Jornada dupla: mães e motoristas na cidade de São Paulo

Transwolff homenageia profissionais que estão por trás do volante nos ônibus da empresa e no serviço Atende

JESSICA MARQUES

Correria, sobrecarga e cansaço. Esta é a rotina imposta pela dupla jornada das mães que diariamente cuidam dos filhos e exercem uma atividade profissional.

Apesar disso, a mistura de amor e dedicação pelas duas atividades acaba sendo o combustível diário das mães que trabalham como motoristas de vans e ônibus na capital paulista.

Neste domingo, 09 de maio de 2021, é celebrado o Dia das Mães. Em homenagem às motoristas na capital paulista, a Transwolff divulgou depoimentos de mulheres que se dedicam às missões de cuidar dos filhos e conduzir passageiros.

VANESSA REIS SANTOS

A motorista de ônibus na linha 7053-10 – Jd. Macedônia – Term. Campo Limpo, Vanessa Reis Santos, 26 anos, é moradora do Jardim Macedônia, na Zona Sul.

Mãe da Lorena de 4 anos, sai de madrugada para ir trabalhar todos os dias. A primeira viagem é às 4h.

Ela deixa a filha na casa de mãe quando sai para trabalhar às 3h30. Na volta já busca, dá banho e almoço. “Como minha mãe mora bem em frente ao final da linha corro lá no intervalo entre uma viagem e outra pra ver a Lorena.”

Todo intervalo da viagem, Vanessa dá um pulo na casa da mãe para ver a filha.

“Dirigir ônibus é um prazer, um desejo de menina que foi realizado. Desde criança quis ser motorista. Via meu pai dirigindo. Para mim aquilo era o máximo. Hoje estou atrás do volante sentindo o prazer de dirigir. O ônibus é como se fosse parte do meu corpo. Não dirijo por obrigação, mas pelo amor pela profissão. É um pouco cansativo ser mãe, cuidar da filha e da casa, mas é muito prazeroso”, disse.

DIONI SOUZA SANTOS

A motorista Dioni Souza Santos, 37 anos, foi mãe aos 15 anos de idade e é motorista do Serviço Atende há dois meses.

Moradora do Jardim Santa Cruz, é mãe de cinco filhos: Matheus (22 anos), Gabriela (20 anos), Pedro (10 anos), Arthur (5 anos) e André (3 anos).

A filha passou na USP (Universidade de São Paulo) em Física. O filho é gerente da Pfizer. “Sempre peguei muito no pé deles”, conta.

Mãe de cinco filhos, ela sai de casa todos os dias às 4h30. Trabalha das 5h às 12h. Antes de sair, passa no quarto das crianças para conferir se estão descobertos.

O ritual acaba sendo o mesmo diariamente: Geralmente algum deles está descoberto. Ela cobre e, mesmo com eles dormindo, diz “fiquem com Deus”.

Além de motorista, Dioni é empreendedora. Após a pandemia vai abrir um salão de festas para aniversário, casamento e batizado.

“Meus filhos admiram e são orgulhosos da minha profissão. Digo para eles correrem atrás do sonho. Meu pai era caminhoneiro. Ainda tenho o sonho de ser caminhoneira”, revelou.

Mineira de Itaobim, região do Vale do Jequitinhonha, chegou a São Paulo com 11 anos acompanhada da tia Iriam. Com esta idade, começou a trabalhar como babá em uma casa de família.

“Lá em Minas, aos 8 anos, eu trabalhava em uma casa de 15 cômodos. Não queria ver minha mãe sofrer. Eu fui o pilar da família. Aos 13 anos comprei um terreno e construí dois cômodos.”

VANESSA RODRIGUES DA SILVA

Chefe de família, Vanessa Rodrigues da Silva, 39 anos, é motorista do Serviço Atende há 8 meses. Moradora do Jardim Herplin, na Zona Sul, é mãe do João Vitor, 20 anos, Angelo Lucas, 12 anos, e Arthur, 7 anos.

