História

HISTÓRIA EM RETRATOS: Evolução em Pernambuco e Alagoas

Caio Aritana da Palmeirense em Maceió (AL)

Dos ônibus da Caio Norte aos modelos com ar-condicionado, estados progrediram com os transportes

ADAMO BAZANI/MARIO CUSTÓDIO

O transporte coletivo é sinônimo de evolução.

Graças aos serviços de transportes públicos, sejam em redes ou mesmo linhas de ônibus que vão onde nenhum outro meio de transporte coletivo consegue alcançar, muitas pessoas tiveram acesso a oportunidades para uma vida melhor.

A evolução do transporte coletivo é muito além dos ônibus e envolve diversos aspectos como modelos de contratos de concessão, concepção de redes integradas com diferentes meios, bilhetagem eletrônica, monitoramento dos serviços, entre outros.

Mas as carrocerias e chassis conseguem contar um pouco de como era viver nas cidades nas décadas passadas e como era o nível de exigência do passageiro.

Ônibus robustos, com chassis de caminhão, lataria forte, enfrentavam vias com pouca infraestrutura.

Ar-condicionado? O que hoje é exigência em alguns editais de licitação e contratos, era algo que as pessoas com 30 anos de idade ou mais nem sonhavam em ônibus urbanos, suburbanos e metropolitanos.

Pelas lentes do consultor e pesquisador Mario dos Santos Custódio é possível perceber este fato.

Custódio desta vez leva o leitor do Diário do Transporte a Caruaru (PE), Garanhuns (PE), Maceió (AL) e São Miguel dos Campos (AL) em épocas diferentes.

As fotos de 1981 e de 2010 mostram esta evolução.

As imagens também mostram uma página importante da história: a Caio Norte.

Foi uma subsidiária da Caio (Companhia Americana Industrial de Ônibus) de São Paulo, instalada em Jaboatão (PE).

A Companhia Industrial de Ônibus do Nordeste (Caio Norte) contou com recursos da Sudene – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, do Governo Federal, para ser instalada.

A Caio Norte foi concebida em 1962 e inaugurada em 1966, sendo desativada definitivamente no fim dos anos 1990 com o estado falimentar da Caio ainda sob administração da família Massa. Posteriormente, em 2001, o Grupo Ruas, de José Ruas Vaz, assumiria a massa falida da empresa.

As fotos de Mario Custódio mostram um raro Caio Jubileu, da empresa Santo Antônio, em Maceió, no ano de 1981, modelo feito entre 1969/70 e 1977/78; e outro também histórico, um Caio Aritana, da empresa Palmeirense, também retratado em 1981, em Maceió. O Aritana foi produzido entre 1982 e 1987/88 (período aproximado).

Outro modelo histórico, mais conhecido, é o Caio Bela Vista, modelo produzido, em diferentes versões, entre os anos 1968/69 e 1976 (datas aproximadas).

Na foto, de abril de 1981, em São Miguel dos Campos (AL), da empresa Borborema, Mario Custódio relata um detalhe interessante: a grade frontal do Bela Vista do Caio Norte era disposta numa posição inversa aos do Caio Bela Vista produzidos em São Paulo.

Acompanhe o relato de Mario Custódio.

Na edição de número 13 de Coluna História em Retratos, do Diário do Transporte, neste domingo, 11 de abril de 2021, vamos até Caruaru (PE), Garanhuns (PE), Maceió (AL) e São Miguel dos Campos (AL). As fotos de hoje foram tomadas por mim em abril de 1981 e em dezembro de 2010.

Perceberão os leitores que os sistemas de transporte estão em constante evolução e que os ônibus nos levam aos mais próximos e também aos mais distantes locais.

Observem então os ônibus das empresas Palmeirense e Santo Antonio. As carrocerias são diferentes das que estamos acostumados a ver, mesmo em casos de modelos mais antigos. Assim como o ônibus da Borborema, grande empresa da Região Nordeste, que estava em São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, com um exemplar da saudosa carroceria Caio Bela Vista. A grade frontal invertida remete à sua filial da época, a Caio Norte.

Finalizando nossas observações, vemos dois belos ônibus, um Spectrum da Caruaruense e um Viale da Jotude, ambos em operação no interior de Pernambuco por duas grandes empresas nordestinas.

Ou seja, tanto nas capitais e regiões metropolitanas quanto nas cidades do interior é possível colocar ônibus de vanguarda para os usuários-clientes das companhias de ônibus, além de apor belos designs na imagem dos ônibus, demonstrando um dos princípios do marketing de comunicação: a imagem de uma empresa é o meio pela qual ela se insere nas mentes dos públicos de relacionamento. E assim deveria ser, na minha eterna opinião, em todos os ônibus de todas as empresas.

Pena que em muitos casos as empresas não têm identidade própria, não permitindo aos passageiros, usuários-clientes, possam identificar com precisão os ônibus que os servem.

Veja as imagens:

Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Mario dos Santos Custódio, pesquisador e consultor em transportes

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