Viações de Goiânia soltam toda a frota, mas dizem que não têm ônibus suficientes só para passageiros sentados

Ônibus mais antigos estão sendo usados nas linhas também

Justiça deu 48 horas para que decreto que proíbe usuários em pé nos coletivos seja cumprido

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus que operam a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) informaram por meio de um comunicado que liberaram para operar toda frota que está em condições de rodar: a frota programada, a frota extra e mais a reserva técnica em condições de conservação para rodar.

Em nota, o diretor executivo do RedeMob Consórcio, Leomar Avelino, disse que alguns ônibus podem apresentar problemas.

“Importante informar que alguns veículos podem apresentar algumas pequenas imperfeições, uma vez que parte das manutenções corretivas precisaram ser adiadas para que toda a frota esteja em operação”, disse

Segundo o executivo, apesar de toda a frota em circulação, a quantidade não é suficiente para atender ao decreto da prefeitura que determina que sejam transportados apenas passageiros sentados.

De acordo com as viações, seriam necessários 1.850 veículos convencionais para levar apenas passageiros sentados nos horários de pico, cerca de mil a mais que a frota atual.

“Seria necessário um incremento de aproximadamente 1.000 ônibus na frota existente da RMTC para transportar passageiros somente sentados no período do lockdown, conforme determinação legal e judicial. Isto significa praticamente dobrar a quantidade de ônibus convencionais e articulados na operação em relação à quantidade prevista nos contratos de concessão e que eram utilizados antes da existência da pandemia por covid-19”, disse na nota Leomar Avelino.

O juiz José Proto de Oliveira, da 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal, determinou na quarta-feira, 10 de março de 2021, que as empresas que atuam na Região Metropolitana de Goiânia (RMG) cumpram o decreto municipal circulando com os ônibus apenas com os passageiros sentados. O magistrado deu 48 horas para o cumprimento.

A nota das empresas diz que não houve redução significativa de passageiros principalmente nos horários de pico e no Eixo Anhanguera que recebe passageiros das 18 cidades da região metropolitana e possui a maior concentração de pessoas por meio de terminais de integração como o Terminal Padre Pelágio, Bíblia e Praça A.

As viações ainda alegaram que a frota insuficiente apenas para passageiros sentados ocorre também na Metrobus, que é a empresa pública da região.

“De acordo com estudos técnicos da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), para que a Metrobus, empresa estatal, possa operar com apenas passageiros sentados na realidade atual seriam necessários mais 200 ônibus para rodar apenas no Eixo Anhanguera para conseguir atender a demanda no horário de pico. Hoje são 99 ônibus entre articulados e biarticulados em operação. Portanto seriam necessários quase 300 ônibus no total para atender ao transporte de apenas passageiros sentados no eixo. Uma frota 2 vezes maior do que a que a Metrobus já teve em toda sua história e na história do Eixo Anhanguera”. – diz a nota.

A solução para este momento exige um esforço coletivo para que a população fique em casa. Porque com o volume de ônibus disponível no sistema, que corresponde a 100% da frota, mesmo com o esforço de todas concessionárias e do trabalho árduo de mais de quatro mil empregados do sistema, será impossível nos horários de pico transportar a todos os passageiros que estão circulando neste momento pelos 18 municípios da região metropolitana e, em especial, pela capital do Estado de Goiás. Uma realidade que não se aplica apenas à Goiânia, mas a todo o Brasil. Não há um único exemplo no país que possa ser tomado como referência, seja na pandemia ou antes dela que, em horário de pico, seja possível transportar apenas passageiros sentados em veículos de uso coletivo. 

 “Reiteramos pedido à imprensa em geral, a todos formadores de opinião, que nos ajudem a conclamar para que as pessoas fiquem em casa, que neste momento crítico de pandemia, diante do lockdown estabelecido na nossa capital, façam o uso do transporte coletivo apenas em casos essenciais”, completou o comunicado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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