Empresas de ônibus do Rio de Janeiro acumulam déficit de receita de R$ 1,2 bilhão em um ano de pandemia

Informações foram divulgadas pelo Rio Ônibus. Foto: Divulgação.

Média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão no período

JESSICA MARQUES

O Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de ônibus do Rio de Janeiro, informou que acumula um déficit de receita de R$ 1,2 bilhão. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira, 16 de março de 2021, e considera o período de um ano de pandemia de covid-19.

Ao longo deste tempo, a média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão, também segundo o sindicato. Além disso, em um ano, deixaram de ser transportados 500 milhões de passageiros na cidade.

Em nota, as empresas de ônibus pontuam que a crise no setor vai além da pandemia. O sindicato cita como responsáveis pelo problema a falta de subsídios, a fiscalização deficiente ao transporte clandestino e a queda na receita das empresas, entre outros pontos.

Confira a nota das empresas de ônibus, na íntegra:

Ao completar um ano de mudanças de comportamento social, o Rio Ônibus acumula déficit de receita de R$1,2 bilhão. A média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão. Ao longo do período, deixaram de ser transportados 500 milhões de passageiros na cidade.

O transporte é atividade essencial para manutenção e retomada da economia. Mesmo diante do caos gerado pelo vírus da Covid-19, o setor não parou, e vem fazendo sua parte, encarando as incertezas e mantendo ativa a possibilidade de deslocamento da população.

Para garantia de maior distanciamento entre o público e mais oferta de lugares, são necessários recursos para recuperação e manutenção de veículos. Diferentemente de São Paulo e tantas outras cidades, o Rio não conta com subsídios ou verbas públicas para custeio do serviço de ônibus. Por isso, os cariocas foram muito prejudicados pelo veto do Governo Federal ao auxílio financeiro aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado aos operadores de transportes no país, que garantiria fôlego ao sistema, proporcionando um padrão de viagem mais adequado à população.

Em 2020, além das luzes que se acenderam sobre as deficiências nas regras de custeio de operação e manutenção do transporte público, se observou o crescimento das viagens individuais em carros de aplicativos desregulamentados e dos transportadores de vans piratas. A recorrente falta de fiscalização permitiu que o sistema ilegal avançasse sobre a cidade e deixasse de ser paralelo, acabando com as propostas de planejamento urbano do município e instalando o caos no transporte público.

A falta de subsídios, a fiscalização deficiente ao transporte clandestino e a queda na receita das empresas se somam a questões crônicas, dentre as quais o não ressarcimento pelas gratuidades (20% do total transportado); o congelamento da tarifa há mais de 26 meses; as condições viárias e mobiliário urbano degradado; bem como a falta de investimentos em segurança pública, que resulta em vandalismo, incêndios, paralisação e sequestro de veículos por criminosos em diferentes pontos da cidade.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Aliado à falência ética e moral generalizada do estado.Uma cacetada de empresas foi alvo de denúncias de corrupção e ligação com o crime organizado nos últimos anos,a maioria das denúncias fruto da Lava-Jato.Muitas delas até fecharam.

  2. Santos Dumont disse:

    Começamos por uma pergunta simples: se por conta dessa pandemia eu sou colocado em home office (ou sou demitido) o povo deve sustentar aquele ônibus rodando enquanto permanece tal situação?
    A resposta óbvia é: NÃO. Para o dono da Van, do ônibus, do táxi e até do particular, a ordem é colocar o veículo na garagem. E aguardar.
    Devemos evoluir na maneira como fazemos o transporte, e daí entendemos que enquanto um direito do cidadão é um dever do estado, é este que deve prover o serviço essencial. Assim, as empresas de transporte devem passar a frotistas, provedor do veículo e de pessoal, enquanto ao estado cabe a função de gestor do sistema de transporte. Se ele requer mais ônibus, convoca a frota adicional e a coloca onde necessário, mas se for o contrário, recolhe (devolve) ao frotista.
    O que não pode é as empresas serem detentoras de permissões e sentirem-se donas do gado, do mercado e cobrarem a manutenção de seus status de intocáveis.
    Há exemplos bem sucedidos desse tipo de sistema e estudos em centros universitários que auxiliam prefeituras e estados nesses nova realidade.

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