Plano de recuperação judicial do Grupo Real, do Rio de Janeiro, é aprovado em assembleia de credores

Foto: Roger Silva / Ônibus Brasil

Em razão dos impactos da pandemia, Grupo apresentou novo Plano em abril de 2021 a fim de adaptar os termos e as condições de pagamento para a realidade econômico-financeira atual das empresas

ALEXANDRE PELEGI

O Grupo Real, do Rio de Janeiro, que controla quatro empresas de transporte, recebeu aprovação para seu plano de recuperação judicial em assembleia de credores.

As empresas são a Real Auto Ônibus, Reitur Turismo, Premium Auto Ônibus e Real Transportes Metropolitanos.

A informação é do blog Capital, do site O Globo.

De acordo com o blog, o plano teve apoio de 99% dos credores com garantia real e de 100% da classe trabalhista e de pequenas e médias empresas. Dentre os credores sem garantia real, a adesão foi de 85%.

A Assembleia foi realizada em segunda convocação nessa sexta-feira, 14 de maio de 2021.

Como mostrou o Diário do Transporte, o Grupo Real teve, de acordo com informações do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), o pedido de recuperação judicial deferido pela 1ª Vara Empresarial da Capital no dia 16 de abril de 2019.

Em nota, o TJ anunciou: “O juiz Alexandre de Carvalho Mesquita nomeou um administrador judicial que irá conduzir o processo de recuperação e trabalhar na formulação do quadro de credores. A partir da decisão, o grupo terá que incluir a expressão “em recuperação judicial” em seus nomes empresariais.

Ainda segundo o TJRJ, o Grupo Real apresentou diferentes justificativas no pedido de recuperação judicial. Uma delas aborda a necessidade de cumprir exigências no contrato de licitação firmado com a Prefeitura do Rio em 2010, como a instalação de equipamentos GPS, câmeras de filmagem, manutenção dos terminais, criação de novos pontos de ônibus, o que segundo a empresa, provocou a redução na margem de lucro.

Outra alegação é sobre o uso do Bilhete Único Municipal. A argumentação, no caso, é que o passe tinha a previsão de utilização por 5% dos passageiros, mas chegou a casa dos 15%, o que também levou, alegam a queda na margem de lucro do grupo empresarial. A disseminação do transporte alternativo nos últimos anos e a crise econômico-financeira do estado do Rio também foram citadas pelo Grupo Real”, informou o Tribunal. Relembre:

Grupo Real, do Rio de Janeiro, entra em recuperação judicial

ADITIVO

Três anos depois, em abril de 2021, o Grupo Real apresentou em Aditivo um novo Plano de Recuperação Judicial.

O motivo, de acordo com o Administrador Judicial nomeado, Dr. Marcello Ignácio Pinheiro de Macêdo, foi “o estado de calamidade pública decorrente da Pandemia do Covid-19 e as medidas restritivas impostas pelo Poder Público [que] afetaram diretamente as operações do Grupo Real e o setor de transportes como um todo, alterando as bases econômico-financeiras que embasaram o Plano de Recuperação Judicial Original”.

Ainda segundo o Administrador Judicial, “a imprevisibilidade do aludido evento demandou a necessidade de apresentação de um Novo Plano de Recuperação Judicial, a fim de adaptar os termos e as condições de pagamento anteriormente apresentados para a realidade econômico-financeira atual do Grupo Real”.

No Aditivo, um dos principais motivos da proposta de novo Plano de Recuperação está na queda de receita provinda da tarifa.

As Receitas Operacionais provenientes da bilhetagem eletrônica – salvo aquelas objeto de garantia fiduciária em favor dos credores do Grupo Real, inclusive aquelas que se encontram sub judice – são igualmente essenciais para o cumprimento e performance econômico-financeira da reestruturação global do endividamento do Grupo Real, em razão da necessidade de capital de giro e de recursos líquidos para o efetivo soerguimento da Companhia, ressaltando-se que os frutos oriundos da bilhetagem eletrônica representam aproximadamente 80% (oitenta por cento) da receita do Grupo Real”.

O Plano propõe um “mix” de possibilidades que compreende os mecanismos de recebimento dos créditos previstos no Plano de Recuperação Judicial.

Este mecanismo “busca alinhar as expectativas de diversos credores, que poderão aderir a diferentes meios de pagamento que contemplam soluções de mercado, inclusive, mas não se limitando à conversão de créditos em ações, constituição de Unidade(s) Produtiva(s) Isolada(s), emissão de debêntures, alienação de ativos, eventos de liquidez mediante deságio e quitação imediata, injeção de novos recursos com incremento de caixa e manutenção de contratos comerciais”.

Veja o Aditivo com o novo Plano de Recuperação Judicial aprovado:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Essa empresa está atolada na Lava-Jato?

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