Dicas para viajar ou desistir da viagem de ônibus em época de pandemia

Ônibus rodoviário; passageiros devem estar atentos às condutas de higiene

Passagens podem ser remarcadas gratuitamente por terem validade de um ano; cuidados com higienização devem ser redobrados

ADAMO BAZANI

No início ou no meio de 2020, muita gente se programou para fazer uma viagem contanto que a pandemia de covid-19 já estaria sob controle no final do ano e início de 2021.

Mas não foi o que ocorreu.

No Brasil e em diversos países, os números de casos, internações e mortes aumentaram, o que deixou muita gente na dúvida: viajo ou não?

No caso de viagem de ônibus, para as duas opções, há dicas importantes de especialistas, empresas e gerenciadores públicas dos serviços.

Mas atenção: no caso de reembolsos ou remarcações de passagens, o direito do passageiro é assegurado apenas em viagens feitas pelas empresas de linhas regulares que saem das rodoviárias.

No caso de ônibus de fretamento ou ônibus de aplicativos, por não serem regulamentados para este tipo de viagem, não há esta garantia dada pelas normas do poder público, não havendo assim, como cobrar uma atitude de uma agência reguladora.

Em viagens deste tipo de transporte fretado ou de aplicativo, o passageiro deve se certificar das condições, taxas e maneiras de remarcação ou cancelamento de viagem com a empresa fretada ou com o aplicativo do ônibus.

Confira (empresas de linhas regulares)

Para quem desistir de viajar:

O usuário tem o direito nas viagens interestaduais de ônibus regulares de remarcar ou cancelar a passagem.

De acordo com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), há algumas opções:

– reembolso da passagem com no mínimo três horas de antecedência do horário previsto para o início da viagem: a empresa de ônibus pode reter até 5% do valor da passagem (excluindo taxas de embarques e terminais) Dessa forma, a companhia tem o direito de reter apenas 5% do valor da tarifa (a título de comissão de venda e multa compensatória), devolvendo 95% do dinheiro desembolsado pelo cliente.

– reembolso pedido faltando menos de três horas para o embarque: a empresa pode cobrar  para realizar o ressarcimento da passagem (excluindo taxas de embarques e terminais). Depende da política da empresa.

– remarcação solicitada em até três horas antes do embarque: habitualmente, as empresas regulares não cobram nada dos passageiros. Procure saber do regulamento de cada companhia.

– remarcação solicitada com menos de três horas antes do embarque: a empresa pode reter até 20% do valor da viagem

– passagem vale por um ano: as passagens de ônibus interestaduais têm um ano de validade para remarcações a partir da data da compra, mas a desistência da viagem deve ser comunicada antes do horário de embarque.

– transferência da passagem para outra pessoa: essa possibilidade existe. Para isso, é necessário no guichê da empresa apresentar os documentos oficiais e originais com foto do comprador da passagem e do novo passageiro.  Não deve haver cobrança para esta transferência.

No caso das viagens intermunicipais (dentro do mesmo Estado), o passageiro deve ser informar sobre as regras com as agências e departamentos reguladores, mas, em geral, os estados costumam ter normas parecidas com as da ANTT (interestadual).

Para quem for viajar mesmo:

Por causa da pandemia, os cuidados devem ser redobrados, além das dicas de todos os anos, como chegar com no mínimo uma hora de antecedência, identificar as bagagens, não se separar de crianças e, se precisar de informações, apenas consultar funcionários das empresas e terminais rodoviários com uniformes e crachás.

Sobre a segurança sanitária, as dicas (e deveres são):

– Use máscara o tempo todo, no momento do embarque, durante toda a viagem, nas paradas (com exceção durante o consumo de bebidas e alimentos) e no desembarque;

– Lembre-se: as máscaras têm eficácia por entre duas e quatro horas, devendo ser trocadas depois para serem lavadas. Assim, procure saber mais ou menos quanto vai durar a viagem e leve uma quantidade de máscaras condizente, considerando a necessidade de máscaras reservas para algum incidente. Por exemplo: uma viagem de oito horas; leve a máscara que está usando, duas para troca e mais uma de reserva. Considere o tempo que vai demorar para chegar à rodoviária. Por exemplo, se a viagem é de oito horas, mas o passageiro demorou uma hora entre a casa e a rodoviária, deve considerar este tempo total para calcular a quantidade necessária de máscaras. Após duas ou quatro horas, a máscara fica úmida e perde a capacidade de retenção das gotículas, deixando de proteger a você e as outras pessoas;

– As máscaras limpas devem estar em uma sacolinha plástica e as máscaras que já foram usadas devem ser colocadas em outra sacolinha. Não misture máscara nova com máscara suja.

– Evite comer e beber dentro do ônibus;

– Na fila de embarque, tente manter uma distância mínima de 1,5 metro das outras pessoas.

– Evite ao máximo conversar no embarque, dentro do ônibus e no desembarque;

– Se tiver de espirrar ou tossir, NÃO tire a máscara, e cubra a boca e o nariz com o braço ou com um lenço de papel que deve ser devidamente descartado, nunca use as mãos;

– Leve um ou mais frascos de álcool em gel, mesmo que a empresa disponibilize aos passageiros;

– Leve sacolinhas plásticas; como de mercado, para descartar seu lixo de forma individual;

– Lave muito bem as mãos quando usar sanitários dos ônibus e nas paradas;

– Se tiver mais de 60 anos ou pertencer a outros grupos de risco para os agravamentos pela covid-19, se possível, evite viajar;

– Se tiver sentido em até dez dias antes do embarque sintomas de gripe, perda de olfato e paladar ou febre, mesmo que já esteja melhor, não viaje.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Assine

Receba notícias do site por e-mail

Comentários

Deixe uma resposta