ÁUDIO: Operação contra adulteração de combustíveis e ALRA 32 descobre movimentação de R$ 4,8 bilhões

Integrantes do esquema criminoso se valiam de imóveis de alto padrão.

Trabalhos foram realizados pelo Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal; 11 mandados foram cumpridos

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal realizaram nesta segunda-feira, 15 de março de 2021, a segunda fase da Operação Arinna que investiga uma série de crimes relacionados à adulteração de combustíveis, entre os quais o diesel S-10 e do agente redutor líquido ARLA 32, que é para que ônibus e caminhões cumpram as normas vigentes do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

A força-tarefa apresentou na manhã desta segunda o resultado da operação, numa entrevista coletiva, os resultados preliminares dos trabalhos.

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, sendo nove no Estado de São Paulo e dois em Mato Grosso: Valinhos, Paulínia, Araraquara, Ibaté, Ribeirão Bonito (SP) e Cocalinho (MT) e Cuiabá (MT).

A estimativa da força-tarefa é que a organização criminosa movimentou em três anos, R$ 4,8 bilhões em recursos, como explicou a superintende-adjunta da Receita Federal de São Paulo, Mirela Batista.

O esquema teria possibilitado à organização criminosa investigada sonegar tributos federais estimados em R$ 270 milhões.

De acordo com o Policial Rodoviário Jason Terêncio, a operação começou por meio de fiscalizações de ônibus e caminhões em rodovias.

“Uma força tarefa através de uma ação que se iniciou através da fiscalização policial ostensiva, da Polícia Rodoviária Federal, para veículos pesados. Então percebeu-se uma adulteração, na verdade costumeira do aditivo ARLA 32, assim como também do combustível diesel S-10. A partir daí percebeu-se também que não só em São Paulo, mas em outras unidades da federação também” – disse

Ouça:

O promotor Alexandre de Andrada Pereira, em resposta ao Diário do Transporte, disse que a prática gera danos ambientais, muito embora não é possível mensurar os impactos precisamente. Há também danos aos consumidores pelo fato de as adulterações prejudicarem os motores dos veículos.

Mensurar qual é o dano ao meio ambiente em decorrência dessas emissões a gente não tem. É evidente que se há uma queima irregular de combustível, você tem, em algum grau, um prejuízo ambiental. Entretanto, a gente consegue enxergar de uma forma mais clara, é um dano ao consumidor. O combustível adulterado vai, em algum momento, gerar um dano ao correto funcionamento do motor do veículo”, explicou

Ouça:

A adulteração se dava a partir da Nafta, como explica o MP em nota

Apurou-se que as empresas Sun Energy Indústria e Comércio, Importador e Exportador de Lubrificantes e Aditivos Eireli e Confidence Trading Comércio, Importação e Exportação de Produtos Químicos Eireli, alvos da primeira fase da operação, comercializaram, aproximadamente, R$ 82 milhões de Nafta.

As duas companhias obtinham autorização da Agência Nacional do Petróleo para aquisição de Nafta sob a justificativa de que o produto seria utilizado como insumo pela  indústria petroquímica.

Mediante cruzamentos realizados, foi possível visualizar que as aquisições de Nafta estavam sendo financiadas por pessoas e empresas vinculadas ao setor de combustível.

Essa substância desperta muito interesse de organizações criminosas em razão da sua composição química ser muito semelhante à da gasolina e por ter um custo menor.

O MP ainda apontou o uso de contas de laranjas para despistar a Receita Federal.

O principal financiador do “esquema”, que também figura como um dos grandes devedores da Fazenda Nacional e do Estado de São Paulo, para permanecer oculto nas operações de importação e comercialização dos  produtos citados, utilizou contas de terceiros, as quais acolheram créditos superiores a R$ 490 milhões no transcorrer de três anos.

A primeira fase da operação começou em 15 de outubro de 2020 com o levantamento de provas e documentação.

Empresas de fachada e o envolvimento de centenas de postos em todo o País são alvos de investigação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

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