Marcopolo registra queda na receita, no lucro e na produção no primeiro trimestre de 2021

Fretamento e Caminho da Escola evitaram queda maior

Em todo o mercado, o destaque negativo foi para a fabricação de ônibus urbanos, que caiu 62,6% em relação ao primeiro trimestre de 2020 e deve ser o último a se recuperar; Prejuízo da fabricante foi de R$ 14,7 milhões; Baixa de produção da Marcopolo foi menor que a queda média do mercado de ônibus

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Jessica Marques

A maior encarroçadora de ônibus do País sente os efeitos do avanço da pandemia de covid-19 na economia entre o final de 2020 e início de 2021.

A Marcopolo, por ser uma empresa de capital aberto, com ações em bolsa de valores, divulgou o balanço relativo ao primeiro trimestre deste ano.

Em relação ao primeiro trimestre do ano de 2020 (quando em janeiro, fevereiro e grande parte de março ainda não havia sido reconhecida a pandemia no Brasil), os resultados são negativos:

A receita operacional líquida no primeiro trimestre de 2021 foi de R$ 834 milhões ante R$ 919,4 milhões do período de 2020, queda de 9,3%

No Brasil, a receita foi de R$ 448,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, queda de 4,4%.

A receita das exportações caiu no período 26,7% com R$ 156,9 milhões apurados.

Já a receita no exterior somou R$ 228,3 milhões entre janeiro e março de 2021, representando queda de 3,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

A produção total da Marcopolo atingiu 3.016 unidades; 12,4% inferior ao primeiro trimestre de 2020.

O EBTIDA, sigla em inglês para Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization. (em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”) teve queda de 76,9%, registrando 23,5 milhões no primeiro trimestre de 2021 ante R$ 101,9 milhões do período de 2020.

O Lucro Bruto registrou queda de 33% com R$ 100,5 milhões no primeiro trimestre de 2021 ante R$ 150,1 milhões no período de 2020.

“O efeito sazonal que observamos regularmente no primeiro trimestre de cada ano somou-se a novos fechamentos de cidades, restrições de locomoção e aumento dos casos da doença, afetando os resultados da companhia e do setor”, avaliou o CFO (diretor financeiro) e de Relações com Investidores da Marcopolo, José Antonio Valiati.

MERCADO DE ÔNIBUS NO BRASIL

Apesar de negativos, alguns números da Marcopolo foram melhores que o desempenho médio do mercado brasileiro de ônibus, que considera todas as marcas.

Com base em dados da FABUS (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus) e do SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), a Marcopolo diz que no primeiro trimestre de 2021, a produção brasileira de ônibus atingiu 3.065 unidades, queda de 32,6% em relação ao primeiro trimestre de 2020. Na Marcopolo, a queda foi de 12,4%.

A produção de todas as marcas destinada ao mercado interno somou 2.574 unidades no primeiro trimestre de 2021, 30,1% inferior às 3.680 unidades produzidas no primeiro trimestre de 2020.

As exportações totalizaram 491 unidades no primeiro trimestre de 2021, 43,5% inferior às 869 unidades exportadas no primeiro trimestre de 2020.

Entre todos os segmentos de ônibus, a maior queda de produção foi de urbanos: 62,6% menor no primeiro trimestre de 2021, com 1.026 unidades ante 2.743 de janeiro a março de 2020.

CAMINHO DA ESCOLA

O segmento de micro-ônibus foi o único que cresceu em produção no primeiro trimestre de 2021: alta de 57,6% com 1.051 unidades, resultado impulsionado pelo Programa Caminho da Escola, do Governo Federal.

No primeiro trimestre, a companhia entregou 761 unidades para o programa, sendo 397 micros, 40 urbanos e 354 modelos Volare.

“As entregas ao programa continuarão no segundo trimestre e deverão alcançar volume próximo ao total que vencemos na licitação de 2019, 4.800 unidades. Aguardamos a publicação de novo edital para a licitação do Caminho da Escola 2021/2022”, afirmou José Antonio Valiati.

“O mercado de rodoviários e micros também deverá ser beneficiado a partir do segundo semestre com a reabertura de escolas e universidades e com a retomada do turismo”, acrescentou o diretor.

No seu comunicado aos investidores, a Marcopolo destaca, além do Caminho da Escola, o segmento de fretamento para impedir que a queda fosse maior:

“A produção continua sendo negativamente afetada pelo impacto da pandemia de Covid-19 no transporte coletivo, especialmente associado à segunda onda. A sazonalidade observada com regularidade no primeiro trimestre de cada ano somou-se a novos fechamentos de cidades, restrições de locomoção e aumento dos casos da doença, afetando a comparação com o 1T20. No mercado interno, a produção foi sustentada pelo setor de fretamento, beneficiado pela utilização de mais veículos para manutenção do distanciamento no transporte de empregados às empresas, bem como pelos volumes direcionados ao programa federal Caminho da Escola em micros e Volares. Nas exportações, houve queda na produção de urbanos, que havia sido favorecida no 1T20 por pacotes direcionados ao continente africano. Nas operações internacionais, o ramp-up da produção de urbanos na Argentina não foi suficiente para equilibrar as perdas de volumes nos demais países”

PARTICIPAÇÃO EM QUEDA

A Marcopolo registrou queda de na participação de mercado na produção brasileira de carrocerias, passando de 57% no primeiro trimestre de 2020 para 51,6% no primeiro trimestre de 2021.

Por causa do fretamento, a Marcopolo registrou maior participação no segmento de rodoviários.

“O destaque do trimestre foi o incremento de 10,7 pontos percentuais no segmento de rodoviários em relação ao 4T20, relacionado ao aumento da exposição da Companhia no setor de fretamento. O mercado de fretamento, ônibus mais leve dentro da categoria de rodoviários, representou 68,9% dos volumes do segmento no 1T21 (32,5% no 1T20)” – diz o comunicado.

URBANOS VÃO SE RECUPERAR MAIS LENTAMENTE

A Marcopolo estima que todos os segmentos vão começar a se recuperar neste ano, mas o quer vai demorar mais para se reerguer são os urbanos.

“Para o mercado de urbanos, a retomada deverá ser mais lenta, considerando que diversas cidades mantêm rodando frota superior à demanda, penalizando o operador das linhas, sem a adequada compensação financeira. O segmento também sofre de forma mais profunda com o aumento de custos, tendo dificuldade de promover os repasses necessários às tarifas ou obtenção do equilíbrio econômico-financeiro via subsídios”

Veja todo o balanço:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Alexandre Pelegi

 

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Comentários

Comentários

  1. Claudio Boff disse:

    É… algo não vai bem desde a ausência dos três pilares (Paulo Belini, Martins e Valter Gomes Pinto). As ações “atolaram no barro” e fazem alguns anos não conseguem sair.

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