Operação da PF e PGR investiga esquema de corrupção do TRT-RJ que envolve empresas de ônibus

Operação também resultou na prisão de quatro desembargadores. Foto: Divulgação.

Na manhã desta terça (02), foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão para recolhimento de provas

JESSICA MARQUES

Uma operação da PF (Polícia Federal) em conjunto com a PGR (Procuradoria-Geral da República) está investigando um esquema de corrupção do TRT-RJ (Tribunal Regional de Trabalho da 1ª Região, do Rio de Janeiro) que envolve empresas de ônibus.

Na manhã desta terça-feira, 02 de março de 2021, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão para recolhimento de provas. Os mandados foram emitidos pela ministra Nancy Andrighi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A operação investiga indícios de que parentes de magistrados do TRT-RJ tenham atuado ilegalmente em processos de empresas de transporte, além de terem cometido práticas ilegais envolvendo organizações sociais.

As irregularidades teriam sido cometidas por meio do chamado “Plano Especial de Pagamentos do TRT-RJ”. O objetivo era centralizar os pagamentos dos devedores trabalhistas.

Por meio deste plano, quando uma empresa consegue centralizar as dívidas, as execuções que foram distribuídas em varas de trabalho ficam suspensas. Assim, é possível evitar bloqueios de contas e as empresas conseguem manter as operações comerciais em andamento.

Em nota ao Diário do Transporte, os consórcios que operam o sistema de ônibus do Rio de Janeiro informaram que a centralização é uma alternativa jurídica que está disponível na legislação.

Confira o posicionamento, na íntegra: “A centralização é uma alternativa jurídica disponível na legislação, utilizada para equilibrar pagamentos de débitos trabalhistas, preservar vagas de trabalho e manter a operacionabilidade do sistema de transporte de passageiros por ônibus. Os consórcios aderiram ao sistema de forma legal, através da contratação de advogados, desconhecendo qualquer possibilidade de existência de irregularidades”.

PRISÕES

Segundo informações do portal O Globo, quatro desembargadores foram alvos de prisão: Marcos Pinto da Cruz, José da Fonseca Martins (ex-presidente do TRT), Fernando Antonio Zorzenon da Silva (ex-presidente do TRT) e Antonio Carlos de Azevedo Rodrigues.

Além disso, a operação também resultou na prisão de Eduarda Pinto da Cruz, irmã e operadora de Marcos Pinto da Cruz; Sônia Regina Dias Martins, esposa e operadora de José da Fonseca Martins Júnioor; Marcello Cavanellas Zorzenon da Silva, filho e operador de Fernando Zorzenon; Leila Maria Gregory Cavalcante de Albuquerque, esposa e operadora de Antonio Carlos Rodrigues; Pedro D’Alcântara Miranda Neto, advogado de empresas de ônibus; o advogado Manoel Messias Peixinho e a esposa Suzani Andrade Ferraro.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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