Ônibus rodoviários interestaduais acumulam queda de 54% no total de passageiros em 2020

Ônibus chegando na Rodoviária do Rio de Janeiro.

Para as festas de Fim de Ano é esperado crescimento de demanda, mas em nível menor que 2019. Para tentar amenizar o quadro de perdas, as empresas devem tomar ações para convencer o passageiro a viajar com divulgação de medidas de higienização, campanha contra o transporte irregular e promoções de passagens

ADAMO BAZANI

A demanda de passageiros de ônibus rodoviários interestaduais no Brasil acumula queda de 54% neste ano até o momento, de acordo com dados da ABRATI – Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros, que representa as viações que operam linhas regulares.

Além do medo de viajar dos passageiros em decorrência da Covid-19 e das medidas de restrição de movimentação tomadas por prefeitos e governadores para conter o avanço da doença, o crescimento do transporte clandestino e transporte não autorizado para linhas também explica em parte esta queda, de acordo com a entidade.

Para as festas de Fim de Ano, a movimentação de usuários deve crescer em relação aos meses anteriores, mas a quantidade de viajantes tende a ser menor que o mesmo período de 2019.

Entre os dias 22 e 28 de dezembro, pelos principais terminais rodoviários do Sudeste, como Rio de Janeiro (Rodoviária do Rio e Niterói) e São Paulo (Tietê, Barra Funda e Jabaquara), devem passar quase 200 mil de passageiros.

Somente a Rodoviária do Rio estima que, de 22 de dezembro a 4 de janeiro, o número de viajantes seja de 335.650, entre embarques e desembarques em 11.220 ônibus.

Para tentar amenizar o quadro de perdas, as empresas devem tomar ações para convencer o passageiro a viajar com divulgação de medidas de higienização, campanha contra o transporte irregular e promoções de passagens.

HIGIENIZAÇÃO

 A primeira das ações para deixar o passageiro mais confiante é intensificar as medidas de higienização e segurança sanitária, além de divulgar mais estas práticas, que já são tomadas por grande parte das empresas regulares.

O atendimento com motoristas e outros profissionais que utilizam EPIs (Equipamentos de Proteção Individual); a distribuição de álcool em gel aos passageiros e um sistema de ar-condicionado que permite a renovação de 99,9% do ar no interior dos veículos são alguns dos pontos que as empresas querem destacar.

O uso de máscara é obrigatório no momento do embarque, durante toda a viagem dentro dos ônibus, nas paradas (só podendo ser retiradas para consumo de alimentos e bebidas dentro dos postos, restaurantes e lanchonetes) e no desembarque.

TRANSPORTE IRREGULAR

Já contra o transporte irregular, seja o pirata ou o não autorizado pelo poder público para operar rotas regulares, as empresas estão investindo em campanhas e vídeos, seja na mídia tradicional, como sites, TVs e rádios, ou em páginas de redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram.

Em nota, o presidente da ABRATI, Eduardo Tude, diz que um dos focos é reforçar o risco que o transporte irregular oferece ao passageiro.

“Em ano de pandemia, os prejuízos provocados por empresas que não cumprem as regras do jogo ganharam caráter de urgência. Além dos danos materiais, a ameaça à vida se sobrepõe como um grande mal que essas organizações provocam ao insistir em burlar a lei. Por isso, a escolha por serviços prestados no setor de transporte rodoviário tem de ser muito responsável, para não se converter numa grande tragédia, como infelizmente, acabamos de ver no interior de São Paulo, quando um acidente com um ônibus clandestino deixou 42 mortos”

Já a consultora da entidade e diretora de marketing do grupo integrado por empresas como UTIL e Guanabara, Letícia Pineschi, diz que o passageiro ainda tem dificuldades de diferenciar o transporte regular de modalidades não autorizadas para venderem passagens de forma individual e fazerem os mesmos trajetos das linhas regulamentadas pelo poder público.

“Entre as recomendações estão: procurar saber se a empresa de ônibus é autorizada pela ANTT a fazer a viagem regular interestadual, observar se o ônibus contratado sai de um terminal rodoviário dotado de estrutura e segurança etc. A questão é que, no Brasil, quando se quer driblar a legalidade, sempre se dá um jeitinho. E assim surgiu a modalidade “fretamento colaborativo”, que nada mais é do que converter um serviço legal de fretamento, onde se aluga o ônibus, com viagem de ida e volta, em uma linha clandestina, intermediada por uma plataforma digital pseudo inovadora, que vende assentos”.

Para as campanhas das empresas de ônibus, foram contratadas “personalidades” como o padre-cantor Fábio de Melo, o cantor Wesley Safadão , a apresentadora e ambientalista Luísa Mell e o comediante Tirullipa.

PROMOÇÕES:

As promoções, com passagens mais baratas que o habitual, também devem ser apostas das viações tradicionais.

Passagens interestaduais a partir de R$ 18,90 (Rio de Janeiro X Juiz de Fora) ou por R$29,90 (Rio de Janeiro X São Paulo) são algumas das ofertas das companhias.

“Trata-se de um serviço flexível como outros por aplicativos que surgiram no transporte por demanda, porém, privilegiando a regularidade e a segurança, como o embarque nos terminais rodoviários determinada pelo poder público, respeitando as garantias do usuário de transporte público, gratuidades, frequência mínima e esquema operacional monitorado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, explica Leticia Pineschi, diretora de marketing do grupo Guanabara.

VACINAS:

As empresas de ônibus regulares interestaduais ainda informaram que se dispuseram a  transportar gratuitamente vacinas contra a Covid-19 assim que for iniciada a campanha nacional, para as regiões mais remotas do pais não atendidas pelo transporte aéreo.

“Nessa ação estão as principais rodoviárias do país como a Rodoviária do Rio e o terminal rodoviário do Tietê (SP). O transporte será gratuito e deverá ocorrer em mais de 5 mil municípios espalhados pelo país. A logística da operação ainda será definida pelas autoridades de Saúde. A empresa aérea irá montar sua operação, sabendo que pode contar com as empresas da associação para dar cobertura, levando a vacina com segurança aos municípios mais afastados das cidades onde estão os aeroportos.” – diz a  nota.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. José Mauro disse:

    Além de todas as informações, cabe ressaltar alguns detalhes que as empresas precisam rever. Por exemplo: uma viagem do RJ a RECIFE, não tem cabimento o custo de mais de R$ 600,00, em um ônibus CONVENCIONAL. Viagens de longo percursos com mais de 12 horas, deveriam ter somente duas modalidades conforto, LEITO e CAMA. Percursos menores têm modalidades LEITO e CAMA, porquê para longos percursos não?

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