Acciona vence contrato para BRT de Auckland, na Nova Zelândia, e fortalece atuação em projetos de PPP

Obras que serão assumidas pelo grupo espanhol, atual responsável pela Linha 6 Laranja de Metrô em São Paulo, estão orçadas em 400 milhões de euros, cerca de R$ 2,5 bilhões

ALEXANDRE PELEGI

A Acciona, em consórcio com o grupo neo zelandês Fletcher, foi selecionada como Parceira Preferencial para a construção de vários estágios da Eastern Busway, parte do sistema de transporte de Auckland na Nova Zelândia.

O projeto de infraestrutura vai melhorar as conexões da cidade entre os subúrbios de Panmure, Pakuranga e Botany.

O Eastern Busway é um projeto de ônibus estilo BRT que está em construção nos subúrbios do sudeste de Auckland, com faixas de ônibus segregadas do tráfego normal de veículos.

As obras incluem além da construção dos corredores em formato BRT, uma rede de ciclovias, projeto que em seu conjunto vai reduzir o tempo de deslocamento e o trânsito.

O cronograma definido pela Auckland Transport, desenvolvedora do projeto, estima que as obras serão concluídas em 2025.

O consórcio Acciona será responsável por obras que totalizam 400 milhões de euros (aproximadamente R$ 2.5 bilhões), e são parte de um projeto mais amplo de cerca de 800 milhões de euros (R$ 5 bilhões).

A etapa assumida pelo consórcio de que participa a Acciona abrange a construção da faixa de BRT entre os centros das cidades de Panmure e Pakuranga.

As obras completas, entre Panmure e Botânica, devem ser concluídas em 2025.

As empresas de engenharia Aecom e Jacobs, dos Estados Unidos, irão colaborar no desenvolvimento do design do corredor de transporte.

Em 2016, a empresa espanhola também conquistou um contrato em consórcio com a Fletcher para construir a rodovia Puhoi-Warkworth ao norte de Auckland. Pelo contrato, a Acciona poderá operar e administrar a rodovia um período de 25 anos, em formato de parceria público-privada.

Este contrato foi o primeiro projeto da ACCIONA na Nova Zelândia e um elemento chave para o crescimento econômico da região Northland, com a criação de uma conexão de transporte mais confiável e seguro no triângulo formado pelas cidades de Auckland e Tauranga e a região de Waikato.

CRESCIMENTO NA OCEANIA

Após seu forte crescimento na Austrália, onde chegou em 2002, a ACCIONA é hoje uma das empresas líderes no mercado de infraestrutura da Oceania.

A ACCIONA concluiu recentemente o processo de aquisição da maioria da carteira de projetos da Lendlease Engineering na Austrália, uma subsidiária da Lendlease.

A aquisição, juntamente com novos projetos conquistados na Austrália nos últimos meses, aumentou o portfólio de infraestrutura da Acciona no país para mais de 2,72 bilhões de euros (R$ 17, 32 bilhões) com uma ampla gama de contratos dos setores público e privado.

Além disso, fortalecerá a posição da empresa para competir em novas licitações na região da Oceania e Sudeste Asiático.

ATUAÇÃO NO BRASIL

A Acciona assumiu a construção da linha 6 Laranja do Metrô de São Paulo, uma PPP – Parceria Público Privada que prevê ainda os trens e a operação da linha.

Como mostrou o Diário do Transporte, depois de estar com as obras paradas desde 2016, a linha 6, conhecida também como “Linha das Universidades”, foi assumida pelo consórcio do grupo espanhol, que “comprou” a concessão da PPP do Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, que alegou problemas financeiros.

As empresas integrantes do Move SP são alvos de investigações de corrupção na Operação Lava-Jato em outros empreendimentos.

As obras foram retomadas oficialmente em 06 de outubro de 2020 e, na cerimônia de reinício dos trabalhos, o governador João Doria prometeu conclusão até 2025. Relembre: Doria confirma início das obras da linha 6 do Metrô para terça (06) com entrega para 2025

O conglomerado espanhol é formado por mais de 100 empresas e tem sede em Madri, e atua no Brasil desde 1996, onde conta com mais de 1500 profissionais em unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco.

Por 10 anos o grupo deteve a concessão da chamada Rodovia do Aço (BR-393), além de ter participado das obras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, além de dois lotes do Rodoanel Norte, em São Paulo. Venceu licitações para a construção de linhas e estações de metrô em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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