Produção de ônibus no Brasil acumula queda de 13,4%, com alta de 7,9% no mês de março

Caminho da Escola representa 26% do número de ônibus emplacados em março. Foto: Divulgação / VWCO.

Balanço foi divulgado pela Anfavea na manhã desta quarta-feira (07)

JESSICA MARQUES

A produção de ônibus no Brasil acumula uma queda de 13,4% de janeiro a março de 2021. O levantamento foi divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) na manhã desta quarta-feira, 07 de abril de 2021.

Apesar do saldo negativo, março apresentou uma alta de 7,9% em comparação ao mesmo período de 2020. No mesmo mês no ano passado, foi registrado o período inicial da pandemia de covid-19, com restrições mais rígidas, inclusive com fechamento de fábricas.

Ainda segundo a Anfavea, de janeiro a março de 2020, foram produzidos 5.974 chassis. No mesmo período deste ano, foram contabilizadas 5.176 unidades.

Comparando março deste ano com o mesmo mês de 2020, a produção passou de 1.992 para 2.150 unidades. Assim como ocorreu no ano passado, no último mês os estados brasileiros também determinaram medidas restritivas em combate à pandemia.

“É um número no geral positivo, dadas as adversidades que tivemos nesses últimos tempos e nesse último mês”, avaliou o vice-presidente da Anfavea, Gustavo Rodrigo Bonini.

Enquanto no acumulado do ano o número de chassis produzidos para ônibus rodoviários caiu 67,4%, a produção de urbanos aumentou 0,5%. Confira os números, na íntegra:

LICENCIAMENTO

O número de emplacamentos de ônibus também caiu no acumulado do ano, passando de 3.661 para 3.331, o que representa uma queda de 9%, de acordo com a Anfavea.

“Ainda em março tivemos a contribuição do programa Caminho da Escola, que representa pouco mais de 1/4 do volume que a gente teve ao longo os últimos meses, 26% desse volume é relativo a esse programa e pelo menos para o próximo mês tem um número menor, que pode afetar um pouquinho estes números”, afirmou Bonini.

Confira a média estimada de participação de cada segmento no setor de ônibus durante o primeiro trimestre de 2021:

26% – Caminho da Escola;

33% – mini e micro ônibus;

21% – urbano;

11% – rodoviários;

8% – fretamento;

1% – articulados.

“Tem uma representatividade razoável o Caminho da Escola. Talvez tenha uma redução deste volume nos próximos meses, agora com relação à divisão do restante, esse foi o segmento que mais foi afetado. Nos últimos meses, se nós não tivéssemos o Caminho da Escola, esse volume seria ainda menor do que a gente vem observando”, disse também Bonini.

Confira os números, na íntegra:

LICENCIAMENTO POR SEGMENTO

Na comparação de março de 2020 com março de 2021, os segmentos de ônibus e automóveis apresentaram números negativos ao longo das semanas. Contudo, os setores de comerciais leves e caminhões tiveram resultados positivos.

Confira:

“Quando a gente fala de crescimento, é de 2021 comparado a 2020, que já faz parte da projeção que nós desenhamos para 2021. Se a gente avaliar os últimos meses, eles estão compatíveis inclusive com o que tivemos de resultado no final do ano passado. Já se mostra uma estabilidade, sempre olhando uma média dos três últimos meses. Temos que ter o cuidado de não avaliar um mês em específico”, pontuou Bonini.

FÁBRICAS FECHADAS

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, detalhou que, em 31 de março de 2021, 14 montadoras estavam com parada total ou parcial no Brasil, em seis estados. O número representa 30 fábricas afetadas, envolvendo aproximadamente 65 mil funcionários, que ficaram parados.

“Várias cidades nessas regiões decidiram fechar, por antecipação de feriados. As empresas também aproveitaram esse momento para ajudar a produção, por conta de falta de componentes, peças etc, que também estavam afetando a produção. Isso contribuiu para diminuir a circulação de pessoas nas cidades onde a gente tinha essas decisões das autoridades”, explicou Moraes.

Nesta quarta (07), cinco montadoras estão paradas total ou parcialmente, o que afeta diretamente 10 fábricas em quatro estados e cerca de 5.500 funcionários. A projeção é de que a produção seja retomada na próxima semana.

A situação detalhada inclui apenas montadoras da Anfavea, considerando os seguintes estados brasileiros:

RANKING DE MARCAS

Conforme já noticiado pelo Diário do Transporte, a Volkswagen Caminhões e Ônibus passou a Mercedes-Benz no ranking de marcas divulgado pela Anfavea e agora é líder de mercado. O levantamento considera a quantidade de ônibus emplacados no acumulado do ano.

Confira o ranking, na íntegra:

1º) MAN/Volkswagen: 1.184 unidades, alta de 58,3%;

2º) Mercedes-Benz: 1.122 unidades, queda de 45,9%;

3º) Agrale (inclui os miniônibus da Volare): 558 unidades, alta de 27,4%;

4º) Iveco (inclui os miniônibus CityClass): 333 unidades, alta de 356,2%;

5º) Volvo: 113 unidades, queda de 10,3%;

6º) Scania: 16 unidades, queda de 88,8%.

EXPORTAÇÃO

O número de ônibus exportados no acumulado do ano apresentou uma queda de 16,3%.

A redução mais expressiva foi em rodoviários, pois no segmento as exportações caíram 37,6%. Em urbanos, o número de chassis exportados teve alta de 1,8%.

Os principais mercados de destaque para exportação de ônibus são Chile, Argentina, Peru, África do Sul e Angola, segundo Bonini.

Confira os números, na íntegra:

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta