Setor de carrocerias de ônibus registra queda de 26,1% na produção

Segmento de Turismo foi o mais afetado. Foto: Divulgação.

Percentual considera mercado interno

JESSICA MARQUES

O setor de carrocerias de ônibus registrou uma queda de 26,1% na produção para o mercado interno neste ano. A produção em 2019 foi de 16.683 unidades, contra 12.333 este ano.

As informações foram divulgadas pelo Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários). No mercado externo, por sua vez, a retração foi de, 29,5%, passando de 3.931 unidades produzidas no ano passado para 2.772 este ano.

De acordo com o diretor do sindicato, Ruben Bisi, quando os números dos mercados interno e externo são consolidados, a retração chega a 26,7%.

“No ano passado, até novembro, tivemos 20.603 unidades, este ano 15.105. Estamos prevendo um mês de dezembro com produção baixa em função da falta de materiais, então estamos estimando um total de 16.500 unidades em 2020, uma retração de 25%”, disse.

Bisi avalia que com o distanciamento social, muitas pessoas deixaram de andar de ônibus, contudo, o setor mais impactado foi o de Turismo.

“Praticamente não se vendeu rodoviários esse ano. Se vendeu micro-ônibus, muito mais pelo caminho da escola do programa do Ministério da Educação, chamado FNDE. Os pedidos do ‘Caminho da Escola’ representaram praticamente 3.300 unidades”, afirmou também.

O executivo também destaca a debilidade financeira das empresas que tiveram de demitir funcionários, tirar dinheiro do caixa, não tiveram receita e têm prestações para pagar. “O governo deu um certo alívio por um período, mas voltou a cobrar as prestações em outubro”, comentou.

Outro problema apontado por Bisi é a restrição de novos créditos. “Os bancos, ao analisar nosso setor, avaliam com uma certa incerteza para honrar novos compromissos, em função da continuidade da pandemia e restrições de prestação do serviço. Então conseguir financiamentos tornou-se um grande desafio, só empresas muito capitalizadas estão conseguindo ter acesso ao crédito”, completou.

Além disso, segundo Bisi, com a pandemia houve falta de insumos, um aumento “brutal” no preço do aço, alumínio, cobre, ABS, resinas, plásticos em geral, o que leva ao aumento dos preços dos chassis e dos ônibus.

“Nós temos aí uma inflação de materiais e a falta de produtos, que chegou a parar algumas linhas de produção. Estamos em uma tempestade perfeita: nosso cliente com baixa capacidade de investimento, tendo que suportar aumento de preços.”

Para finalizar, Bisi lembrou que foi aprovada no Congresso Nacional a continuidade da desoneração da folha de pagamento até o final de 2021, o presidente vetou e o Congresso derrubou o veto, mas até o momento não há a certeza da continuidade.

Segundo o executivo, caso não seja prorrogada, deve acontecer um impacto direto nas tarifas urbanas da ordem de 6%. “Gosto de enxergar o copo sempre cheio, mas o copo está pequeno. Tínhamos aprovado junto ao congresso nacional uma ajuda emergencial de 4 bilhões para os sistemas de transportes em cidades com mais de 200 mil habitantes, mas a presidência da república vetou no dia 10 de dezembro. Esperamos que o governo reveja esta situação pois poderemos ter um apagão nos sistemas de transportes urbanos”, disse.

EXPECTATIVA PARA 2021

A expectativa do setor para 2021 é de que a vacina que combate a Covid-19 seja aplicada no 1º trimestre para que então o país inicie a retomada da economia.

Bisi afirma que alguns setores ainda estão comprando, como é o caso do fretamento, para o transporte de funcionários com maior distanciamento, e que deve acontecer o retorno do Caminho da Escola, com a publicação de um edital ainda em dezembro, dando continuidade às compras do projeto.

“Isso nos dá uma expectativa de que o mercado interno possa crescer em torno de 10% no ano que vem. Se a vacina for realmente aplicada, o setor de Turismo deve ser reativado, pelo menos o interno, o que deverá aumentar a demanda por ônibus”, afirmou.

Em termos de mercado externo, a expectativa é de que o Chile volte a comprar, que a situação da Argentina melhore, para que o país volte a importar ônibus.

“Estamos prevendo um crescimento maior até na exportação, em torno de 15% para 2021, embora nossos mercados tradicionais estejam com os mesmo problemas. Imaginamos que a vacina é o que vai nos salvar, com as pessoas voltando a utilizar o sistema de transporte”, finalizou.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

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