CNPE aprova criação do Programa Combustível do Futuro para ônibus, carros e caminhões poluírem menos

Ônibus de fretamento movido a GNV, no Sul do País

Para veículos pesados, um dos objetivos é a criação de corredores verdes para o abastecimento de modelos movidos a biometano, gás natural ou GNL

ADAMO BAZANI

O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) vinculado ao MME (Ministério de Minas e Energia) informou que aprovou nesta terça-feira, 20 de abril de 2021, a resolução que institui o Programa Combustível do Futuro.

O princípio do programa é o uso de fontes alternativas de energia e o fortalecimento do desenvolvimento tecnológico nacional.

A resolução permite que haja uma complementariedade entre políticas públicas e normas relacionadas ao setor automotivo e de combustíveis, como o RenovaBio, o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, o PROCONVE, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o Programa Rota 2030 e o CONPET.

Outra diretriz é a avaliação da eficiência energético-ambiental por meio da análise do ciclo de vida completo do combustível, nos diversos modos de transporte.

A resolução ainda criou o Comitê Técnico do Combustível do Futuro (CT-CF), que será composto por quinze órgãos e coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

“Caberá a esse comitê propor metodologia de avaliação do ciclo de vida completo dos combustíveis; recomendar medidas para aproximação dos combustíveis de referência aos combustíveis efetivamente utilizados pelo consumidor, bem como sugerir ações para fornecer ao cidadão informações adequadas para a escolha consciente do veículo em relação aos aspectos de eficiência energética e ambiental.” – explica nota do MME.

Para veículos pesados, do chamado ciclo diesel, um dos objetivos é a criação de corredores verdes para o abastecimento de modelos movidos a biometano, gás natural ou GNL

“Também serão trabalhados os combustíveis sustentáveis e de baixo carbono, como o diesel verde, o biodiesel e os combustíveis sintéticos.” – prossegue o comunicado.

Já para o ciclo otto, serão abordados combustíveis com alta octanagem e baixa emissão de carbono; a promoção da utilização em larga escala do etanol de segunda geração; e o incentivo à célula combustível a etanol.

O Programa deve ainda propor medidas para desenvolver leis e normas hoje inexistentes para a tecnologia de captura e armazenagem de gás carbônico, seja na produção de biocombustíveis ou na de hidrogênio azul.

A respeito da matriz energética da aviação, o Programa quer criar condições necessárias para introdução do bioquerosene  e para uma política integrada desse biocombustível com o diesel e a nafta verde. O setor marítimo também está incluído no programa, buscando-se a inserção de combustíveis sustentáveis nesse modo de transporte.

Os trabalhos ainda devem incentivar operadores do setor de óleo e gás a investir recursos de pesquisa e desenvolvimento em temas relacionados ao Programa Combustível do Futuro.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Já existe algumas tecnologias consolidadas na Europa (como o uso de GNL) que neste nosso país que há uma boa rede que pode gerar o dito “corredor” para uso dos veículos. Quem anda de veículo com GNV sabe: é possível viajar bem com uma carga de GNV pelos 600 km entre São Paulo e Curitiba por exemplo.

    Basta ampliar os pontos de abastecimento e gerar parcerias com as empresas de ônibus para adoção de abastecimento GNV nas garagens.

    No Brasil, imagino que para a migração de matriz de petróleo para elétrica, estamos ignorando os híbridos, já testados no país. A adoção de veículos pesados com tecnologia de matriz híbrida talvez seria uma boa forma de iniciar nossa migração. Afinal, com sistemas híbridos, teremos a vantagem do torque dos veículos elétricos com a autonomia do uso do motor a combustão.

    Lembrando que já existem caminhões elétricos rodando no país, mas geralmente para serviços metropolitanos – com raio de atuação até 300 km a partir do ponto de operação, o que significa que o veículo tem uma autonomia de ida para volta entre 100 a 150 km (uma viagem São Paulo – Sorocaba ou São Paulo – Campinas por exemplo).

Deixe uma resposta