História

Respira São Paulo vai entregar a candidatos nas eleições da capital propostas para transportes não poluentes

Eletrificar corredores de ônibus, tanto os atuais quanto os que estão em processo de licitação, indicação de itinerários já potencialmente preparados para ampliar a rede de transporte limpo e turismo com trólebus estão entre as sugestões

ALEXANDRE PELEGI

O Movimento Respira São Paulo, associação sem fins lucrativos que visa incentivar o uso da tração elétrica no transporte coletivo urbano, apresenta um documento em que elenca propostas relacionadas à mudança de tecnologia energética em linhas de ônibus já em funcionamento na Capital São Paulo.

De acordo com o texto, as propostas do Movimento baseiam-se em um tripé, que congrega Tecnologia, Otimização e Cultura e História.

O documento, assinado pelo Diretor-Presidente, Jorge Françozo de Moraes, pelo Vice, Norberto Pollak, e pelo Relações Públicas, Projetos e Divulgação, Rodrigo Lopes, contempla várias ideias, que vão desde a implantação de veículos elétricos (trólebus ou a bateria) em linhas cujos itinerários estão preparados para uma rápida transformação até a proposição de eletrificar os corredores de transporte já existentes na capital ou aqueles ainda em processo de licitação.

Outra proposta é a Criação do Centro de Memória do Transporte Público Waldemar Correa Stiel, um dos maiores pesquisadores da área de transportes e que deixou um legado importante para as novas gerações.

Além dos comitês dos candidatos à prefeitura, os integrantes do grupo devem entregar as propostas para postulantes ao cargo de vereador (a)

“Apresentamos propostas nas eleições de 2012, em 2016 e agora em 2020 estamos mais interessados ainda em propagar a ideia de um transporte com o mínimo de poluição possível ou zero de poluição para as grandes cidades como São Paulo”- disse Rodrigo Lopes ao Diário do Transporte

LINHAS EM FUNCIONAMENTO

No primeiro item, Mudança de Tecnologia Energética em linhas já em funcionamento, o Respira São Paulo mapeou algumas linhas no Município em que foram detectadas a potencialidade da operação de veículos trólebus e elétricos a bateria em seu trajeto.

A operação de um sistema movido à eletricidade comprovadamente reduz a incidência de doenças respiratórias, preservando a saúde das pessoas que vivem em São Paulo”, afirma a Associação.

Nesse item o documento propõe as seguintes alterações:

390E/10 Term. Penha – Term. Dom Pedro II

Aqui a proposta é de mudança de tecnologia Diesel para Trólebus, o que segundo o texto está previsto no Edital (2019) em vigência.

Neste caso, a transferência para Trólebus seria facilitada, uma vez que a rede aérea existente abrange 95% do itinerário. Outro fator positivo apontado é que a mudança demandaria poucas intervenções para a implantação.

702C/10 Metrô Belém – Jd. Bonfiglioli / Metrô Belém – Praça da República (Circular)

A Transferência para Trólebus seria facilitada diante da existência de 68% de rede aérea no trajeto.

A mudança beneficiaria diretamente 350 mil passageiros por dia, além de atender grandes corredores de tráfego. Outro ponto destacado pelo documento é que o percurso atinge pontos de interesse comerciais.

Eixo Central (Circular Terminais) / Term. Pq .Dom Pedro II – Circular

A transferência para Trólebus, segundo a proposta, utilizaria Micro-ônibus Elétricos a bateria (Trólebus com Autonomia).

A linha, com ônibus acessíveis e de baixo impacto no tráfego, poderia ainda ter uma possível aplicação de tarifa integrada com estacionamentos ou diferenciada.

Eletrificação do Expresso Tiradentes:

5105/10 – Term. Mercado – Term. Sacomã

5109/10 – Term. Mercado – Term. Vila Prudente

A eletrificação seguiria o projeto original do Corredor, permitindo ganhos operacionais, qualidade de trafegabilidade e redução da emissão de poluentes com a utilização de veículos trólebus ou bateria.

OTIMIZAÇÃO

Já no item “Otimização” da proposta da Respira São Paulo, a Associação ressalta que o potencial de linhas operadas por veículos elétricos ou de baixa emissão de poluentes em grandes corredores de tráfego “trazem à cidade inestimáveis ganhos ambientais, a começar pelo Custo x Benefício da implantação de um sistema elétrico”.

