Proibição de fretados na virada do ano no Rio de Janeiro causa revolta em empresários do setor

Foto meramente ilustrativa

Empresários afirmam que medida é discriminatória, e estimam que 60 mil turistas deixarão de entrar na cidade. Proibição, no entanto, não atinge outros modais, como aviões e navios

ALEXANDRE PELEGI

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou no último sábado, 26 de dezembro de 2020, que proibirá a entrada na cidade de ônibus, microônibus e vans de fretamento, a partir do primeiro minuto de 30 dezembro até 6h de 1º de janeiro.

A medida foi transformada no Decreto 48.322, assinado pelo prefeito em exercício Jorge Felippe (DEM), e causou revolta nas empresas do setor, que estimam que 60 mil turistas não poderão ingressar na cidade.

Os empresários acusam a prefeitura de discriminação social.

Geraldo Maia, um dos diretores da Associação de Micros, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento e de Turismo do Estado de São Paulo, afirmou que há uma clara discriminação contra o acesso de turistas que utilizam os transportes reconhecidamente mais baratos e populares. “Isso causa um impacto social profundo e não combina com a tradição da própria cidade. O Rio de Janeiro fechou os braços aos mais pobres, com a desculpa de proteger a sociedade da pandemia”, acrescentou.

A Associação recorreu à Justiça para tentar derrubar o decreto da Prefeitura.

Dênis Marciano, diretor do Movimento Fretadores Pela Liberdade, qualificou a proibição como  um absurdo. “A malha aérea vai descer 300 ou 500 voos nesse período. A proibição só atinge vans e ônibus fretados. A regra teria que ser para todos. Não pode separar o modal rodoviário do modal aeroporto“, disse.

Reinaldo Ferreira, que preside a Associação Brasiliense das Agências de Turismo Receptivo (Abare), calcula que o prejuízo para as pequenas empresas e turistas é grande. Ele estima que apenas da região Centro-Oeste do país, cerca de 170 ônibus e vans, com aproximadamente 3400 passageiros, serão impedidas de chegar à capital.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. DIEGO disse:

    Decisão pra lá de acertada do poder público.

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