AS EMPRESAS TRANSPENISULAR DO SR.MIRANDA, LOCAL DA EMPRESA EM 1955 ERA PERTO DO LARGO DO PAPAGAIO E A EMPRESA VARELA ESPECIALISTA EM ONIBUS COM MOTORES STUDBAKER E INTERNACIONAL, LOCAL DAS INSTALAÇÕES UMA TRAVESSA DA AVENIDA DENDEZEIROS PERTO DA IGREJA DO BOMFIM. NÃO TENHO OS NOMES DOS PORTUGUESES ISSO EM 1954.
    ALBERTO SANTOS MATTOS

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