Diário no Sul

Marcopolo divulga estudo que identifica categorias de viajantes de ônibus e analisa impacto da pandemia sobre eles

Para o diretor de Operações Comerciais e Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan, “Este é o jeito brasileiro de viajar”

Análise feita a partir de milhares de manifestações em redes sociais mostra que as viagens rodoviárias seguem prioritárias na vida dos brasileiros 

ALEXANDRE PELEGI 

Intitulado “Marcopolo – Estudo de Hábitos de Consumo”, um trabalho encomendado pela líder na fabricação de carrocerias de ônibus no Brasil conseguiu captar características importantes dos passageiros no país durante o período de pandemia. 

Realizado pela Orbit DataScience, o trabalho partiu de uma base de quase 9 mil comentários a respeito de viagens intermunicipais de ônibus, de janeiro e setembro de 2020. 

Na essência, uma informação alentadora: apesar das preocupações sanitárias, as viagens de ônibus são as preferidas dos passageiros. O levantamento apontou que 64% dos comentários que comparam ônibus e avião, dizem preferir viajar via terrestre.  

Além disso há inúmeras manifestações de saudades de pegar a estrada por este meio de transporte. 

No fim, o trabalho concentrou-se em uma amostra de 1.810 comentários, todos coletados nas principais redes sociais – Facebook, Instagram e Twitter.  

Na sequência, eles foram classificados em 2.395 opiniões, das quais 1.006 foram positivas, 784 negativas e 605 referentes às questões sanitárias. 

CINCO GRUPOS DE PASSAGEIROS

Graças à análise realizada nesses três blocos, o trabalho conseguiu identificar cinco grupos (clusters) característicos de opiniões dos passageiros:  

No primeiro deles foram classificados os passageiros chamados de “reflexivos”. São aqueles que compõem o principal grupo de opiniões positivas sobre viajar de ônibus. São opiniões que citam o gosto por olhar pela janela e refletir durante a viagem, associando o hábito ao consumo de músicas ou vídeos. Os passageiros reflexivos são também os mais saudosistas.  

No segundo grupo estão os passageiros “executivos”, aqueles que gostam de viajar de ônibus para poder trabalhar, ou seja, a produtividade vale mais do que a introspecção. Para esse tipo de passageiro são importantes características como tomadas nos assentos, WIFI, cabines executivas e leitos. 

Reunidos no principal grupo de comentários negativos sobre viajar de ônibus estão aqueles classificados como “inseguros”. A análise identificou que o medo de viajar “sozinha” foi mencionado dez vezes mais do que o medo de viajar “sozinho”, indicando a predominância de mulheres neste grupo. Não à toa que comentários como “tenho medo de assédio em ônibus” foram mencionados quatro vezes mais do que “tenho medo de assalto em ônibus”. 

No quarto grupo estão os “desconfortáveis”, grupo formado por comentários de passageiros que agregam à viagem sensações como cansaço, desconforto e enjoo. Um dos principais problemas é o fator tempo das viagens, principal motivo das reclamações, seguida de longe pelos comentários de que os assentos são desconfortáveis. 

Por fim, há o grupo dos chamados “exigentes (Covid)”, formado por comentários de pessoas que participaram pontualmente da discussão sanitária a respeito das empresas de ônibus durante a pandemia. São opiniões sobre a necessidade do uso da máscara ou sobre protocolos de biossegurança para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. 

O diretor de Operações Comerciais e Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan, afirma que o estudo revela que as viagens rodoviárias seguem prioritárias na vida dos brasileiros, “pela conveniência, custo e facilidade de acesso às cidades de todo o País, em comparação com os demais meios de transporte”.  

Este é o jeito brasileiro de viajar”, ele dize prossegue dizendo que o estudo mostra também que são muitos os desafios a vencer, “como a questão da insegurança, por exemplo, que requer iniciativas de diversas frentes. O objetivo do estudo é justamente termos insights que nos levem a aprimorar cada vez mais a mobilidade no Brasil”, conclui o executivo.  

FATOR PANDEMIA 

Pela amostra do estudo, 36% dos comentários nas redes sociais sobre viagens de ônibus já faziam menção à pandemia e ao contexto sanitário já em março do ano passado.  

O estudo mostrou ainda que o impacto da pandemia sobre os passageiros reverberou por todos os meses analisados, quando a preocupação em relação ao contágio provocou, em média, 30% das postagens. 

Enquanto as manifestações sobre o uso de álcool em gel e a higienização dos ônibus foram predominantes entre março e abril, nos meses seguintes, como forma de evitar a contaminação, os principais comentários se referiam à exigência do uso de máscara, do distanciamento social e da diminuição da lotação. 

Em todos os meses da pesquisa, dos 605 comentários que manifestaram preocupações sanitárias, 61% se referiram a medidas de segurança por parte das empresas de ônibus. Foi no mês de setembro que as reclamações quanto à aplicação dos protocolos atingiram o pico, coincidindo com o fortalecimento da retomada das atividades comerciais.

RESULTADOS:


 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Chrisomar disse:

    Excelente abordagem da marcopolo sobre o motivo dos passageiros eu como busologo me identifiquei numa dessas categorias. Gostaria de ver comparativo sobre motores e carrocerias apesar de ter opinião já feita sobre o assunto.

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