Trilhos devem perder 372 milhões de passageiros no 4º trimestre, prevê Associação do setor

Expectativa do setor é que números anteriores à pandemia só voltarão a ser registrados em 3 a 4 anos. Foto: Metrô de SP / Diário do Transporte

Perspectiva de perda total em 2020 é de cerca de 1,9 bilhão de passageiros, com déficit acumulado de R$ 8 bilhões

ALEXANDRE PELEGI

A Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) acaba de lançar o Balanço do Setor Metroferroviário do 4º trimestre/2020.

O documento é um retrato da situação do setor no país, com dados das empresas de transportes de passageiros em todo o país.

Em um ano marcado pela pandemia, a projeção de fechamento para 2020 é de queda 37% na demanda de passageiros, o que representa uma perspectiva de perda total no ano de 1,9 bilhão de passageiros.

Somente neste 4º trimestre, quando comparados 2020 e 2019, a perda estimada é de 372 milhões de passageiros.

A previsão para 2021 também não é boa. De acordo com a ANPTrilhos, o setor prevê que a crise de demanda vai durar por todo o ano de 2021, e a expectativa é que os números anterios à pandemia só voltarão a ser registrados em 3 a 4 anos.

Para o presidente da entidade, Joubert Flores, o setor metroferroviário passa pela sua maior crise “e é necessário que haja um reequilíbrio com instrumentos legais, como reavaliação dos contratos, que permitam sanar as deficiências que estão sendo observadas no modelo atual da gestão da mobilidade urbana brasileira”.

Do ponto de vista financeiro a crise está sendo um desastre para o setor. Entre os meses de março e novembro de 2020, a queda de bilheteria é estimada em R$ 7,3 bilhões.

Esse desequilíbrio está projetado na ordem de -R$ 8 bilhões no fechamento do ano, mesmo contando com a expectativa de uma leve melhora pontual na demanda de passageiros no mês de dezembro, devido ao aquecimento do comércio com as festas, o que não deve se repetir no mês de janeiro”, projeta o relatório.

O Balanço afirma que o transporte sobre trilhos vem fazendo a sua parte durante a pandemia, mas para isso os operadores estão tendo que financiar com seus próprios recursos o pesado desequilíbrio que ocorre com a relação entre as receitas e as despesas.

O documento conclui com uma série de propostas para superar a crise do setor, afirmando que a grave crise do transporte público mostrou que o modelo atual de financiamento da atividade está esgotado.

“O setor aguarda com ansiedade que o poder público atue com rapidez no desenvolvimento de novos instrumentos legais que permitam sanar as deficiências que estão sendo observadas no modelo atual da gestão da mobilidade urbana brasileira, tais como:

= Instrumentos legais de financiamento do setor para sua atuação em situações de emergência ou de calamidade pública;

= Mecanismos adequados de financiamento de gratuidades;

= Gestão centralizada da mobilidade nas grandes Regiões Metropolitanas, com a adoção de entidades gestoras;

= Financiamento do transporte coletivo, por intermédio de custeio indireto pelo transporte individual, com a adoção de medidas que incentivem o maior uso do transporte público;

= Respeito à função de linhas troncais que o transporte sobre trilhos deve exercer na mobilidade urbana, que foi um fator de sucesso no momento da pandemia, priorizando o transporte estruturante e sua integração, eliminando as sobreposições de linhas;

= Promoção do planejamento de transportes urbanos no longo prazo; e

= Criação das Autoridades Metropolitanas de Transporte com a centralização da regulação e do planejamento da mobilidade urbana nas grandes Regiões Metropolitanas.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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