Introdução da eletromobilidade e de tecnologias inovadoras no sistema de transporte paulistano é foco de convênio entre SPTrans e Politécnica da USP

Frota de elétricos passou a oeprar na capital paulista em 19 de novembro

Termo de Cooperação tem validade de cinco anos e estudos poderão ser utilizados em temas como demanda de transportes e análises origem-destino das viagens

ALEXANDRE PELEGI

A SPTrans, gerenciadora do transporte coletivo da cidade de São Paulo, firmou um “Termo de Cooperação Técnica” com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), cujo objeto comum é buscar subsídios técnicos e científicos para a promoção da melhoria da mobilidade urbana na capital.

Um extrato do convênio, assinado em 1 de dezembro de 2020, foi publicado no Diário Oficial dessa quarta-feira, 18 de fevereiro de 2021.

O prazo total do convênio de cooperação é de 60 meses, contados a partir da assinatura.


A SPTrans informou em nota ao Diário do Transporte que o foco dos trabalhos é aprimorar os estudos sobre mobilidade urbana na cidade e buscar a melhoria da qualidade dos serviços ofertados à população paulistana, “notadamente o transporte coletivo e sua influência social, ambiental e econômica”.

Ainda segundo a nota, a parceria foi proposta considerando a importância de se desenvolver estudos, projetos e atividades na área de transporte público contando com a excelência em pesquisa realizada pela tradicional e reconhecida Escola Politécnica, juntamente com a expertise adquirida pelos técnicos da SPTrans.

A SPTrans irá fornecer uma base de dados e também irá participar dos estudos, além de prestar apoio institucional em palestras e/ou seminários de capacitação que serão elaborados pela EPUSP”, informa a empresa municipal.

Caberá à Superintendência de Engenharia Veicular e Mobilidade Especial da SPTrans numa fase inicial supervisão das tratativas referentes ao convênio, mas a cooperação deverá envolver diversas áreas da empresa.

A São Paulo Transportes especificou que os estudos produzidos pela parceria entre as duas instituições “poderão ser utilizados na elaboração de projetos sobre mobilidade urbana como envolvendo temas como demanda de transportes, análises origem-destino das viagens, introdução da eletromobilidade e de tecnologias inovadoras no sistema de transporte paulistano”.

FROTA MAIS LIMPA

A Lei Municipal 16.802 de 2018 determina que todos os ônibus do sistema municipal da capital paulista terão de reduzir as emissões de poluição de forma significativa em 10 anos e zerar alguns tipos de poluentes em 20 anos.

Em suma, ela dispõe sobre o uso de fontes motrizes de energia menos poluentes e menos geradoras de gases do efeito estufa na frota de transporte coletivo da cidade de São Paulo.

Pela Lei, os operadores dos serviços de transporte coletivo por ônibus, e também das empresas que prestam serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos e hospitalares, deverão promover a redução progressiva das emissões de CO2 (dióxido de carbono) de origem fóssil, e de poluentes tóxicos emitidos na operação de suas respectivas frotas, por meio da utilização gradual de combustíveis e tecnologias mais limpas e sustentáveis.

No entanto, a situação não demonstra progresso na aplicação das medidas definidas em cronograma pela legislação. Pelo contrário.

Como apontou o Diário do Transporte, há um grande e inexplicável atraso na implementação da Lei 16802/2018.

O COMFROTA, Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas instituído pela legislação, completou em agosto de 2020 quase um ano sem a convocação de uma única reunião.

A dúvida que fica é se haverá tempo e condições para a cidade cumprir os prazos definidos pela Lei para redução dos gases poluentes, e ao mesmo tempo garantir o equilíbrio financeiro dos contratos de concessão, uma vez que não há incentivos para tecnologias limpas como em outros países. Afora isso, a pandemia trouxe uma queda drástica na demanda que afetou todo o segmento.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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