Paralisação na Cidade Real afeta 29 linhas de ônibus de Petrópolis (RJ) e reforço policial é solicitado

Transporte coletivo não está atendendo as regiões do Bingen, Mosela, arredores, como também a ligação entre a Rodoviária e o Centro da cidade. Foto: Divulgação.

Rodoviários pedem reintegração de 80 funcionários na empresa; Setranspetro afirma que ato é ilegal, pois salários e benefícios estão em dia

JESSICA MARQUES

Uma paralisação na empresa Cidade Real afeta 29 linhas de ônibus de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A operação foi interrompida às 4h desta terça-feira, 12 de janeiro de 2021.

Com o ato, o transporte coletivo não está atendendo as regiões do Bingen, Mosela, arredores, como também a ligação entre a Rodoviária e o Centro da cidade.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis alega que houve descumprimento, por parte da empresa, no processo de reintegração de aproximadamente 80 trabalhadores, sendo cerca de 25 motoristas e 65 cobradores, que deveriam ter retornado as atividades no último dia 04 de janeiro.

A recontratação deveria ter ocorrido com base no acordo assinado em agosto de 2020, também conforme informado pela categoria.

Por sua vez, o Setranspetro (Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis) informou, em nota ao Diário do Transporte, que “a paralisação não é legal e parece ter incitação política, já que todos os colaboradores da empresa estão com salários e benefícios em dia”.

Ainda segundo o Setranspetro, a Justiça concedeu uma decisão que solicita auxílio de força policial para que os ônibus da Cidade Real voltem a operar.

POSICIONAMENTO DOS RODOVIÁRIOS

Confira a nota do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis, na íntegra:

Na manhã da última segunda-feira, dia 11 de janeiro, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis, localizado à Rua Visconde de Souza Franco, 121- Centro – Petrópolis/ RJ, recebeu em sua sede cerca de 50 trabalhadores que fazem parte do corpo de profissionais da Viação Cidade Real/ Expresso Brasileiro Transportes, que vieram em busca de apoio diante do descumprimento, por parte da empresa, no processo de reintegração de aproximadamente 80 trabalhadores, sendo cerca de 25 motoristas e 65 cobradores, que deveriam ter retornado as atividades no último dia 04 de janeiro, visto acordo assinado em agosto de 2020.

Diante da chegada dos trabalhadores, o Sind. Rodoviários se mobilizou e caminhou até a Cptrans – Companhia Petropolitana de Transportes, onde foi realizada uma reunião emergencial em que estiveram presentes parte da diretoria e equipe do Sind. Rodoviários, o atual Presidente da Cptrans, Lucianao Moreira da Silva, o procurador do município Fábio Alves, e o Assessor Especial do Gabinete da Prefeitura Interina, Gustavo Soares, juntamente com o Diretor Executivo da Viação Cidade Real/ Expresso Brasileiro Transportes, Miguel Ângelo Viana e 04 trabalhadores, indicados pelo grupo de trabalhadores da empresa supramencionada.

Na reunião em questão ficou acordado verbalmente que os trabalhadores voltariam até a sede do Sind. Rodoviários com o intuito de realizar uma votação simples diante da proposta apresentada pela empresa, ou seja, manutenção de férias e parcelamento do pagamento das mesmas, em duas parcelas, o que não foi aceito pelos trabalhadores que participaram da reunião. Por fim, também ficou apalavrado que não haveria paralisação pelo menos até a sexta-feira, dia 15 de janeiro, data em que será realizada outra reunião de negociação entre o Sid. Rodoviários e a Viação Cidade Real/ Expresso Brasileiro Transportes para tratar das questões.

Por fim, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis reafirma seu papel de defender os direitos dos trabalhadores e ressalta a importância que haja negociação clara, objetiva e entre a empresa e o sindicato de forma a se que resguarde os direitos de todos os cidadãos, mas que também sejam observadas as questões legais para se fazer cumprir as próprias leis em vigência.

POSICIONAMENTO DA EMPRESA

Confira a nota do Setranspetro, na íntegra:

Com salários e benefícios em dia e em meio à negociação de acordo entre o Setranspetro e o Sindicato dos Rodoviários, a Justiça acaba de conceder a decisão que pede auxílio de força policial para que os ônibus da Cidade Real voltem a operar. Há o entendimento que a paralisação não é legal e parece ter incitação política, já que todos os colaboradores da empresa estão com salários e benefícios em dia.

Após a decisão da justiça, um homem que se diz um dos representantes dos manifestantes não quis acatar a decisão de liberar a operação das 29 linhas de ônibus, que continuam desde às 4h da madrugada desta terça-feira (12) sem atender as regiões do Bingen, Mosela, arredores, como também a ligação entre a Rodoviária e o Centro da cidade. O movimento atrapalha neste momento a circulação das pessoas que, inclusive, precisam acessar os hospitais da região para trabalharem e serem atendidas em meio à pandemia.

Dirigentes da Cidade Real tentam diálogo com os manifestantes desde os primeiros horários da operação de hoje. Ontem (11), em reunião na sede da CPTrans, que contou com a presença de representantes da Prefeitura, CPTrans, Câmara Municipal, Cidade Real, Setranspetro, Sindicato dos Rodoviários e colaboradores da empresa, ficou acordado que não haveria qualquer paralisação até que um novo acordo, que já está sendo desenvolvido entre o Sindicato dos Rodoviários e Setranspetro, fosse votado e concluído.

A crise que afeta o Sistema de Transporte fez com que as empresas de ônibus, assim como qualquer outra empresa do Brasil, aderissem à Lei Federal que permitia redução de carga horária e suspensão de contratos de trabalho com parte dos valores pagos pelo governo. Com o fim do vigor da lei em 31 de dezembro de 2020, as empresas de ônibus estão buscando alternativas para mais uma vez evitar demissões em massa, a exemplo do que vem acontecendo em vários municípios do país em outros sistemas de ônibus.

Petrópolis é um dos poucos municípios do país que está em dia com o décimo terceiro salário e férias, porque as empresas recorreram a empréstimos bancários. Em outras regiões estes vencimentos dos rodoviários foram parcelados e serão pagos ao longo do primeiro semestre do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta