Retração na produção de ônibus em SP e RS contribuiu para aumento das perdas da indústria brasileira em 2020, diz IBGE

Entre as empresas que fazem carrocerias de ônibus no Rio Grande do Sul estão Marcopolo S.A.(Marcopolo, Volare e Neobus), Comil, BepoBus e Maxibus -Metalbus (foto).

Segundo balanço divulgado pelo instituto, produção industrial caiu em 12 dos 15 locais pesquisados, fechando com perdas de 4,5%

ADAMO BAZANI

A produção industrial brasileira fechou 2020 com queda de 4,5% em comparação ao ano anterior, quando não havia a pandemia de covid-19.

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM-REG), divulgada nesta terça-feira, 09 de fevereiro de 2021, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), já se esperava um resultado negativo por causa da doença, mas alguns setores e estados contribuíram com mais intensidade para a queda.

O analista da pesquisa do IBGE, Bernardo Almeida, disse em nota que a indústria de veículos foi um destes setores que puxaram para baixo os índices de produção geral no Brasil.

“Mesmo vindo de oito meses seguidos de resultados positivos, logo após as paralisações que aconteceram devido às medidas mais restritivas de isolamento social, o setor de veículos paulista fecha o ano no campo negativo. Isso é atribuído à baixa produção de automóveis, autopeças e, também, caminhões e ônibus”

Os estados de São Paulo com veículos em geral e de Rio Grande do Sul com as carrocerias de ônibus foram destacados pelo IBGE pelas perdas expressivas, respectivamente, como em primeiro e segundo lugares nas quedas.

São Paulo: carros, caminhões, ônibus, rolamentos, máquinas e equipamentos

Segundo o IBGE, São Paulo, que representa aproximadamente 34% da produção industrial brasileira e fechou 2020 com perdas de 5,7%, acumula outras baixas no ano.

O estado também teve queda na produção de máquinas e equipamentos, principalmente na confecção de máquinas para trabalhar matéria-prima na fabricação de pasta de celulose.

Outro segmento em queda expressiva no Estado de São Paulo foi o de rolamentos para equipamentos industriais.

Rio Grande do Sul: automóveis, autopeças e carrocerias para ônibus

O segundo estado que mais influenciou a queda no acumulado do ano na produção industrial foi o Rio Grande Sul (-5,4%), também por causa da retração no setor de veículos automotores, com queda na produção de automóveis, autopeças e carrocerias para ônibus.

Entre as empresas que fazem carrocerias de ônibus no Rio Grande do Sul estão Marcopolo S.A.(Marcopolo, Volare e Neobus), Comil, BepoBus e Maxibus (Metalbus).

 “Dentro da indústria gaúcha, temos também o setor de produtos de couro, artigos de viagens e calçados, que é bastante atuante dentro da indústria gaúcha e teve queda na produção de calçados femininos de couro e de material sintético”, completou o pesquisador na nota.

Outros estados em queda:

Os demais resultados negativos do ano foram registrados nas indústrias de Espírito Santo (-13,9%), Ceará (-6,1%), Amazonas (-5,5%), Bahia (-5,3%), Mato Grosso (-5,2%), Santa Catarina (-4,4%), Minas Gerais (-3,2%), Região Nordeste (-3,0%), Paraná (-2,6%) e Pará (-0,1%).

Apesar de alguns percentuais serem maiores que de São Paulo e Rio Grande do Sul, o IBGE considerou para o ranking o peso de cada um destes estados na produção geral brasileira.

Estados em alta em 2020:

Pernambuco, com alta de 3,7%, foi o principal avanço no índice acumulado de janeiro a dezembro de 2020, segundo o IBGE, pressionado, sobretudo, pelas atividades de produtos alimentícios.

“Houve aumento na produção de açúcar cristal, açúcar VHP e também de açúcar refinado de cana. Já um setor secundário nesse crescimento é o de produção de bebidas, que teve aumento na produção de cervejas e chopes, refrigerantes e aguardente de cana-de-açúcar”, explicou Bernardo.

No Rio de Janeiro a alta foi de 0,2% e, em Goiás, o ano de 2020 fechou positivo em 0,1%.

“A indústria fluminense acaba fechando o ano com um crescimento bem tímido, sendo impulsionado, principalmente, pelo setor extrativo, devido ao aumento na extração de óleos brutos de petróleo e gás natural. Em segundo plano, temos a indústria farmacêutica, com aumento na produção de medicamentos”, completou na nota.

Já Goiás teve seu crescimento impulsionado pela indústria de alimentos.

Adamo Bazani, jornalista especializam em transportes

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