Diário no Sul

Canoas (RS) tem greve de ônibus nesta quarta (23)

Ônibus da Sogal. Foto: Divulgação

Nenhum coletivo deixou a garagem. Categoria reclama de atraso no pagamento do 13º salário, além de outros benefícios

ALEXANDRE PELEGI

Como noticiou o Diário do Transporte, após iniciar uma paralisação do transporte coletivo na segunda-feira, 21 de dezembro de 2020, os funcionários da Sogal, concessionária do transporte público em Canoas, Rio Grande do Sul, decidiram entrar em greve oficialmente a partir desta quarta-feira (23), iniciando a interrupção do serviço às 4h.

Na madrugada de hoje nenhum ônibus deixou a garagem e a cidade amanheceu sem transporte.

De acordo com o Sintrocan (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Canoas) não houve acordo na audiência entre a entidade e representantes da Sogal, operadora do transporte municipal A reunião contou ainda com a presença do Ministério Público e de representante da Prefeitura Municipal.

A empresa propôs parcelar as perdas salariais, com 5% retroativos à data-base (maio) e os 8,34% restantes em dezembro. Além disso, a categoria alega não ter recebido o 13º salário e outros benefícios.

Hoje ainda pela manhã deve haver nova reunião com a participação de técnicos da prefeitura para discutir a situação.

A Sogal emitiu nota:

Estamos buscando de forma emergencial uma mediação junto ao ministério público do trabalho, na intenção de chegarmos a algum acordo com o sindicato dos trabalhadores, vale lembrar que está situação só reflete a dificuldade que enfrenta o transporte coletivo do Brasil inteiro, com exceção das cidades que possuem algum tipo de subsídio por parte do poder concedente.

NOTA AOS FUNCIONÁRIOS

No domingo, 20 de dezembro, após a decisão da assembleia sindical que decidiu pela greve, a Direção da Sogal afixou uma nota dirigida a seus funcionários no quadro da empresa.

Além de afirmar que pretendia pagar os atrasados em seis parcelas a partir de dezembro, a empresa diz que uma eventual paralização afetaria ainda mais o já combalido cofre da empresa. Além disso, culpa a Prefeitura de Canoas pela crise no transporte.

Leia a nota na íntegra:

Boa tarde, a empresa Sogal vem através de sua diretoria, por meio desta mensagem, manifestar sua preocupação frente à possibilidade de realização de movimento grevista no sistema de transporte coletivo. Antes de mais, importante dizer que sabemos que o ano de 2020 foi difícil para todos, em especial para classe trabalhadora. Juntos, enfrentamos essa pandemia com todas as nossas forças e conseguimos chegar até este momento, onde precisamos esclarecer algumas questões, para que não pairem dúvidas sobre a real intenção da empresa. Tivemos conhecimento que neste final de semana houve uma assembleia, motivada pelo Sindicato dos Trabalhadores, onde poucos funcionários participaram e que, infelizmente, teria sido decidido por uma paralização na próxima segunda-feira, o que nos preocupa profundamente. É que uma paralisação neste momento só irá priorar a situação financeira do sistema e causar enormes prejuízos à sociedade canoense. Hoje toda a receita diária dos sistema é destinada ao pagamento da folha dos funcionários e compra de diesel. Ademais, sabemos que estamos com a situação do 13º salário, residual de ticket e horas extras pendentes, mas é importante mencionar que enviamos uma proposta ao sindicato propondo o melhor que podemos fazer para este momento, parcelando todas as pendências relacionadas a estes três itens. Esta proposta prevê o pagamento em seis parcelas a partir deste mês de dezembro. É importante lembrar que a Sogal é uma empresa que está com seu contrato de concessão vigente e que a Prefeitura de Canoas também é responsável por manter o equilíbrio econômico e financeiro do contrato, que foi duramente abalado durante toda esta pandemia. Precisamos que todos entendam que a situação dos atrados de salários não se deu em função da gestão da empresa, mas porque o município de Canoas está em débito com a transportadora, como já é reconhecido em processo que tramita junto ao Ministério Público, cuja cobrança está sendo ajustada. Quer dizer: com eventual paralisação dos serviços, a receita da empresa será afetada drasticamente, comprometendo ainda mais os pagamentos básicos de todos. Estamos realizando esforço hercúleo para arcar com essas obrigações, já que nossa preocupação sempre foi em trazer aos nossos funcionários melhores condições para recebimento de seus salários e benefícios. Entendemos, assim, que a decisão de paralisação deve ser tomada pela maioria dos trabalhadores e não por apenas 91 pessoas, já que nosso corpo funcional alcança 700 colaboradores, ou seja, pouco mais de 10% não pode decidir pela maioria quando a representatividade é ínfima. Esta decisão vai impactar neste final de ano em todos, em especial para o comércio, indústria, serviços de saúde e demais serviços da cidade, razão pela qual pedimos que aqueles que não concordam com esta decisão que posicione sua vontade ao sindicato e também para a empresa pelos meios disponíveis, pois teremos uma audiência de mediação com o Ministério Público do Trabalho ainda esta semana para equacionar a forma de pagamento dos valores em atraso. Não podemos permitir que poucos decidam por todos. Se cada um dos trabalhadores tem a mesma força nesta tomada de decisão, informamos que está sendo impresso um formulário que será distribuído a partir de hoje à noite na empresa para que cada um se manifeste. É importante ter a posição escrita de cada um, optando pela paralisação ou a negociação junto ao MPT (Ministério Público do Trabalho). Saibam que a empresa está fazendo tudo que está ao seu alcance para manter todos os empregos, esta empresa que possui uma história de mais de 55 anos em nossa comunidade e com uma grande responsabilidade social em nossa cidade. Que Deus abençoe a todos neste momento de decidir o futuro de cada um de nós. Contamos com o apoio e consideração de todos neste momento tão difícil.

A Direção.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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