Produção de ônibus no Brasil tem queda de 24,3% no acumulado do ano, segundo a Anfavea

Volkswagen Caminhões e Ônibus passou Mercedes-Benz e lidera mercado no acumulado do ano. Foto: Divulgação / VWCO.

Segmento é o mais afetado pela pandemia, com grande dificuldade de recuperação, segundo o vice-presidente da associação

JESSICA MARQUES

A produção de ônibus no Brasil teve uma queda de 24,3% no acumulado do ano. O levantamento foi divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) na manhã desta sexta-feira, 05 de março de 2021.

Nos dois primeiros meses deste ano, foram produzidos 3.015 chassis, comparados a 3.982 no mesmo período de 2020. Comparando os meses de fevereiro, a queda foi de 37,8%, passando de 2.556 para 1.589 unidades.

Por sua vez, de janeiro para fevereiro de 2021, houve um aumento de 11,4% no número de chassis fabricados. No primeiro mês do ano, foram 1.426 unidades, enquanto no segundo, foram 1.589.

LICENCIAMENTO

O número de ônibus licenciados nos dois primeiros meses de 2021 também caiu. A redução foi de 22,6%, passando de 2.778 para 2.151 veículos emplacados.

Na comparação de fevereiro com o mesmo mês de 2020, a queda é de 12,8%, de 1.286 para 1.122 ônibus licenciados, também segundo a Anfavea.

O único resultado positivo é na comparação de janeiro com fevereiro, com um aumento de 9%, passando de 1.029 para 1.122 licenciamentos de um mês para o outro.

Em entrevista coletiva, o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, ressaltou que os números são menores, então os percentuais podem parecer mais significativos.

“Se a gente comparar com fevereiro de 2020, há uma queda de 12,8%, o que mostra novamente que o segmento de ônibus é o mais afetado pela pandemia, ainda com uma dificuldade de recuperação”, avaliou.

RANKING DE MARCAS

A Volkswagen Caminhões e Ônibus passou a Mercedes-Benz no ranking de marcas divulgado pela Anfavea e agora é líder de mercado. O levantamento considera a quantidade de ônibus emplacados no acumulado do ano.

No período, foram licenciados 671 ônibus da Mercedes-Benz, o que representa uma queda de 58%. Enquanto isso, a Volkswagen Caminhões e Ônibus teve uma alta de 42,2% no número de emplacamentos, com 795 unidades.

Confira o ranking, na íntegra:

1º) MAN/Volkswagen: 795 unidades, alta de 42,2%;

2º) Mercedes-Benz: 671 unidades, queda de 58%;

3º) Agrale (inclui os miniônibus da Volare): 360 unidades, alta de 13,9%;

4º) Iveco (inclui os miniônibus CityClass): 230 unidades, alta de 461%;

5º) Volvo: 84 unidades, queda de 11,6%;

6º) Scania: 9 unidades, queda de 92,8%.

EXPORTAÇÃO

O número de ônibus exportados no acumulado do ano apresentou uma queda de 32,6%. A redução mais expressiva foi em rodoviários, onde as exportações caíram 60%. Em urbanos, o número de chassis exportados caiu 2,7%. Confira os números, na íntegra:

MERCADO NACIONAL DE VEÍCULOS

De acordo com o levantamento mensal da Anfavea, fevereiro teve 197 mil autoveículos produzidos no Brasil, 3,5% a menos do que no mesmo mês do ano passado e 1,3% abaixo de janeiro.

Segundo a associação, desde a crise de 2016 não havia um número tão baixo para o mês. O acumulado de 396,7 mil do bimestre é 0,2% maior que o de 2020, mas isso se deve à suspensão das férias coletivas em janeiro deste ano por parte de várias empresas.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que desde agosto de 2020 há uma “neblina” que ainda não permite clareza no horizonte. Portanto, não é possível prever quando haverá uma recuperação dos setores de produção de veículos no Brasil.

Moraes citou como causas para a situação a segunda onda da pandemia de covid-19, questões logísticas e de oferta de insumos, o aumento da carga tributária, a fragilidade do mercado de trabalho e o desafio fiscal.

“Infelizmente estamos observando a pandemia, incertezas sobre a questão do ajuste fiscal, atividade econômica indicando que poderemos ter um primeiro semestre mais difícil. Já se fala até de crescimento próximo a zero ou recessão no primeiro trimestre. A inflação, que muitos indicavam que era pontual e ia voltar ao normal, hoje vemos que não é bem assim”, listou o presidente da associação.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta