Produção de ônibus tem pior acumulado do ano desde 1999, segundo Anfavea

Pandemia afetou o setor de transportes e a indústria. Foto: Divulgação / VWCO.

Levantamento foi divulgado pela associação nesta segunda (07)

JESSICA MARQUES

A produção de ônibus no Brasil teve uma queda de 34,3% no acumulado do ano de 2020. O resultado foi o pior desde 1999. A informação foi divulgada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) na manhã desta segunda-feira, 07 de dezembro de 2020.

Conforme divulgado pela associação, de janeiro a novembro deste ano foram produzidos 17.396 chassis, comparados a 26.479 unidades fabricadas no mesmo período de 2019.

Por sua vez, de outubro para novembro deste ano, a produção teve uma queda de 5,6%, passando de 1.807 unidades produzidas para 1.705.

Por fim, comparando novembro com o mesmo mês de 2019, o resultado é uma queda de 16,7%. Neste período do ano passado, foram 2.046 chassis produzidos.

“O mercado do segmento de ônibus é o que tem sofrido mais e ainda é bastante influenciado pelo programa Caminho da Escola”, pontuou o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, em entrevista coletiva.

“Esse é o pior acumulado que nós temos desde 1999, é o segmento que tem mais sofrido”, completou. Há 21 anos, neste mesmo período, foram 13.775 unidades produzidas, também segundo a Anfavea.

LICENCIAMENTO

Ainda segundo a Anfavea, o número de novos ônibus licenciados nos onze primeiros meses de 2020 caiu 32,7 %, passando de 19.009 para 12.786.

De outubro para novembro, por sua vez, foi registrado uma queda de 3,8%, passando de 1.436 para 1.381 veículos licenciados.

RANKING DE MARCAS

Considerando o número de ônibus licenciados no Brasil neste ano, a Mercedes-Benz segue líder de mercado, segundo a Anfavea. Confira o ranking de marcas, de acordo com resultados divulgados pela associação:

1º) Mercedes-Benz: 6.087 unidades, queda de 38,8%

2º) MAN/Volkswagen: 3.874 unidades, queda de 23,8%

3º) Agrale (inclui os miniônibus da Volare): 1.445 unidades, queda de 30,7%

4º) Iveco (inclui os miniônibus CityClass): 466 unidades, alta de 99,1%

5º) Volvo: 392 unidades, queda de 43,4%

6º) Scania: 364 unidades, queda de 55,7%. 

EXPORTAÇÃO

As exportações de ônibus também apresentaram queda no acumulado do ano. A redução foi de 43% no período, passando de 6.361 para 3.627 unidades vendidas ao mercado exterior, considerando o período de janeiro a novembro deste ano com os mesmos meses de 2019.

Confira os números, na íntegra:

PERSPECTIVA PARA 2021

Ainda segundo Saltini, enquanto não houver perspectiva de controle da pandemia de Covid-19, não é possível prever uma recuperação para o segmento de ônibus.

“O que a gente acredita e espera é que haja uma conscientização grande da população sobre os riscos da Covid-19, por isso que a gente faz esse alerta. Estamos insistindo com as empresas de a gente ainda tomar as precauções para evitar esse aumento de contaminação e a vacina vai ser um alento. Assim que a gente tiver acesso às vacinas e se começar a imunizar as pessoas, se controla a contaminação, mas esse é um horizonte que a gente ainda não consegue prever, então o segmento deve continuar bastante fragilizado pelo menos no início de 2021”, avaliou.

“Vamos torcer para que algumas medidas possam ser adotadas, revertendo um pouco esse quadro para um uso mais constante do transporte público de forma geral, que venha com a mobilidade das pessoas, que elas possam usufruir dessa mobilidade à medida que a gente consegue conter a contaminação e a gente tenha os mecanismos apropriados para combater essa pandemia”, afirmou também.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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