O filho mais velho já não mora mais com a mãe. Portanto, enquanto ela trabalha, um casal de idosos cuida das crianças para Vanessa.

Sempre que dá, ela liga ou faz chamada de vídeo com as crianças ao longo do dia. Pergunta sempre se já almoçaram e se escovaram os dentes.

“Não consigo explicar o que é ser mãe. Me sinto uma mãezona. Se tem uma coisa que eu não me arrependo é ter sido mãe. Me sinto realizada.”

Por mais difícil que seja a rotina, Vanessa diz que os filhos dão a ela ânimo para continuar lutando.

“Ainda existe preconceito da mulher no volante. Eu ouço elogio pela coragem das minhas tias, primos e irmão que além de me elogiar, me incentivaram no transporte.”

Quando chega à noite, o trabalho não para. Ela coloca as crianças para tomarem banho. Enquanto isso, ela faz a janta.

“Eles são minha inspiração todos os dias para acordar, levantar, trabalhar, enfim, ir para a luta.

KATIA REGINA XAVIER

A motorista de ônibus Katia Regina Xavier, 41 anos, é mãe da Gabriela, 20 anos, e Gabriel, 17 anos. Ela trabalha na linha 6059-10 – Jd. Universal – Santo Amaro.

“Para mim, como mãe, é muito gratificante ser motorista”, ressalta.

A paixão por dirigir surgiu há anos, quando ela começou como cobradora no ônibus em que o pai dirigia.

Na época, ela decidiu trocar a categoria da carteira de habilitação para D e, desde então, é motorista de ônibus.

“Dirigir é uma paixão. Antes era uma profissão vista como só para homens. Espero que cresça mais ainda o número de mulheres no sistema”, pontuou a motorista.

A filha Gabriela diz que é incrível ver a mãe dirigindo. “Minha mãe é guerreira, batalhadora. Ela é uma mulher diferente por ser motorista. Eu sempre a admirei. Fiquei deslumbrada quando a vi dirigindo pela primeira vez. É uma coisa linda.”

O filho Gabriel diz se sentir orgulhoso da mãe dirigindo ônibus. “Me inspiro nela. Ela é umas das melhores motoristas da empresa. Lugar de mulher não é na cozinha é onde ela quiser.”

MARIA LUCENIR DE OLIVEIRA

A motorista Maria Lucenir de Oliveira, 41 anos, é motorista do Serviço Atende há um ano e 10 meses. Além disso, é mãe da Laiza, 20 anos, e da Iasmin, 6 anos.

A filha mais velha já casou e tem dois filhos. A mãe de Maria cuida da Laiza. Contudo, a motorista afirma que não é fácil lidar com a situação de deixar as crianças para sair para trabalhar.

“Eu sempre achei difícil. Alguém precisa sair para trabalhar. É um sacrifício obrigado a fazer.”

Pernambucana da cidade de Bezerros, Maria trabalha desde os 14 anos de idade. O primeiro trabalho que teve quando chegou à cidade de São Paulo foi como auxiliar de limpeza em uma livraria na Zona Sul.

“Meu sonho era entrar no Atende. Eu amo a profissão de dirigir. O Atende é um ensinamento de vida, uma lição de vida. Tenho amor e aprendi a dar valor ao pouco que tenho. Sempre fui amável, mas me tornei mais ainda.”

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Não deixar também de citar dona Beatriz Setti que assumiu as empresas, gerencia o corredor, e tem como Milena sua filha seguido a carreira no gerenciamento….parabéns à todas que movimentam a maior população de trabalhadores do estado

  2. DEISE disse:

    Adorei a homenagem parabéns as empresas por essa iniciativa.

  3. Alex Silva disse:

    Cuidar da casa e dos filhos não é dupla jornada, é obrigação, e espero que no dia dos pais também falem dos homens que fazem ” dupla, ou até tripla jomada”, e que são a esmagadora maioria desse setor , acho que se meia duzia de mulher merece homenagem, as centenas, ou até milhares de homens que cumprem suas obrigações domésticas também merecem.

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