Doria decreta “toque de restrição” entre 23h e 05h em todo o Estado de 26 de fevereiro a 14 de março

São Paulo bateu nesta semana o recorde de internações em UTI por causa da doença

ADAMO BAZANI

O governador João Doria anunciou nesta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021, medidas extras ao Plano São Paulo, com endurecimento de regras e maiores restrições para tentar frear o avanço da covid-19 no Estado.

Doria decretou toque de recolher entre 23h e 05h em todo o Estado de 26 de fevereiro a 14 de março e chamou a medida de “toque de restrição”

O funcionamento dos serviços continuam os mesmos, como os serviços essenciais, mas haverá uma fiscalização mais rígida. As abordagens vão apurar o motivo de as pessoas estarem nas ruas entre 23h e 05h, segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen

Os transportes públicos, como ônibus, trens e metrô, vão continuar funcionando enquanto vigorar o “toque de restrição” do Governo do Estado de São Paulo, que vai ocorrer diariamente entre 26 de fevereiro e 14 de março, das 23h às 05h.

Carros de aplicativo e táxis também poderão operar normalmente.

De acordo com o governador João Doria, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021, quem estiver voltando do trabalho, por exemplo, não vai ser punido.

“Nós não iremos, evidentemente, punir alguém que estiver retornando para sua casa. O transporte público não será interrompido, ele será restringido, limitado, mas não interrompido, e nem vamos penalizar alguém que trabalhou até 22h, por circunstâncias pega dois transportes para chegar até sua casa e excede o horário de restrição. Ele chegará a sua casa e não será multado. É preciso bom senso. Estamos trabalhando dentro do bom senso. Essa não é a pessoa que está ferindo e rompendo o Plano São Paulo. Esse é um trabalhador ou uma trabalhadora retornando para sua casa”.

Ouça:

Todavia, quem estiver circulando neste período poderá ser parado pela Polícia para justificar o motivo do deslocamento.

A equipe do Governo do Estado explicou que as fiscalizações vão priorizar as aglomerações e atividades não autorizadas.

Poderão funcionar neste período, atividades essenciais, como supermercados, farmácias, unidades de saúde humana e animal, postos de combustíveis, ônibus, trólebus, trem, VLT (Veículos Leves sobre Trilhos), monotrilho, carros de aplicativo, táxis, ônibus rodoviários, ônibus fretados, segurança privada, entre outras.

De acordo com o coordenador do centro  de contingência da covid no Estado de São Paulo, Paulo Menezes, se o ritmo de contágio continuar desta maneira, em três semanas todos os leitos de UTI estarão esgotados.

O diretor-executivo do Procon, Fernando Capez, disse na coletiva que juntamente com as entidades de segurança pública, o órgão vai fazer uma força-tarefa contra os estabelecimentos comerciais que descumprirem a restrição. Dependendo do caso, a multa pode chegar a R$ 10 milhões 260 mil

O secretário de segurança pública, general João Campos, disse na coletiva que a Polícia Militar fará blitz em vias públicas e usará mensagens de áudio para o cumprimento da regra.

Na última segunda-feira (22), o coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, em entrevista coletiva ao lado do governador Doria, já havia alerto para este endurecimento diante do fato de o Estado de São Paulo ter batido nesta semana recorde de internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde o início do reconhecimento da pandemia no Brasil, em março de 2020.

As medidas também impactam, mesmo que indiretamente, os transportes públicos, como ônibus, trens e metrôs.

Em 19 de fevereiro de 2021, a gestão João Doria fez a 22ª reclassificação do Plano São Paulo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/19/doria-atualiza-classificacao-das-cidades-no-plano-sao-paulo-com-presidente-prudente-e-barretos-na-fase-vermelha/

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 40%, horário reduzido para oito horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos.  Foram incluídos na atualização dos critérios as atividades de salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados com restrições. Ainda de acordo com a atualização anunciada em 08 de janeiro de 2021, todas as atividades permitidas puderam funcionar oito horas por dia (antes eram quatro horas) e a ocupação dos estabelecimentos na fase laranja passa de 20% para 40% da capacidade.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos, salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados com restrições. O governo do Estado antecipou para esta fase as academias, parques e salões de beleza e barbearias.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

TRANSPORTES: OFERTA MAIOR QUE DEMANDA E FONTES EXTRA-TARIFÁRIAS:

Toda alteração no Plano São Paulo é acompanhada de perto pelo setor de transportes.

Nos casos de flexibilização maior há impactos diretos na demanda de passageiros de ônibus, trens e metrô, e também aumento no trânsito de veículos particulares.

Em relação ao transporte público, de acordo com os especialistas, o ideal é ampliar a oferta de ônibus e composições num percentual maior que o da demanda para evitar superlotação e risco maior de contágio. Ao mesmo tempo, tem sido um desafio manter os sistemas economicamente sustentáveis com uma oferta maior que a demanda, num cenário ideal de operação neste momento.

O consenso é que os sistemas de transportes não devem depender apenas das tarifas, mas obter formas de subsídios externos para a continuidade dos serviços.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Fabio Almeida disse:

    Vale pra cracolândia também?

  2. William Santos disse:

    Eu nao consigo entender as decisões desse governador. Parece que tem medo de aplicar regras mais pesadas logo para freiar o avanço da doença. Porque não poe o toque de recolher à partis das 22h logo? E outra, nao está claro como a pessoa que está na rua será autuada ou não. Como eles vão saber que realmente ela está saindo do trabalho? Se eu sair de carro após esses horario, para ir em uma drogaria ou qualquer outro motivo, vou ser autuado? Enfim, falta clareza, falta entendimento, falta tudo!

    1. Silvana Cardoso disse:

      Eu Trabalho até às 00:00 horas. é Hospital e sei que vou demorar pra chegar em casa.

  3. Rodrigo zika disse:

    Na periferia não existe toque de recolher, muito menos não aglomerações.

  4. Angel disse:

    É verdade na campanha política não tinha restrição no tinha punição não tinha nada tudo para dar um voto a vocês hoje vocês são eleitos querem pisar no nos eleitores Mas vamos para frente à eleição né só vez para o ano para vez vai ter a mais outra vezes espero que vocês tomem vergonha na cara e esquecer político que nunca mais nós são paulino ou do Estado de São Paulo município ou intermunicipal jamais deram volta vocês vocês são um bando de lixo eu tô botando comentário para esse comentário sirva de exemplo para vocês político lixo lixo lixo lixo

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