O documento lembra que se num primeiro momento a aquisição de veículos elétricos pode representar gastos de 30% a 60% superiores aos de veículos à combustão, “os trólebus em média se pagam mais rápido e desprendem menos manutenção em comparação com os veículos convencionais”.

O Movimento cita estudo colaborativo realizado com outras entidades, envolvendo a Câmara Municipal de São Paulo, para o desenvolvimento do Projeto da Lei de Mudanças Climáticas, que depois foi promulgada com a Lei 16.802/2018.

Nesse estudo, constatou-se que, além dos ganhos ambientais com a redução de materiais particulados ou gases nocivos à atmosfera, “os veículos elétricos pagam-se em metade do tempo, isto é, 5 anos considerando todas as manutenções, inclusive as de infraestrutura – que um veículo movido a Diesel, além de ter a vida útil mais prolongada”.

No item Otimização, a proposta do Respira São Paulo é eletrificar ou adotar veículos elétricos a bateria nos mais importantes Corredores de Ônibus em São Paulo. São citados:

– Santo Amaro – Nove de Julho – Centro;

– Pirituba – Lapa – Centro;

– Parelheiros – Grajaú – Rio Bonito;

– Varginha – Atlântica – Santo Amaro;

– Capelinha – Ibirapuera – Centro;

– Jardim Ângela – M’Boi Mirim – Santo Amaro;

– Campo Limpo – Francisco Morato – Centro

O documento sugere ainda que a proposta alcance também os novos corredores que estão em processo de licitação. O formato de operação e investimentos na execução das obras de infraestrutura seria por meio de Parcerias Público-Privadas, “a exemplo da implantação de linhas de Metrô, reservando à empresa vencedora o direito de operação ou participação nos lucros e resultados em contrapartida às obras”.

Os futuros corredores são:

– Radial Leste – São Mateus; e

– Avenida Líder – Terminal Vila Carrão;

CULTURA E HISTÓRIA

Defendendo que turismo em São Paulo com Trólebus também é possível, no último item da Proposta do Respira São Paulo é sugerida a criação de dois roteiros voltados para o turismo cultural e histórico no Centro da capital.

O projeto tem como referência o projeto de Bondes Turísticos em Santos, e prevê a utilização de trólebus que fizeram história no município, abrangendo dois trajetos, partindo da Praça da República.

Os traçados são compreendidos integralmente com a presença da Rede Aérea operacional de Trólebus:

Circuito 1 – Centro Vivo

República – Prefeitura – Páteo do Collegio

Partindo da Praça da República, lateralmente à estação homônima, com tarifação e programação horária específica, dotada de tripulação para operação logística e turismo, o trajeto é semelhante aos antigos passeios turísticos de trólebus que ocorriam nos Aniversários de São Paulo, entre 2004 e 2016, percorrendo:

Rua Boa Vista, Viaduto do Chá, Teatro Municipal, Praça da República; Retornando pela Biblioteca Mário de Andrade, Shopping Light, Prefeitura, Largo São Francisco, Praça Dr. João Mendes e Praça da Sé.

Circuito 2 – Caminhos do Crescimento

Praça da República – Câmara Municipal – Mercado Municipal

Partindo da Praça da República, lateralmente à estação homônima, com tarifação e programação horária específica, dotada de tripulação para operação logística e turismo, abrange a chamada “Rótula Central”, passando por pontos igualmente históricos como o Gasômetro, Museu Catavento, Mercado Municipal, proximidades da Pinacoteca e Estação da Luz, Praça da República e Câmara Municipal.

Outra proposta do Respira São Paulo é a criação do Centro de Memória do Transporte Público Waldemar Correa Stiel, um dos maiores pesquisadores da área de transportes e que deixou um legado importante para as novas gerações.

A criação de um novo Centro de Memória do Transporte da cidade seria na última garagem de Bondes da Capital que ainda está ativa, localizada na Avenida Celso Garcia com a Rua José de Alencar. O complexo foi tombado pelo Patrimônio Histórico e é de propriedade da Prefeitura.

Com essa ação, o atual Museu dos Transportes da SPTrans pode transferido para o complexo do Brás, como espaço bem maior e perfeitamente adequado para a melhoria e ampliação da atuação do museu como função educativa e de preservação da história do transporte na cidade”, finaliza o documento.

Veja abaixo a íntegra do documento do Respira São Paulo:



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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