FNDE discute com fabricantes especificações técnicas para ônibus do Caminho da Escola

Técnicos do FNDE em audiência pública virtual

Licitação para a compra de 6,9 mil novos ônibus escolares foi revogada. Produtores de chassis e carrocerias dizem que preços devem ser atualizados porque custos subiram e faltam matéria-prima

ADAMO BAZANI

Após a anulação de uma licitação que possibilitaria a compra de 6,9 mil ônibus no âmbito do Programa Caminho da Escola, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) promoveu audiência pública virtual na tarde desta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021, para definir as especificações técnicas de ônibus urbanos e rurais para o transporte de estudantes.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 12 de fevereiro de 2021, o Governo Federal publicou o aviso de revogação da concorrência. O pregão estava marcado para ocorrer em 07 de janeiro de 2021.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/12/governo-federal-revoga-licitacao-de-69-mil-onibus-para-o-caminho-da-escola/

Os fabricantes de ônibus apontaram para a necessidade de atualização dos valores dos veículos, já que o edital que foi anulado trazia preços que estavam defasados.

O gerente de marketing de produto da Iveco Bus, uma das maiores fornecedoras para o Caminho da Escola, Roberto Pavan, explicou que atualmente, além de preço, a falta de matéria-prima é um dos problemas enfrentados pela indústria.

“O índice que era utilizado para calcular os investimentos para esta licitação ficariam fora da realidade do que a gente está passando neste momento no País e no Mundo. Estes aumentos que a gente está tendo de matéria-prima são mundiais. Além de aumentos, todas as montadoras e as encarroçadoras estão passando por uma dificuldade de abastecimento, estão faltando insumos, matéria-prima. Essa dificuldade de abastecimento se soma ao aumento de preços” – explicou.

Segundo Pavan, os técnicos do FNDE demonstram que entenderam o quadro.

“O pessoal do FNDE deixou muito claro que entendeu a situação e o próximo passo que foi sinalizado é que isso será mensurado para se adequar a esta nova realidade.  Os técnicos foram muito conscientes e profissionais” -completou Pavan.

Um novo edital, com as especificações técnicas e novos valores deve ser lançado pelo FNDE, vinculado ao Ministério da Educação, mas a data ainda não foi definida.

Também há perspectiva de que o número de ônibus licitados não seja mais de 6,9 mil unidades, podendo ser reduzido.

Por muito tempo, ainda mais em épocas de restrição de mercado, como agora, o Caminho da Escola foi considerado a “tábua de salvação” para a indústria de ônibus.

Em alguns momentos, o Caminho da Escola chegou a representar de 30% a 35% de todo o mercado de ônibus.

Segundo o FNDE, em nota, a licitação vai envolver cinco tipos de Ônibus Rural Escolar (ORE), com capacidades entre 13 e 59 estudantes sentados, e dois de Ônibus Urbano Escolar Acessível (Onurea), que podem receber até 29 estudantes sentados.

O presidente do FNDE, Marcelo Ponte, disse na mesma nota que o modelo de compra do Caminho da Escola, que dispensa licitações semelhantes para comprar os veículos devido ao sistema de adesão de municípios e estados a uma ata de registro de preços do Fundo, agiliza o processo de aquisição do ônibus e permite valores menores por causa do ganho de escala.

“Essa licitação centralizada feita pelo FNDE, na forma de pregão eletrônico, é, permitam-me a expressão, uma ‘mão na roda’ para os entes federativos, que economizam tempo e dinheiro” disse

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta