Reunião deve ocorrer nesta semana e endurecimento de regras pode ser anunciado. Secretários de Saúde enviam carta à gestão Bolsonaro pedindo que aja de fato contra a covid-19 e citam aviação e transportes interestaduais
ADAMO BAZANI
Colaboraram Jessica Marques e Willian Moreira
O Estado de São Paulo deve ter medidas mais duras de restrição à circulação e às atividades comerciais para o enfrentamento do avanço da covid-19 que, se continuar no atual ritmo, em poucos dias pode sair do controle e colapsar os sistemas de saúde tanto da rede pública como privada.
Em entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira, 01º de março de 2021, o coordenador do Centro de Contingência da covid-19, Paulo Menezes, disse que a situação atual é preocupante porque a transmissão está muito alta e que o comitê vai recomendar ao governador João Doria que sejam adotadas medidas mais restritivas.
“Sem dúvida é extremamente preocupante o que nós estamos observando. Eu posso dizer que a velocidade de crescimento de internações que nós estamos assistindo nos últimos dias não tinha sido vista anteriormente nesse um ano de pandemia. A transmissão está muito alta e a forma principal de reduzir a transmissão é evitar que as pessoas se encontrem. Para isso, existem as medidas restritivas. O Centro de Contingência está discutindo quais recomendações fará esses dias para o Governo. Eu acredito que vai ser no sentido de maior restrição para a maior parte do Estado de São Paulo. Também já tinha adiantado que estamos discutindo outras possibilidades, especificamente a possibilidade de ter uma classificação talvez mais restritiva do que a vermelha. Mas já adianto que a nossa classificação vermelha já é bastante restritiva e ela é muito semelhante à classificação mais restritiva de muitos estados e de muitos países, inclusive.” – disse Paulo Menezes
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Já o coordenador-executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, disse que os 27 secretários estaduais de Saúde enviaram uma carta oficial à gestão do presidente Jair Bolsonaro pedindo que agora o Governo Federal aja de verdade contra a covid-19.
Para Gabbardo, até então, as principais ações são dos governadores e prefeitos enquanto que o Governo Federal só adota uma postura reativa e ainda confunde a população sem medidas unificadas, minimizando a pandemia, estimulando o uso da cloroquina sem comprovação científica e, ainda segundo o coordenador-executivo, dando mau exemplo como promovendo aglomerações e até criticando o uso de máscaras.
Gabbardo já atuou no Ministério da Saúde quando Luiz Henrique Mandetta era ministro que saiu após divergências quanto à política de Bolsonaro frente à pandemia.
Segundo Gabbardo, os secretários de Saúde estaduais querem que agora o Ministério da Saúde tome à frente do processo, o que não fez até hoje, para ter posições claras e objetivas, como um toque de recolher a partir das 20h, por exemplo.
“O ponto de referência é uma correspondência que hoje está sendo encaminhada ao Ministério da Saúde dos 27 secretários estaduais da Saúde com exatamente isso, chega ! A partir de agora o Ministério da Saúde tem que assumir a responsabilidade deste processo. E são algumas posições muito claras e objetivas em relação ao que está solicitando o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde tem que dizer que a partir de agora está proibido qualquer tipo de aglomeração, qualquer tipo de evento presencial. O Ministério da Saúde deve dizer a partir de agora, estou colocando a posição dos secretários estaduais de saúde, o toque de recolher a partir das 20h no Brasil inteiro, todo o país.”
O coordenador ainda diz que é necessário renovar o Estado de Emergência no Brasil que venceu e, com isso, inviabiliza ações mais integradas contra a covid-19.
“Está sendo solicitado que o Governo Federal faça com que a sua responsabilidade, o controle das praias, o fechamento das praias, da utilização destes espaços por um determinado período, tudo isso é por um determinado período. Além disto, o reconhecimento do Estado de Emergência que já venceu o prazo e nós estamos sem a legislação que dá a segurança em função do Estado de Emergência.”
Sobre a transmissão do vírus, inclusive das novas variantes, Gabbardo alega que é necessário um plano nacional de comunicação e ação mais enérgica do Governo Federal no controle de atividades sobre as quais estados e municípios não têm ingerência, como transporte aéreo e transporte interestadual, considerando ônibus rodoviários e rodovias.
“E o outro ponto extremamente importante, o Plano Nacional de Comunicação, isto é fundamental para que a gente possa ter algum resultado daqui para a frente. Tem algumas questões que são as barreiras sanitárias que não são prerrogativa dos governadores, e a gente sabe que hoje a circulação das variantes, a situação do vírus ocorre seguindo o roteiro do transporte aéreo e quem é que pode fechar o transporte aéreo não são os governadores. A transmissão do vírus e dessas variantes tem ocorrido através do transporte interestadual e quem é que pode legislar sobre o transporte interestadual é o Governo Federal. Então acho que a partir de agora nós não podemos mais, secretários, governadores, prefeitos, ficarmos tentando soluções próprias para o enfrentamento da pandemia.”
OUÇA:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Jessica Marques e Willian Moreira
