Eletromobilidade

Novos VLTs de Melbourne, na Austrália, podem ter rodas de borracha e circular sem trilhos

Bonde sem trilho, movido a bateria, na cidade chinesa de Zhuzhou

Dois fabricantes foram selecionados para projetar e construir os bondes: a francesa Alstom e uma joint venture formada pela espanhola CAF e a australiana UGL Rail

ALEXANDRE PELEGI

Melbourne, cidade da Austrália, possui a maior rede de VLT do mundo, com cerca de 250 km de trilhos.

A cidade convive com os serviços de bondes desde 1885, mas a partir de 2025 poderá conhecer novos veículos que fogem do padrão convencional.

Os novos bondes que circularão pelas ruas da capital costeira do estado de Victoria, no sudeste da Austrália, serão ágeis, com piso rebaixado e eficientes em termos de energia. Eles substituirão os pesados bondes das classes A e Z construídos nas décadas de 1970 e 1980.

Os novos veículos estão sendo financiados pelo governo de Victoria, que destinou 1,5 bilhão de dólares australianos (cerca de R$ 6,3 bilhões) para financiar 100 bondes de última geração.

A informação é da jornalista Timna Jacks, do portal australiano The Age.

Timna conta que dois fabricantes foram selecionados para projetar e construir os bondes: a francesa Alstom – que adquiriu a antiga fabricante de bondes Bombardier – e uma joint venture formada pela fabricante ferroviária espanhola CAF e a australiana UGL Rail.

A previsão é que os novos bondes tenham 25 metros de comprimento, cerca de oito metros mais curtos do que os mais novos bondes da Classe E, e transportarão 150 passageiros. Isso é menos do que o Classe E transporta, que são 210 pessoas.

Detalhe: os licitantes estão sendo solicitados a fornecer uma opção para um bonde menor ainda, de 35 metros de comprimento.

A prioridade para bondes menores é para que possam percorrer curvas estreitas em partes da rede que são inacessíveis aos bondes Classe E, com comprimento maior. Os bondes Classe E (6001), que entraram em operação em 2013, foram feitos em Melbourne pela Bombardier (foto abaixo).

Os novos bondes serão mais leves, e proporcionarão viagens mais suaves, graças à nova tecnologia que ajuda a evitar colisões por meio de câmeras a bordo e mapeamento de rede, que avisa os motoristas sobre obstáculos e pode aplicar os freios automaticamente.

A alimentação dos veículos não dependerá da energia de cabos aéreos, cuja manutenção é cara e vulnerável a falhas. A nova frota será a primeira em Melbourne a ser parcialmente alimentada por baterias de bordo.

Além disso, os novos VLTs serão equipados com tecnologia de frenagem regenerativa, que transfere a energia cinética liberada pelos freios do bonde de volta para a bateria do bonde, que ajuda a alimentar o bonde. Isso significará uma queda de 40 por cento no uso de energia, embora haja também um limite na quantidade de energia que o bonde pode consumir das linhas aéreas.

Desta forma, os novos bondes solucionarão outro problema que surgiu com os anteriores Classe E, que consumiam tanta energia que foram necessárias novas subestações de força de tração para alimentá-los.

A jornalista do The Age descreve os novos bondes como “ônibus elétricos, mas melhores”. Ela os chama de “bondes sem trilhos”, construídos e agora operando na China. “São veículos movidos a bateria com rodas de borracha que usam sensores em vez de trilhos de aço para funcionar”.

Os governos dos estados de New South Wales e da Austrália Ocidental estão tentando implantar esses bondes, com investimentos realizados pelo governo australiano, liderado pelo Primeiro-ministro Scott Morrison Morrison.

No entanto, há ressalvas quanto aos novos bondes. É o caso do porta-voz da Associação de Usuários de Transporte Público, Tony Morton. “Esta é uma roda que não precisamos reinventar”, disse Morton sobre os futuros bondes de Melbourne.

Contanto que tenhamos uma infraestrutura decente de metrô leve com separação suficiente do tráfego, acessibilidade embutida em paradas e veículos modernos com boas informações a bordo e todos os recursos de segurança, isso é realmente o que há de mais moderno no que diz respeito a locomoção de pessoas em transporte público”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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