Campinas fixa subsídio para ônibus em R$ 72 milhões, mas empresas dizem que é necessário o dobro

Ônibus urbanos de Campinas

Em decreto, prefeito diz que medida leva em conta a previsão de não aplicação de reajuste nas tarifas do Transporte Público para o ano de 2021. Viações alegam queda de demanda e aumento nos custos

ADAMO BAZANI

A prefeitura de Campinas, no interior de São Paulo, fixou em R$ 72 milhões o valor do subsídio para o sistema de ônibus municipais em 2021.

O decreto do prefeito Dário Saadi foi publicado no Diário Oficial de Campinas nesta quinta-feira, 07 de janeiro de 2021.

De acordo com o texto oficial, entre os fatores considerados para fixar o valor está a previsão de não aplicação de reajuste nas tarifas do transporte público para o ano de 2021.

Outro aspecto citado no decreto é a necessidade de operacionalização das linhas do sistema de transporte público nesta etapa pré-licitação para definir um novo sistema de ônibus   da finalização das obras do corredor BRT (Bus Rapid Transit).

As “graves” consequências para o sistema de transporte público decorrentes da perda de passageiros em função da pandemia também são citadas no decreto.

Na prática, houve um “congelamento” nos subsídios, já que o valor é o mesmo desde 2018, com exceção do ano passado, quando, por causa da pandemia, foram R$ 75,5 milhões.

EMPRESAS DIZEM QUE SERIA NECESSÁRIO O DOBRO:

As empresas de ônibus sustentam que para manter o sistema em operação adequada seria necessário, no mínimo, o dobro deste valor.

Segundo as viações, por causa ainda dos efeitos da pandemia, a demanda de passageiros está em torno de 60% do habitual.

Ao Diário do Transporte, o diretor de comunicação e marketing da Transurc (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas), Paulo Barddal , disse que além de a demanda de passageiros ser menor, os custos de operação aumentaram, o que pode prejudicar investimentos.

“O valor é insuficiente para manter o sistema em operação com a qualidade necessária, não permite também que se façam investimentos que são previstos em contrato, inclusive com renovação de frota, e, no mínimo, para manter o sistema de Campinas funcionando com qualidade, teria de ser o dobo do valor que foi fixado hoje no Diário Oficial de Campinas” – disse.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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