Estudos técnicos são realizados na Vila de Paranapiacaba para recuperação do Pátio Ferroviário

Também está sendo feita uma investigação sobre o potencial para a economia criativa da região. Foto: Leo Giantomasi / Divulgação.

Projetos executivos são elaborados pela empresa Brasil Restauro – Arquitetura e Cultura, com patrocínio da MRS e apoio da Prefeitura de Santo André

JESSICA MARQUES

Estudos técnicos estão sendo realizados na Vila de Paranapiacaba para recuperação do Pátio Ferroviário. O vilarejo está localizado em Santo André, no ABC Paulista.

Os projetos executivos estão sendo elaborados pela Brasil Restauro – Arquitetura e Cultura, com patrocínio da MRS e apoio da Prefeitura de Santo André. O objetivo é produzir mapas e textos detalhados para a recuperação do patrimônio material, além de uma investigação sobre o potencial para a economia criativa da região, que poderá gerar recursos para os moradores e mantenedores das riquezas da vila.

Em nota, a Prefeitura informou que a estruturação dos projetos executivos começou em fevereiro de 2021 e tem prazo estimado de seis meses para sua conclusão. A intenção é de que os projetos executivos em desenvolvimento indiquem “caminhos para uma maior integração entre poder público e comunidade para a geração de ideias que possam unir a conservação da memória a projetos de crescimento da região por meio do turismo e da cultura, por exemplo”.

O valor aprovado de R$ 445.570,69 é patrocinado pela MRS Logística, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Com área total de 3.452,13 metros quadrados, área construída de 465,86 metros quadrados e área urbanística de 2.986,27 metros quadrados, o Pátio Ferroviário faz parte do patrimônio histórico e ambiental da Vila Ferroviária de Paranapiacaba, tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), desde 2002; Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo), desde 1987; e pelo Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André), desde 2003.

“A MRS tem feito muitas ações de restauro nos últimos anos. Nossa preocupação tem sido encontrar destinações adequadas para os espaços restaurados. Formas de congregar o poder públicos local, as comunidades e entidades, como a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), para a criação de projetos sustentáveis, que gerem renda e trabalho usando o patrimônio histórico recuperado. O estudo em andamento é essencial para que se encontre uma vocação para o Pátio Ferroviário. Há vários exemplos de outras cidades no mundo que foram bem sucedidas em ações assim e isso é o primeiro passo para atrair mais empresas privadas para iniciativas como essa”, afirmou o gerente geral de Relações Institucionais da MRS no estado de São Paulo, José Roberto Lourenço, também em nota.

“A ação conta com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente, que tem trabalhado sistematicamente no projeto de recuperação da Vila de Paranapiacaba. A parceria com a MRS só veio a somar forças e energias para que as entregas acontecessem, já tivemos exemplos bem sucedidos com a Torre do Relógio, nas cabines de sinais e comando. Recuperar o Pátio Ferroviário e fazer o estudo de viabilidade da economia criativa vai aliar o restauro de prédios e estruturas históricas ao bem estar da comunidade, que sempre clama por aprimoramento e novas formas de tornar a vila autossustentável”, completou o secretário de Meio Ambiente de Santo André, Fabio Picarelli.

Na arquitetura, os projetos executivos são os mapas e textos que detalham as ações técnicas de conservação e restauro necessárias para a recuperação de um imóvel. Por meio de visitas à vila e estudos, a equipe da Brasil Restauro vai coletar informações, preparar plantas, desenhos e cálculos que incluem ainda novos planos de paisagismo, para o entorno do Pátio Ferroviário, e uma pesquisa fotográfica das edificações, destacando elementos arquitetônicos, ornamentos, estruturas etc. Segundo a Brasil Restauro, todo o projeto seguirá as normas técnicas e respeitará as características originais do local para que, no futuro, com precisão, seja feito o restauro do Pátio Ferroviário.

“A Brasil Restauro pensa na arquitetura para o bem estar das pessoas e da comunidade. A realização dos projetos executivos para o Pátio Ferroviário será o primeiro passo para que, de forma planejada, seja feita a recuperação deste espaço histórico. Com isso, a vila poderá melhorar a qualidade de vida dos moradores e visitantes, além de atrair recursos financeiros para a região”, afirmou a arquiteta Fabiula Domingues, diretora da Brasil Restauro.

DETALHES DO PROJETO

Em nota, a empresa detalhou o projeto que está sendo realizado em Paranapiacaba. Confira:

A Brasil Restauro também vai realizar um estudo sobre o potencial da região para a economia criativa, conjunto de atividades econômicas que têm como matérias-primas a criatividade e as habilidades dos indivíduos ou grupos que as oferecem. O objetivo do projeto é dar aos habitantes da região a possibilidade de desenvolver atividades ligadas à história, à cultura, ao turismo, à culinária e à preservação da natureza.

Esse trabalho será realizado com o apoio da Garimpo de Soluções, empresa especializada no assunto e presente há 18 anos no mercado. Um plano estratégico de economia criativa, focado no desenvolvimento de negócios, será elaborado para Paranapiacaba, segundo as vocações da vila e as suas singularidades e potencialidades.  Parte fundamental do trabalho será feita por meio de entrevistas em profundidade (técnica de pesquisa qualitativa para produzir informações mais completas e detalhadas) – com moradores da vila, especialistas em patrimônio e pesquisadores da história da região – que trarão dados como o talento para o empreendedorismo e as principais dificuldades da economia local.

Também estão planejadas palestras, a serem definidas se online ou presenciais, entre a equipe multidisciplinar do projeto – composta por arquitetos, economista, turismólogo e historiador – e a comunidade da vila. Entre os temas: os potenciais econômicos da região e o turismo cultural.

O site da Brasil Restauro (www.brasilrestauro.com.br) irá disponibilizar os relatórios dos projetos executivos, assim como o conteúdo das palestras, que terão legendas e Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Além do patrocínio da MRS Logística, os projetos executivos para o Pátio Ferroviário da Vila de Paranapiacaba têm apoio da Prefeitura de Santo André; do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo) e do Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André).

Localizado na parte alta da Vila de Paranapiacaba, o núcleo urbano implantado em frente à estação ferroviária possui características arquitetônicas e urbanísticas oriundas da tradição luso-brasileira, associadas ao emprego de material e técnica construtiva adotados pelos ingleses da São Paulo Railway, que controlavam a ferrovia e construíram a vila no século XIX.

HISTÓRIA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani.

Paranapiacaba é uma vila criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem grandes empreendedores, como Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, idealizador da linha; governos; investidores internacionais e grandes barões do café, já que o principal objetivo da ligação ferroviária foi inicialmente facilitar a exportação da produção, com o escoamento do produto do interior paulista até o Porto de Santos e, de lá, para ao mundo.

Também marcou a história da chamada Vila Inglesa, que tem até uma réplica do relógio Big Ben, o trabalho anônimo dos milhares de ferroviários que aturaram no ir e vir de pessoas e mercadorias e na construção de uma sociedade que deixava de ser rural para se tornar predominantemente urbana. Um destes profissionais foi Romão Justo Filho.

Confira a história, na íntegra:

HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Carlos Rogério disse:

    Gostaríamos que também os trens de passageiros fosse reativados!

Deixe uma resposta