Compilado de vídeos mostra as realidades e os contrates que conferiam um charme especial à cidade nesta época
ADAMO BAZANI
Uma megalópole agitada, marcada por trânsito, barulho, contrastes sociais, mas com um charme e uma identidade especial.
Assim já era São Paulo da década dos anos 1980. E esta matéria é uma forma de homenagear a cidade que faz aniversário neste 25 de janeiro
Na política, as esperanças da transição do regime militar para a Democracia.
Na economia, o fantasma da inflação assustava.
No urbanismo, o desafio dos frutos do crescimento desordenado que não parava. São Paulo atraía ainda pessoas de todas as partes do País em busca de uma vida melhor, mas já não tinha mais estrutura.
Nos transportes, dezenas de linhas de ônibus eram criadas todos os anos e o metrô ainda engatinhava sem crescer de maneira suficiente até hoje.
Que tal dar uma “volta de quase meia hora” na cidade nesta época?
É o que proporcionam as filmagens feitas por Jessé Murphy, dos Estúdios ISBL de Londrina, divulgadas por V.Frari, que faz um compilado de cenas entre 1984 e 1987.
O trânsito agitado mostrava a necessidade do ir e vir cada vez mais intensa e, para ajudar a atender este anseio, como sempre estavam os ônibus.
Que São Paulo precisa de mais trilhos, chega a ser até óbvio, mas a cidade deve e muito aos ônibus, que praticamente assumiram sozinhos a atribuição de transportes de massa por muito tempo e ainda são os principais meios de deslocamento coletivo.
E as cenas são de gerar suspiros em qualquer saudosista amante da história dos transportes e da cidade de São Paulo.
Empresas como CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), Viação Santa Cecília, Viação Gato Preto estrelam nas imagens, assim como modelos de ônibus históricos , como os monoblocos Mercedes-Benz O-362, Caio Gabriela, Trólebus Grassi, Trólebus Ciferal Amazonas (fruto do revolucionário Projeto Sistran – Sistema Integrado de Transportes de ampliação da rede de ônibus não poluentes) e o também “novinho” nas imagens, monobloco Mercedes-Benz O-364.
As cores dos ônibus também eram mais vivas e variadas, apesar de que nesta época, já havia uma padronização de pintura nas empresas privadas, o chamado “saia e blusa”, pela qual a saia (da metade da carroceria para baixo) indicava a região atendida e a blusa (parte superior) ficava a critério das empresas.
A CMTC, que era a empresa pública da cidade, também aparece com ônibus de pinturas diferentes resultantes de épocas diferentes em que os veículos eram comprados (cada prefeito queria por a sua cor e design), tipo de serviço (por exemplo, os Executivos ou os trólebus da geração Sistran) ou mesmo série de frota ou garagem.
As imagens somam quase meia hora e vale a pena dar esse passeio.
Mas atenção, se for compartilhar, não faça só com o vídeo, mas sim com a matéria toda pelo link do site. Afinal, imagens são legais, com informação, ficam melhores.
Bom passeio:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
