Ônibus de São Paulo tiveram redução de 36% na oferta e ficaram 8% mais rápidos em janeiro de pandemia. Poluição é 50% menor

Ônibus da cidade de São Paulo

Dados são do primeiro Boletim do Monitor de Ônibus SP, do IEMA, que mostram ainda que coletivos paulistanos têm poluído menos por renovação

ADAMO BAZANI / ALEXANDRE PELEGI

A oferta de transportes por ônibus na cidade de São Paulo caiu 36% em janeiro de 2021, ano de pandemia, em comparação a janeiro de 2016, mas ficaram 8% mais rápidos na comparação entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021.

Os dados fazem parte do Boletim do Monitor de Ônibus SP, do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), lançado nesta sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021.

É a primeira edição do acompanhamento que deve ser atualizado a cada dois meses.

Segundo o IEMA,  “a redução pode ser consequência de fatores como a pandemia, a reestruturação de linhas e a eliminação de itinerários relacionada à inauguração de estações de metrô”.

A quilometragem média por tipo de ônibus percorrida em dias úteis na cidade caiu na comparação entre janeiro de 2016 e janeiro de 2021 de 1,079 milhão para 599 mil no caso dos ônibus mini e midi (35 a 68 passageiros); de 1,558 milhão para 867 mil no caso dos ônibus básicos e padrons (74 a 110 passageiros) e de 470 mil para 345 mil nos articulados (129 a 198) passageiros.

O IEMA chegou ao percentual de oferta multiplicando a capacidade de cada tipo de ônibus pela extensão percorrida (lugares x km).

Já em relação à velocidade dos ônibus municipais de São Paulo, o boletim mostra que em janeiro de 2020, a média do sistema era de 17,3 km/h. Em janeiro de 2021, a velocidade média subiu 8% passando para 18,6 km/h.

O IEMA pondera que é necessário levar em conta que janeiro é um mês de férias escolares, quando habitualmente os ônibus circulam mais rapidamente do que no restante do ano devido ao menor número de pessoas e veículos em circulação.

Sobre a poluição, o IEMA aponta que as emissões de poluentes do sistema de ônibus da capital em janeiro de 2021 foram significativamente menores do que as de janeiro de 2016.

As emissões de dióxido de carbono (CO2) representaram em janeiro de 2021 -43% quando comparadas a 2016; a dos poluentes óxidos de nitrogênio -52%; e as emissões de material particulado (MP) -71%.

Em janeiro deste ano houve queda na oferta de transporte por ônibus em comparação a janeiro de 2106.

O boletim do IEMA registra uma queda de 36% na oferta, e pondera que esse percentual pode ser explicado por dois fatores: a pandemia (que reduziu o número de ônibus) e a reestruturação de linhas realizada pela SPTrans.

Na questão tecnológica o boletim do IEMA aponta que em janeiro de 2016 a frota de ônibus do sistema de transporte coletivo da capital paulista tinha 99% dos veículos movidos a diesel, e apenas 1% de ônibus elétricos (trólebus).

Em janeiro de 2021 esse percentual se modificou muito pouco: 98% a diesel e 2% elétrico (trolebus e bateria).

Por outro lado, os ônibus em 2016 eram majoritariamente do tipo Euro 3 (Proconve 5), representando 63% da frota, e apenas 26% com tecnologia Euro 5 (Proconve 7). Cinco anos depois, houve uma grande renovação, e hoje apenas 17% dos ônibus têm tecnologia Euro 3 (fabricados antes de 2012) e 81% a tecnologia Euro 5 (fabricados após 2012).

Com a renovação de Euro 3 para Euro 5 houve um ganho de eficiência ambiental, pois como ressalta o IEMA, “ônibus mais novos têm sistemas mais eficazes de controle de emissões”.

De acordo com o IEMA, a “frota total de ônibus da capital paulista emitiu até 50% menos gases de efeito estufa e poluentes do ar quando comparada com a frota de janeiro de 2016. Houve, assim, melhora geral da questão ambiental e da saúde da população da cidade.”

PRIORIDADE AOS ÔNIBUS FAZ BEM PARA A SAÚDE DAS PESSOAS:

Segundo o IEMA, com melhor desempenho, tendo prioridade no espaço urbano, a operação dos ônibus pode trazer ganhos ambientais e benefícios à saúde das pessoas.

“ investir em faixas exclusivas e corredores de ônibus pode ser uma das soluções para cumprir o Artigo 50 da Lei de Mudanças Climáticas (Lei Municipal 14.933 de 2009), que aborda a redução de emissões do transporte público na cidade. Afinal, os ônibus podem circular em melhor velocidade com esses recursos viários”

O pesquisador do IEMA, Felipe Barcellos, disse em nota que e “os ônibus podem trafegar com maior fluidez e continuidade por meio de corredores ou mesmo faixas exclusivas, já que não competem por espaço viário com outros veículos, sobretudo com o automóvel”. “Dessa maneira, os ônibus ficam menos parados no trânsito e diminuem o intervalo médio de suas viagens, o que também reduz suas emissões atmosféricas”, complementa.

Para o IEMA, a “melhora de velocidade gera uma cascata de impactos positivos. Quando circulam com menos paradas ou menor congestionamento, os veículos emitem menos gases de efeito estufa (GEE) e poluentes do ar pelo escapamento. Também por isso, as emissões de dióxido de carbono (CO2), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP) emitidos na combustão foram 43%, 52% e 71% menores, respectivamente, do que no mesmo mês há cinco anos. Claro que essa redução também reflete a diminuição na quilometragem total percorrida pelos ônibus paulistanos, além da renovação tecnológica da frota”.

Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. PEDRO disse:

    E isso ai vão diminuindo a oferta de ônibus e vocês vao ver o número de passageiros diminuirem até chegar perto de zero, o que atrai cliente e oferta e conforto nesse caso as empresas junto com esse governo do menos ao povo emais aos empresarios.

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