Ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, Jacob Barata Filho, Marcelo Traça e outros empresários de ônibus são condenados pela Lava Jato a prisão

Jacob Barata Filho em uma das vezes que foi preso pela Polícia Federal. Imagem – Reprodução Globo News/Agestado

Juiz Marcelo Bretas entendeu que houve corrupção envolvendo a Fetranspor e companhias de transporte

ADAMO BAZANI
Colaborou Jessica Marques

O juiz Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, condenou a 19 anos e nove meses de prisão por corrupção passiva, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sério Cabral, e empresários de ônibus.

A decisão desta quinta-feira, 26 de novembro de 2020, é referente ao processo da Operação Ponto Final 1, um desdobramento da Lava-Jato e que apurou um esquema de corrupção que teria movimentado  R$ 144,7 milhões em propina pagos por empresários de ônibus entre 2010 e 2016 por meio da Fetranspor, federação que representa as viações no Estado, a Cabral.

A maior pena foi contra o empresário Jacob Barata Filho, considerado o Rei do Ônibus do Rio de Janeiro, condenado a 28 anos e 8 meses de prisão, entre outros empresários de ônibus.

Segundo o Tribunal de Justiça, foram condenados outros empresários de ônibus, dirigentes da Fetranspor, do Rio Ônibus (sindicato das empesas da capital) e agentes públicos.

A relação dos condenados é:

– Ex-governador do Rio de Janeiro, Sério Cabral, 19 anos e 9 meses de prisão.

– O empresário Jacob Barata Filho, considerado o Rei do Ônibus do Rio de Janeiro, condenado a 28 anos e 8 meses de prisão.

– Marcelo Traça, empresário de ônibus, foi vice-presidente do Conselho de Administração da Fetranspor – condenado a 24 anos, 9 meses e 10 dias de prisão. Traça fechou acordo de delação premiada e a pena será convertida nos termos do acordo

– João Augusto Moraes Monteiro, empresário de ônibus, foi presidente do Conselho de Administração do Rio Ônibus – condenado a 17 anos, 9 meses e 26 dias de prisão

– Eneas da Silva Bueno, foi diretor financeiro do Rio Ônibus – condenado a 4 anos, 4 meses e 15 dias de prisão

– Octacilio de Almeida Monteiro, foi vice-presidente do Rio Ônibus – condenado a 4 anos, 4 meses e 15 dias de prisão

– Luiz Carlos Bezerra, operador financeiro de Sérgio Cabral – condenado a 5 anos e 9 meses de prisão

– Márcio Marques Pereira de Miranda, funcionário da Prosegur – condenado a 5 anos e 3 meses de prisão

– David Augusto da Camara Sampaio, funcionário da TransExpert – condenado a 5 anos e 3 meses de prisão

– O empresário de ônibus  José Carlos Lavouras, que presidiu o Conselho de Administração da Fetranspor, teve o processo desmembrado porque estar em Portugal.

– O ex-presidente da Fetranspor,  Lélis Teixeira, teve o processo suspenso por ter fechado acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Cinco réus foram absolvidos.

A denúncia do MPF – Ministério Público Federal diz que em troca da propina, os empresários de ônibus tinham benefícios ilegais, como descontos em impostos, vistas grossas em vistorias e má atuação nas linhas, reajustes das tarifas acima do necessário e alta influência política.

No despacho, o juiz Marcelo Bretas disse que essa situação de corrupção reflete em maus serviços e na falta de qualidade dos serviços a qual a população é submetida.

OUTRO LADO

A defesa de Sérgio Cabral diz que não concorda com a pena máxima a que o ex-governador foi submetido porque ele é “colaborador da Polícia Federal”.

Em nota, ao Diário do Transporte, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio) esclareceu que “desenvolve uma profunda reestruturação interna, com uma nova política de conformidade e uma moderna governança. Desde setembro de 2017, a entidade tem uma nova gestão que prioriza a transparência, de seus atos, a valorização dos controles internos e o respeito às normas que regulam o setor”.

“É importante ressaltar que todas as notícias recentes relacionadas à gestão da Fetranspor referem-se a fatos supostamente ocorridos muito antes da posse do novo corpo administrativo”, informou também a federação.

O Diário do Transporte tenta contato com outros citados.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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