Setut aceita proposta da prefeitura de Teresina de pagar dívida acumulada com as empresas de ônibus em 20 parcelas

Ao centro, vice-presidente do Setut, em coletiva on-line nesta sexta (03).

Em coletiva na manhã desta sexta-feira (03), representante do Sindicato dos empresários disse que apesar de não ser ideal, pagamentos permitirão pagamento dos salários atrasados dos motoristas

ALEXANDRE PELEGI/WILLIAN MOREIRA

Em coletiva à imprensa na manhã desta sexta-feira, 05 de março de 2021, da qual participou o Diário do Transporte, o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT), Marcelino Lopes, revelou que os empresários aceitaram proposta feita pela prefeitura da capital piauiense nesta semana de quitação da dívida acumulada até setembro de 2020.

Segundo Marcelino, por contrato a prefeitura deveria pagar a diferença entre a tarifa técnica (quanto custa para operar o sistema) e a tarifa pública, aquela que o usuário efetivamente paga.

Por este cálculo, a dívida acumulada com as empresas alcançou R$ 20 milhões, que deveriam ser pagos em 10 parcelas de R$ 10 milhões, aproximadamente.

Na proposta apresentada pela prefeitura, e aceita pelo Setut nesta semana, a dívida será paga com uma entrada inicial de R$ 1,6 milhão e 20 parcelas mensais de R$ 970 mil.

Marcelino afirmou que, mesmo não sendo suficiente para equilibrar o caixa das empresas, pelo menos estes recursos auxiliarão no pagamento dos salários atrasados dos motoristas de janeiro e fevereiro deste ano.

Ele lembrou que para quitar esta dívida com os trabalhadores será necessário recorrer ao sistema bancário, uma vez que o valor total é de R$ 2 milhões. “Como a prefeitura nos repassará R$ 1,6 milhão, teremos de completar com mais R$ 400 mil”, disse Marcelino.

Myrian Aguiar, assessora do Setut, fez questão de lembrar que o pagamento da dívida da prefeitura com as empresas de ônibus, que agora foi finalmente equacionada, refere-se, no entanto, somente até setembro de 2020. “A prefeitura precisa pagar a dívida referente aos meses que se seguiram, de outubro de 2020 até hoje, e esta é outra questão que terá de ser resolvida”, Myrian disse.

Marcelino saudou a notícia do acordo entre prefeitura e Setut para socorrer o transporte da capital, mas lamentou que o sindicato dos motoristas se recusa ainda a participar da solução.

Faltou o sindicato nessa união. Nós propusemos uma trégua. Vamos quitar os atrasados, e propusemos a eles o acompanhamento semanal, se for o caso, da retomada da demanda a partir de agora, para que eles possam verificar quanto teremos condições de realizar algumas melhorias”, disse o vice-presidente do Setut.

Marcelino ainda pontuou que o momento atual não é para tratar de questões sindicais como a convenção anual, mas sim de manter os postos de trabalho, uma vez que a conta não está fechando e existe um déficit de receitas. Myrian Aguiar também explicou que a conta mensal das empresas gira em torno de R$ 5,7 milhões, mas o arrecadado com as tarifas chega somente a R$ 3 milhões, R$ 2,7 milhões abaixo do necessário.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes e Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Marco Franco disse:

    Parabéns às partes por conseguirem chegar a um bom termo que apesar de não ser o ideal para ambos, foi o possível no momento e suficiente para colocar fim a esse impasse. O caminho é esse: união para o bem comum e principalmente para JUNTOS superar as crises que afetam a todos, principalmente a população que depende dos serviços essenciais de transporte coletivo urbano.

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